sábado, 6 de dezembro de 2014

Capítulo 16

Depois de cuidar de Lynda, Vanessa a deixou aos cuidados de Lúcia e foi para o quarto que Paloma lhe preparara.
Era luxuosamente mobiliado, a cama imensa dominando o quarto com pilhas de travesseiros e almofadas coloridas, o chão forrado por tapetes caríssimos. Havia um grande armário, uma penteadeira e duas portas: uma para o banheiro, outra para a suíte de Zac. Vanessa desviou os olhos daquela porta e foi até a janela, vendo o majestoso Vesúvio. Uma leve brisa fazia as cortinas esvoaçarem, carregando o aroma das flores de laranjeira para o quarto.
Ouviu uma batida na porta de ligação entre os dois quartos. A garganta ficou seca quando Zac apareceu no quarto. Ele estava vestido formalmente, parecendo mais alto e autoritário em seu smoking, a camisa branca evidenciando a pele morena e os olhos escuros.
— Desculpe, não vou demorar. Só quis ver se Lynda estava bem acomodada primeiro. Espero por você no meu quarto. Bata na porta quando estiver pronta para descer. Eu a acompanharei para que aprenda a andar pela casa.
— Obrigada. — Esperou que ele saísse para se despir, desejando ter tempo para um banho, mas não queria aborrecer David atrasando-se para o jantar. Lavou-se na pia e colocou uma leve maquiagem, prendendo o cabelo num coque. O vestido pertencera a Stella e, mesmo justo, era elegante e simples, a gaze rosa criando contraste com sua pele clara.
Bateu de leve na porta e conteve o fôlego enquanto ouvia os passos de Zac se aproximando.
— Pronta? — ele perguntou, fitando-a com indisfarçável aprovação.
Ela deu um sorriso nervoso.
— Sim.
A sala de jantar era tão suntuosamente mobiliada quanto o resto da casa. Candelabros de cristal pendiam do teto, e as paredes estavam adornadas com caríssimas obras de arte e vários espelhos de moldura dourada, que tornavam a sala ainda mais ampla. A longa mesa de jantar estava posta para três pessoas, a louça disposta de maneira elegante, com um perfumado arranjo de rosas ao centro.
David, sentado à cabeceira, relanceou Vanessa assim que ela entrou na sala.
— Está atrasado, Zac — ele disse em italiano, em tom reprovador. —Ainda não ensinou sua esposa a ser pontual?
Zac puxou a cadeira para Vanessa enquanto olhava zangado para o pai.
— Não é culpa de Vanessa estarmos atrasados — respondeu também em italiano. — Tive que fazer várias ligações. Fui eu quem deixou Vanessa esperando.
Vanessa esperou Zac se sentar à sua frente antes de oferecer um olhar de agradecimento. Ele a encarou brevemente, uma sombra de espanto nos olhos.
David resmungou alguma coisa e tomou um grande gole de vinho tinto. Vanessa viu os olhos de Zac ir da taça na mão do pai ao jarro quase vazio.
— Sua casa é muito bonita, Signore Efron — ela disse para quebrar o desconfortável silêncio.
— Será de Lynda um dia — David respondeu em inglês, acenando para que o criado enchesse novamente o jarro. — A não ser que Zac tenha um filho. O que me diz, Zac? — Voltara a falar em italiano, acrescentando em tom de insulto: — Pode continuar de onde Dylan parou. Tenho certeza de que sua esposa não se importará, desde que a pague bem. Já abriu as pernas para vários outros, por que não faria o mesmo com você?
Vanessa respirou fundo, apertando as mãos sobre o colo, o rosto ficando vermelho de raiva.
— Gostaria que não a insultasse na minha presença, papai. Afinal, ela é a mãe de sua única neta e merece um pouco de respeito.
Os olhos de David chisparam de fúria.
— É por causa dela que seu irmão está morto! Ela tem que pagar!
— Como? — Zac perguntou calmamente. — Insultando-a sempre que tiver a chance? Fazendo com que se sinta culpada o tempo todo, como costuma fazer comigo?
David bateu o copo com tanto ímpeto sobre a mesa que até o candelabro retiniu junto com as outras taças dispostas ali. Encarou o filho, o rosto vermelho e os lábios brancos de tão apertados.
— É verdade, não é? — Zac continuou com o mesmo tom calmo. — Sempre me culpou pela morte de mamãe porque não quer admitir seu próprio papel naquilo tudo.
— Você estava atrasado! Você a matou por estar atrasado!
— Não, papai — Zac insistiu gentilmente. — Era você quem estava atrasado. Lembra o quanto tive que esperar até que aparecesse para assinar o resto daquela papelada? Você estava bebendo. Tive que esperar que ficasse sóbrio para que pudesse assinar o que era preciso.
Vanessa angustiou-se quando David engoliu o que ainda restava de vinho na taça, o queixo tremendo como se não pudesse controlar suas emoções.
— É mais fácil culpar os outros que enfrentar a dor da verdade. — Zac suspirou. — Talvez nós dois sejamos culpados. Não deveria ter acobertado sua bebedeira por tanto tempo, mas só queria proteger mamãe. As coisas seriam diferentes se eu soubesse o preço que teria de pagar pelo meu silêncio.
