domingo, 7 de dezembro de 2014

Capítulo 17

Vanessa acordou durante a noite com a costumeira cólica que a atormentava desde a puberdade. Gemeu de dor enquanto se arrastava para fora da cama.
Foi até o banheiro e, depois de tomar dois analgésicos, sentou-se na beirada da banheira, esperando que fizessem efeito antes de voltar para a cama.
— Vanessa? — A voz de Zac soou do outro lado. — Está tudo bem?
— Sim.
— Pensei que estivesse gemendo. Está doente?
— Não exatamente.
— Precisa de alguma coisa? Ela se levantou e abriu a porta.
— Estou bem. Não é nada que não tenha me acontecido antes.
Zac franziu a testa, compreendendo lentamente.
— Está menstruada?
— Está salvo, Zac — Vanessa disse ao passar por ele. — Não será pai. Não fica feliz?
Ele a segurou pelo braço.
— Está pálida. Tem certeza de que está bem?
— Lynda está dormindo, Zac. Não precisa fingir que se preocupa comigo no momento.
— Está vivendo sob o teto de minha família e, portanto, sob minha proteção.
Vanessa se desvencilhou dele.
— Não estou doente! Só preciso ficar sozinha. Será pedir muito? — Ela sentiu as lágrimas turvarem sua visão e virou-se para a porta.
Zac a puxou pela roupa de dormir e viu os olhos marejados, sentindo algo disparar dentro de si.
Passou o polegar pela bochecha onde uma lágrima deixava um caminho cristalino.
— Você está chorando — ele disse, parecendo surpreso.
— Não diga. — Ela soluçou e esfregou os olhos com a mão livre.
— Por que está chorando? Vanessa ergueu a cabeça.
— Existe lei contra isso, Zac? Preciso pedir permissão para chorar?
— Não... Só estava perguntando.
— Estou chorando porque sempre choro quando estou menstruada — ela soluçou. — Não consigo evitar. Fico emotiva demais e começo a choramingar pelas coisas mais bobas. — Vanessa assoou o nariz no lenço que ele oferecia. — Não queria acordá-lo. Sinto muito... mas eu...
Zac a puxou para si, os dedos acariciando os sedosos fios de cabelo.
Vanessa apoiou o rosto no peito dele, os braços segurando a cintura.
— Shh — ele murmurou. — Não chore.
A gentileza dele só piorou as coisas. A culpa que Vanessa sentia pelas mentiras a fizeram soluçar ainda mais.
Depois de um tempo, Zac percebeu que ela se acalmava, o choro quase havia cessado. Ficou com Vanessa em seus braços, o queixo apoiado em sua cabeça, aspirando o perfume de gardênia de seus cabelos. Queria parar o tempo e ficar ali com ela para sempre, o corpo comunicando silenciosamente o amor que fora incapaz de impedir de sentir.
— Desculpe. — Vanessa se afastou. — Molhei sua camisa.
Ele viu a mancha úmida e sorriu.
— Não tem problema. Eu já ia tirá-la mesmo. Vanessa o fitou com embaraço, a mão procurando pela porta.
— É... é melhor eu voltar para a cama. Está tarde. Zac tomou-lhe a mão e a levou à boca, os lábios tocando cada dedo enquanto os olhos se mantinham fixos nela.
— Zac... Eu...
— Não fale, Vanessa.
— Acho que não... — Ficou calada quando ele levou um dedo aos lábios dela.
— Não fale — ele insistiu. — Mudei de ideia. Eu a levarei para minha cama. Não para fazermos sexo; isso pode esperar. Só quero ficar abraçado com você.
— P-por quê? — Vanessa perguntou assim que ele afastou o dedo de sua boca.
Ele a olhou nos olhos por incontáveis segundos antes de responder:
— Porque quando te abraço, esqueço meu irmão. Esqueço minha dor. Só consigo pensar na sensação de tê-la em meus braços.
Vanessa ficou com o ar preso no peito, o coração apertado devido à honestidade que via naqueles olhos azuis.
— Certo. — Ela baixou os olhos. — Eu durmo com você.
