terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Capítulo 19

Saiu da cama, vestiu-se e correu até o quarto de Lynda, vendo que a sobrinha acabava de acordar e esticava as mãozinhas ao vê-la. Pegou a menina no colo e viu Paloma entrar no quarto com ar abatido.
— O que houve, Paloma?
A mulher se sentou na cadeira mais próxima, o rosto pálido.
— Signore Efron faleceu durante a noite. Zac está com ele agora.
— Oh, céus! — Vanessa exclamou.
— Todos já esperavam, mas mesmo assim é muito triste. Apesar de todos os defeitos, todos nós gostávamos muito dele.
— Posso ajudar em alguma coisa? - Paloma sorriu com tristeza.
— Já fez uma grande diferença na vida dele nestes poucos dias, Signori. Ele morreu mais feliz por ter conhecido a única neta.
Nos dias que se seguiram, era doloroso para Vanessa ver Zac esconder a dor pela perda do pai para cuidar dos negócios da família. Nem sonhava em revelar seu segredo agora. Ele mal conseguia lidar com os preparativos para o funeral. A única coisa que podia fazer era deixar que ele se perdesse em seus braços todas as noites, como se a união física fosse a única maneira que ele encontrara de aliviar a dor da perda. Mas Zac sempre parecia retraído durante o dia, tal qual um lobo desconfiado.
No dia seguinte ao enterro, Zac a chamou ao escritório.
— Quero conversar sobre o futuro de Lynda.  - Vanessa sentiu o coração pular no peito. Será que ele já pensava no divórcio? Talvez a morte do pai o deixasse livre para anular aquela união indesejada.
— S-sobre o futuro dela?
— Quero adotar Lynda.
Ela engoliu em seco, sentindo-se em pânico.
— Quero ser o pai dela. Contaremos sobre Dylan quando for o momento apropriado. Mas por enquanto, serei o único pai dela.
Vanessa não sabia o que dizer. Via como Zac agia com a sobrinha, segurando-a no colo, brincando com ela ou murmurando coisas afetuosas em sua própria língua. Ninguém poderia questionar o quanto seria um pai maravilhoso, mas não poderiam iniciar o processo de adoção porque ela não era mãe de Lynda. Não queria revelar a verdade justo agora, sabendo o quanto ele estava sofrendo...
— Você não parece muito entusiasmada — ele observou depois de longo silêncio.
— N-não gosto da ideia.
— Por que não?
— Ninguém pode tomar o lugar de Dylan. É o pai dela, mesmo que não esteja mais... aqui... Não quero deixar Lynda confusa.
— Vanessa, tenho feito tudo o que um pai faria. Não sei por que Lynda tem que me chamar de tio pelo resto da vida se tudo o que quero é ser pai dela.
Vanessa tentava pensar em algo que pudesse dissuadi-lo.
— Não confio o suficiente em você. Ele suspirou exasperado.
Casei com você, não? Foi mais do que meu irmão fez.
— Só se casou por senso de dever.
— O que há de errado nisso? Esperava que eu me apaixonasse e jurasse amor eterno?
Vanessa desviou o olhar.
— Não, claro que não. Mas não deixo de pensar que há algo por trás disso. Assim que eu baixar a guarda, vai roubar Lynda de mim. Ameaçou fazer isso diversas vezes.
Zac suspirou novamente.
— Compreendo sua apreensão e peço desculpas pelas ameaças, mas eu só queria garantir a segurança de Lynda. Tinha ouvido tantas coisas a seu respeito que a considerava incapaz de criar a menina.
— E agora? — Vanessa o encarou. — Acha que sou capaz de criá-la?
Zac a observou antes de responder.
— Minhas antigas dúvidas foram respondidas. Contudo, ficaria mais feliz se Lynda fosse oficialmente registrada como minha filha.
— Pensarei no assunto — Vanessa respondeu, querendo ganhar tempo.
— Aceito sua decisão por enquanto, mas saiba que não descansarei até conseguir o que quero.
Vanessa sabia que ele dizia a verdade. Toda aquela teia de mentiras parecia sufocá-la, os fios apertando seu coração sempre que pensava que perderia Lynda e Zac.
— Queria falar mais uma coisa. Tenho um jantar de negócios hoje em Positano. Não posso desmarcar... São pessoas que preciso ver antes de voltar para Los Angeles. Sei que não avisei nada, mas gostaria que me acompanhasse. Lúcia vai cuidar de Lynda; já combinei com ela. Vanessa hesitou.
— Tinha planejado alguma coisa? — ele perguntou, a voz parecendo mais aguda.
— Não, claro que não.
— Sairemos às sete. Use vestido longo; a ocasião é formal.
Lúcia sorriu aprovadoramente quando Vanessa desceu a escada naquela noite trajando um vestido de cetim negro, os cabelos presos num belo coque, as mechas caídas sobre o rosto conferindo-lhe um ar sensual.
— Estou bem? — Deu uma voltinha para a governanta.
— Zac vai te achar irresistível esta noite, Vanessa.
Vanessa sentiu o rosto corar e tentou esconder seu embaraço fingindo que arrumava a alça do vestido.
— Você sabe por que nos casamos, Lúcia.
— Sim, mas as coisas mudaram, não? Você divide a cama com ele, como uma verdadeira esposa.
Isso é bom.
Vanessa encarou a governanta.
— Ele me odeia pelo... pelo que fiz ao irmão.
— Mas você não fez nada, fez, Vanessa? — Lúcia perguntou, sem despregar os olhos dela.
Vanessa ficou apreensiva.