David afastou-se da mesa e gesticulou para que o criado o levasse embora.
Zac se levantou por respeito ao pai. Vanessa continuou sentada, a garganta embargada pelo sofrimento de Zac.
— Lamento que tenha testemunhado isso.
— Está tudo bem. — Ela fitava a mesa para não precisar encará-lo. — Eu compreendo... Não tem ideia do quanto compreendo.
Houve um longo silêncio.
Vanessa não conseguia pensar em nada que pudesse dizer para preencher o silêncio. Estava ciente do peso do olhar de Zac, como se ele tentasse resolver um enigma.
— Desde quando fala minha língua? — ele perguntou, fazendo com que Vanessa o encarasse espantada.
— Eu... eu estudei na escola e na universidade.
— E mesmo assim não achou necessário me informar disso?
— Tive meus motivos.
— Sim. — Zac parecia ressentido. — Poderia ouvir o que estava sendo dito sobre você para usar contra mim mais tarde. Há mais alguma coisa que tenha se esquecido de contar?
Vanessa baixou o olhar.
— Não.
Ouviu quando Zac se levantou e prendeu o fôlego quando ele ergueu seu queixo.
— Por que tenho a nítida impressão de que está mentindo para mim, Vanessa?
— E-eu não sei.
Zac lhe ergueu ainda mais o queixo, fazendo com que o fitasse nos olhos.
— Você é uma mulher intrigante, cara — murmurou, o polegar lhe acompanhando contorno dos lábios. — Que outros segredos estes olhos achocolatados escondem de mim?
— S-segredo nenhum. — A voz saía esganiçada. — Não tenho segredos.
O polegar continuou seu movimento até Vanessa não conseguir pensar direito. Zac fez com que ela se levantasse e, com as mãos na cintura dela, baixou a cabeça para beijá-la.
Vanessa suspirou quando as bocas se encontraram, todo o seu corpo cantando em júbilo por estar nos braços de Zac mais uma vez. Sentiu a invasão da língua e começou a derreter, as pernas fraquejando, agarrando-se a Zac para não cair.
As mãos dele vagaram até seus quadris, puxando-a ainda mais. Vanessa sentiu o volume a ereção e suspirou de prazer quando ele se pressionou contra ela.
Zac afastou-se dela, os olhos brilhando de desejo.
— Disse a mim mesmo que não a tocaria. Depois da noite passada...
A entrada dos criados trazendo o jantar os interrompeu. Vanessa sentou novamente e tomou um longo gole de água, e ficou aliviada quando o jantar terminou.
Tinham comido em silêncio, ocasionalmente fazendo um comentário ou outro sobre os pratos que eram servidos.
Zac veio puxar a cadeira para Vanessa levantar-se e a acompanhou até o andar de cima.
Ele lhe abriu a porta do quarto e a encarou com expressão insondável.
— Gostaria que considerasse a possibilidade de nosso casamento se tornar real.
Vanessa sentiu o coração acelerar no peito.
— Quero o melhor para Lynda e, apesar do que meu irmão contou, agora acredito em você também. Por isso acho que o ideal seria nos comportarmos como um casal normal. Não seria bom que Lynda crescesse com pais que brigam o tempo todo. — Zac sorriu ao prender uma mecha do cabelo dela atrás da orelha. — Você está cansada da viagem. Deixarei que durma em paz. Por enquanto.
Ela não queria dormir em paz! Queria dormir com ele, mas como poderia dizer isso sem revelar seus verdadeiros sentimentos?
— Vá, cara — ele disse, vendo que ela não se movia. — Estou tentando ser um cavalheiro, mas você não está tornando as coisas fáceis.
— N-não? — Ela umedeceu os lábios.
— Não mesmo. Basta olhar para você para que eu queira levá-la para a cama. Agora vá, enquanto ainda tenho forças para resistir.
Vanessa entrou, ouvindo a porta se fechar atrás de si.
Não sabia se gostava da ideia de Zac ser capaz de resistir a ela, especialmente quando não tinha a mesma força no que dizia respeito a ele. Mas Zac não estava apaixonado por ela, Vanessa lembrou-se com aflição. Ele a odiava, mesmo desejando-a. Decidira colocar o ódio de lado pelo bem de Lynda. Será que a odiaria ainda mais quando descobrisse quem ela realmente era?


Oiiii pessoal!!
Aqui está mais um capítulo pra vcs...
Como havia dito, estamos entrando na reta final da nossa fic...
E eu já abri as votações pra vocês escolherem a próxima 
fic okay!? As votações se encerraram no último capítulo
dia também que divulgarei oficialmente o nome e o site da 
próxima fic!!!
E sobre a Lúcia desconfiar ou não vocês descobriram logo
logo!! :D
Obrigada pelos comentários meninas...
Beijoos até qlqr hora!!

2 comentários:

  1. super ansiosa pelo próximo capítulo
    amei ♥♥♥
    posta mais,kisses

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  2. Mds q lindooos!!
    Acho q o zac n odeia mais a vanessa kkkkkk

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