Saíram do banheiro, os dedos dele segurando os dela enquanto cruzavam a passagem até o quarto dele, cada passo lembrando Vanessa de cada mentira que contara.
Ele estava atraído pela personagem que ela interpretava, nem suspeitava que sua esposa era uma farsante que não tinha o direito de estar em sua vida, muito menos em sua cama.
Zac puxou as cobertas. Vanessa se ajeitou entre os lençóis macios, evitando olhar para ele ao se deitar de lado, praticamente na beirada do colchão. Depois sentiu o colchão afundar com o peso dele.
O silêncio parecia sufocá-la, tornando impossível relaxar o suficiente para que dormisse. Esticou as pernas para aliviar o desconforto, mas acabou esbarrando nas dele.
Zac ligou o abajur e aproximou-se dela, sorrindo.
— É sempre agitada assim na cama?
— Não estou acostumada a dormir com... — Vanessa interrompeu-se ao perceber o que dizia, o rosto corando.
O sorriso desapareceu do rosto de Zac.
— Está dizendo que sempre vai embora depois de se deitar com um homem? Vai direito ao ponto e adeus?
Zac queria controlar o ciúme que o assaltava sempre que pensava nela com seu irmão, e sabe Deus quantos homens mais, mas o ciúme o devorava mesmo assim.
Vanessa umedeceu os lábios, evitando-lhe os olhos.
— Não quero discutir com você. Estou cansada, e isso só vai piorar as coisas.
— Alguma vez passou uma noite inteira com meu irmão? Ou apenas fazia seu serviço e partia o mais rápido possível?
Vanessa sentiu a raiva crescendo ao ouvir aquela crueldade. Sim, a irmã era promíscua, mas não era uma prostituta. Ficava ressentida quando ele insinuava coisas assim.
— Que coisa mais desprezível de se dizer — ela retrucou.
— Alguma vez passou uma noite inteira com ele?
— Não é da sua conta. — Vanessa fechou os olhos e deu-lhe as costas.
Zac a puxou pelo ombro num movimento rápido, a expressão determinada.
— Ele alguma vez a pagou para ganhar sexo?
— O que você acha? — ela disse em tom de desafio. — É você que pensa que me conhece melhor que qualquer um. Você acha que eu faria algo assim?
Zac queria acreditar que ela seria incapaz de tal comportamento, mas as histórias de Dylan a declaravam culpada. Além disso, a mesada tinha desaparecido da conta tão logo fora depositada.
Depois de um tenso momento, Zac a soltou. Desligou o abajur e deitou-se, desejando acordar na manhã seguinte e descobrir que a mulher que amava fosse alguém totalmente diferente daquela que destruíra a vida de Dylan.
Durante a madrugada, Vanessa percebeu que braços fortes a envolviam, o calor de um corpo grande fazendo-a sentir-se segura como nunca antes.
Sentiu as pernas de Zac entrelaçadas às suas. Ele murmurou qualquer coisa enquanto dormia e a apertou mais, uma das mãos apertando seu seio.
Vanessa fechou os olhos e tentou voltar a dormir, mas era impossível ignorar a evidência da excitação dele às suas costas. Seu próprio corpo começou a reagir, uma sensação característica entre as coxas.
Respirou fundo quando ele começou a tocar seu pescoço, a boca atormentando ainda mais seus sentidos.
— Hmm. Você é deliciosa.
— S-sou? — Vanessa estremeceu ao sentir a língua dele em sua orelha.
— Mmm. — A boca procurou a dela. — Delicioso.
Ela fechou os olhos quando as bocas se encontraram. Este beijo era diferente dos outros, era lento e envolvente, sem sinal de urgência, embora não menos tentador.
O beijo se intensificou com a carícia das línguas, o movimento sensual disparando o desejo no corpo de Vanessa. Gemeu quando a mão de Zac buscou seu quadril, os dedos puxando-a para perto de sua ereção.
— Eu a quero tanto — ele murmurou contra a boca dela. — Acho que nunca desejei alguém tanto assim.