— O que quer dizer?
Lúcia sorriu.
— Você pode ter enganado o Signore Efron, mas não sou boba. Você não é a mãe de Lynda, é?
A mão de Vanessa apertou o corrimão.
— P-por que diz isso?
— Você não poderia ser a mulher que seduziu Dylan.
— P-por que não?
— Porque eu a conheci.
Vanessa ficou chocada, a mão largando o corrimão.
— Você conheceu Stella? Lúcia assentiu.
— Sim. Ela foi procurar Dylan lá na casa. Nem me deu atenção; afinal sou apenas uma empregada. Por isso, quando você apareceu, fiquei confusa. Você agia como ela, se parecia com ela. Mas tive minhas suspeitas. Então atendi aquele telefonema e a voz era muito parecida com a sua. Foi quando descobri o que estava acontecendo. Eu tenho filhos gêmeos. Já estão crescidos, mas costumavam fazer traquinagens, um se passando pelo outro.
Vanessa engoliu em seco.
— Contou para Zac?
— Não. Pensei em deixar isso com você. - Vanessa mordeu o lábio.
— Sabe que tem que contar para ele, não é? — Lúcia perguntou.
— Eu sei. — Vanessa parecia angustiada. — Mas não sei como fazer. Ele tem sofrido muito... Não quero magoá-lo ainda mais. Sinto-me muito culpada.
— Stella é quem deve se sentir culpada. Aposto que largou Lynda com você.
— Sim. Acredite, é a rotina de toda uma vida. — Vanessa suspirou. — Mamãe era assim também: impaciente, impulsiva, irresponsável, sempre se envolvendo com os homens errados.
— Zac compreenderá — Lúcia garantiu. — E um bom homem. Tudo vai se resolver quando ele souber quem você realmente é.
Vanessa queria se sentir assim tão confiante.
Ouviu-o conversando com um empregado enquanto descia para o hall. Vanessa sorriu timidamente para Lúcia.
— Deseje-me sorte.
— Seja apenas você mesma — Lúcia aconselhou. — É o que basta.
O jantar foi oferecido num elegante hotel, o salão adornado com flores e candelabros. Vanessa não se sentia muito sociável. Ficou ao lado de Zac, o braço apoiado no dele, sorrindo para as várias pessoas que lhe eram apresentadas, mas mal podia esperar para voltar para casa.
Ao fim da refeição, vários casais começaram a dançar ao som de uma pequena banda. Vanessa deixou a mesa e refugiou-se no banheiro antes que Zac a tirasse para dançar.
Trancou-se em um dos reservados e respirou fundo várias vezes, juntando coragem para revelar a verdade quando voltassem para casa.
De repente, percebeu que duas mulheres conversavam no banheiro. Falavam em italiano, mas Vanessa compreendia cada palavra.
— Ouvi dizer que era dançarina numa boate quando Dylan a conheceu. Aparentemente tiveram um caso, mas Dylan decidiu voltar para os braços da noiva.
— Ouvi dizer que teve um bebê.
— Sim, parece que foi por isso que Zac se casou com ela. Ele quer ficar com a sobrinha e teve que se casar com a mãe dela para conseguir.
— Espero que não se arrependa. Mulheres como Stella Hudgens só causam problemas.
— Agora a chamam de Vanessa. — A mulher deu uma risadinha. — Sem dúvida quer se distanciar da antiga imagem. Acho que querem silenciar algum escândalo. Reparou? Ela está com um corpo ótimo para alguém que teve um bebê há pouco tempo. Será que Zac já tentou tirar uma prova?
— Estão casados, não estão?
— Todos sabem que Zachary Efron é bem seletivo com as mulheres. Só se casou por causa da criança. Mas sabe o que dizem sobre os homens: não pensam com a cabeça, mas com o que está entre as pernas.
As mulheres deixaram o banheiro. Vanessa colocou a cabeça entre as mãos. Será que isso poderia ficar pior?
Zac se levantou assim que Vanessa voltou à mesa.
— Quer dançar?
Vanessa queria pensar numa desculpa, mas preferia dançar a ficar numa mesa com pessoas que sabiam tantas coisas a respeito de sua irmã.
Zac franziu a testa.
— Esteve nervosa a noite inteira. Algo errado? Não queria ficar tanto tempo em Sorrento? Desculpe, mas foi inevitável. Preciso resolver alguns assuntos antes de voltarmos.
Vanessa meneou a cabeça.
— Não, não é isso. — Ergueu os olhos, finalmente tomando uma decisão. — Podemos ir para casa? Preciso conversar com você... a sós.
— Se é o que quer.
Após algumas despedidas, saíram.

Oiiii pessoal!!
Aqui está mais um capítulo pra vcs...
Como havia dito, estamos entrando na reta final da nossa fic...
E eu já abri as votações pra vocês escolherem a próxima 
fic okay!? As votações se encerraram no último capítulo
dia também que divulgarei oficialmente o nome e o site da 
próxima fic.
E respondendo para quem achava de que Lucia desconfiava
de alguma coisa, aqui está a resposta!!
Obrigada pelos comentários meninas...
Beijoos até qlqr hora!!

3 comentários:

  1. Eu sabia que a Lucia desconfiava de alguma coisa :D As empregadas sempre sabem das coisas eheh!
    Posta logo.
    Beijos.

    ResponderExcluir
  2. você não podia parar nessa parte :o
    tô pra morrer aqui
    nem acredito que a Vanessa vai contar a verdade
    posta mais hoje,please
    kisses

    ResponderExcluir
  3. Caramba!!
    To nervosa por ela!
    Como o zac vai reagir a isso?:(((

    ResponderExcluir