Vanessa respirou fundo quando ele ergueu a barra da camisola, o lento deslizar da mão por sua coxa lembrando-a da razão de estar ali na cama dele.
— Não posso. — Segurou a mão dele, um pedido de desculpas nos olhos. — Minha menstruação, lembra?
Zac a fitou por um bom tempo. Vanessa sentia-se afogar na profundeza daqueles olhos azuis.
— Não imaginei que ficasse envergonhada com essas coisas — disse enfim. — É muito antiquado ficar tão embaraçada por causa de algo tão natural.
— Eu sei. Sinto muito.
— Tem se desculpado muito ultimamente. — Ele sorriu ironicamente. — Ainda precisa se desculpar por mais alguma coisa?
Os olhos de Vanessa se desviaram dos dele, as bochechas ardendo.
— Não! Claro que não.
— Só estava perguntando. — Ele lhe afastou uma mecha de cabelo do rosto num toque gentil, atraindo o olhar de Vanessa para si, como pretendia. — Às vezes, Vanessa, acho que está escondendo algo de mim. Algo importante.
Percebeu que ela estava nervosa.
— O que eu poderia estar escondendo?
— Não sei. — Zac observava o combate de emoções no rosto dela. — Tenho tentado desvendar a verdadeira Vanessa, mas continuo perdido.
— É difícil agir normalmente quando estou perto de você — ela disse, distraidamente agarrando os lençóis.
— Por quê? Por causa do meu irmão?
Não, por causa da minha irmã, ela queria dizer.
— Você está sempre zangado comigo. Não estou acostumada a lidar com tantas emoções negativas.
Ouviu Zac suspirar.
— Tem razão. As mortes de Dylan e de minha mãe me abalaram. Não tenho sido eu mesmo há muito tempo; às vezes me pergunto se um dia voltarei a ser. Mas fui sincero quando falei de uma trégua pelo bem de Lynda.
Vanessa demonstrou sua simpatia.
— Eu compreendo.
Zac se deitou com um suspiro.
— Melhor dormir, Vanessa — disse de olhos fechados.
Vanessa o observou por certo tempo. As linhas sérias de seu rosto estavam relaxadas. Queria traçar com os dedos o contorno de suas sobrancelhas aristocráticas, a marca no nariz que parecia já ter sido quebrado. Queria pressionar os lábios nos dele, sentir como as bocas se uniriam.
— Zac? — Ela lhe sussurrou o nome.
— Mmm?
— Quero que saiba que o considero um pai maravilhoso para Lynda.
Zac segurou a mão dela, apertando-a ligeiramente.
— Obrigado. Eu a amo como se fosse minha.
— Eu t... — Vanessa calou-se, o coração dando um pulo no peito por seu deslize.
Ficou agoniada esperando que Zac dissesse qualquer coisa. Mas a respiração dele estava amena, o peito se erguia a intervalos regulares, indicando que eleja dormia.
Vanessa se tranquilizou, percebendo que seu segredo ainda estava a salvo.
Mas desta vez fora por pouco.
Muito pouco.


Oiiii pessoal!!
Aqui está mais um capítulo pra vcs...
Como havia dito, estamos entrando na reta final da nossa fic...
E eu já abri as votações pra vocês escolherem a próxima 
fic okay!? As votações se encerraram no último capítulo
dia também que divulgarei oficialmente o nome e o site da 
próxima fic!!!
Para quem suspeitava q Vanessa estava grávida aqui está a 
resposta...
Obrigada pelos comentários meninas...
Beijoos até qlqr hora!!

3 comentários:

  1. Ah, ela não está grávida. Não sei se fico feliz ou triste. O Zac ainda não sabe da verdade e essa criança podia o irritar mais.
    Posta logo.
    Beijos.

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  2. Mds
    Eu estou amando cada vez mais a relação deles!!eles são mto fofos e o zac protegendo ela ainda mais!
    Amei :)

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  3. OMG capítulo mega perfeito
    amei ♥♥♥
    posta mais,kisses

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