terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Capítulo 12

Vanessa ficou contente pela ausência de Zac quando ela e Lynda se mudaram para a casa. Já bastava ter de lidar com uma governanta carrancuda, que parecia determinada a deixar Vanessa o mais desconfortável possível. Com Lynda, no entanto, a história era completamente diferente. Lúcia falava de forma amorosa e sorria para a menina com grande adoração, sempre tentando encontrar oportunidades para ficar com ela sozinha.
Vanessa tinha pedido uma licença no trabalho, sentindo-se surpresa pelo alívio de saber que Lynda não sofreria mais com o medo da separação. A menina já parecia mais feliz e, embora achasse que estava imaginando coisas, Vanessa se perguntava se Lynda não sabia intuitivamente que estava vivendo sob a proteção de seu amoroso tio. Tendo crescido sem pai, Vanessa sabia que Lynda fora abençoada por ter alguém tão forte e seguro como Zac para criá-la. Isso tornava seu sacrifício mais suportável; sua pequena sobrinha jamais conheceria a tristeza de não poder contar com os pais.
Num impulso que nem ela compreendia, Vanessa sacou suas economias para comprar um vestido de noiva e um véu. Já que não teria o casamento com o qual sonhara durante toda a vida, decidiu que se vestiria como uma verdadeira noiva, mesmo que o casamento não passasse de uma fraude.
Ficou rodopiando em frente ao espelho do provador da butique, a organiza flutuando ao redor dela. Lynda ria animada no carrinho.
— O que acha, Lynda? — perguntou, cobrindo o rosto com o véu. — Pareço uma noiva de verdade?
Lynda começou a chupar uma das mãozinhas, os olhinhos escuros procurando a tia por trás da nuvem de tecido.
— Achou! — Vanessa se agachou e afastou o véu para expor o rosto à sobrinha, que começou a rir novamente.
Sentiu uma onda de ternura ao ouvir aquele som alegre e, inclinando-se, beijou a cabeça do bebê, os olhos marejados de súbita emoção.
— Só espero que um dia se case com um homem pelas razões certas, Lynda. Com um homem que a ame de verdade, como toda mulher merece ser amada.
Levantou-se e, arrumando as saias volumosas, admirou seu reflexo no espelho. O branco do vestido realçava seus olhos achocolatados e parecia tornar sua pele aveludada. Sabia que não poderia ficar mais maravilhosa.
Pena que nada disso seria apreciado, pensou com um pequeno suspiro.
Vanessa estava colocando Lynda para dormir quando ouviu o som do carro de Zac.
Em menos de 24 horas seria sua esposa. Compartilharia de seu nome e de sua vida, mas não de sua cama.
Ouviu o som de seus passos pela escada de mármore enquanto se aproximava do quarto de bebê, onde Vanessa esperava Lynda cair no sono.
Zac a viu na penumbra.
— Olá.
— Oi.
Ela se afastou do berço para que ele pudesse ver a sobrinha.
Zac parecia cansado. Os olhos estavam ligeiramente vermelhos, como se não dormisse há dias, e o queixo parecia não ter visto um barbeador no dia anterior.
Queria correr os dedos pelo rosto dele e lhe sentir a aspereza dos pelos que cresciam. Queria pressionar os lábios contra a fina linha da boca, abrandá-la de desejo. Queria que ele se aproximasse dela e...
Pulou assustada com seus próprios pensamentos quando Zac se virou para ela.
— Algo errado?
— Não.
— Você parece... perturbada. Já se acostumou com a casa?
— Sim.
— Queria falar sobre a viagem à Itália — ele disse, adiantando-se e abrindo a porta do quarto para ela. — Eu a encontro no escritório em vinte minutos. Quero tomar um banho e me barbear primeiro.
Vanessa desceu a escada, levando consigo a babá eletrônica. Lúcia já tinha ido embora, por isso ela mesma arrumou uma bandeja com café e bolo e a levou para o escritório de Zac.
Ele logo apareceu, o cabelo escuro brilhando molhado, o rosto barbeado, o jeans e a camisa preta fazendo o coração de Vanessa acelerar.
— Como foi a viagem? — perguntou, concentrando-se na bandeja de café para disfarçar sua reação.
Zac aceitou a xícara que lhe era oferecida.
— Está ensaiando seu papel de esposa me servindo café e fazendo perguntas solícitas?
Vanessa afastou o olhar.
— Pense o que quiser. Só estava sendo educada.
— Não precisa se empenhar tentando ser educada comigo, Vanessa. Não combina com você. — Zac tomou um gole do café, mas quando viu a expressão magoada de Vanessa, imediatamente lamentou suas palavras cínicas. Largou o café e aproximou-se dela, levando uma de suas mãos aos lábios.
Ela ficou perplexa, o coração disparado.
— Por que fez isso?
— Não tenho certeza — ele respondeu em tom sério. — Para dizer a verdade, Vanessa, às vezes sinto que estou lidando com duas pessoas diferentes. — Ficou um instante em silêncio, os olhos fixos nos dela antes de acrescentar com certo divertimento: — Só me pergunto com qual delas estarei me casando amanhã.
Vanessa puxou a mão e decidiu colocar certa distância entre eles, tentando conter o pânico.
— Não sei por que diz isso. Fala como se eu sofresse de múltipla personalidade.
— Meu irmão contou muitas coisas sobre você, mas me sinto perdido porque não vejo evidência das coisas que tanto o incomodavam.
— Talvez eu tenha mudado — ela disse, evitando os olhos dele. — As pessoas mudam, sabia? Ter um filho é um evento capaz de mudar a vida de alguém.
— Sem dúvida, mas acho que há algo mais.
— O-o que quer dizer? — Ela o olhava com desconfiança, retorcendo as mãos.
Zac observava a mudança de emoções no rosto dela, a sombra de preocupação nos olhos e as marcas de ansiedade na testa. Pensara nela durante todo o tempo em que estivera fora, imaginando como seria dormir com ela, sentir seus cabelos escuros espalhados sobre o peito, as pernas entrelaças às dele, os corpos saciados. Era como se, sabendo que lhe era proibida, seu corpo a desejasse ardentemente.
Precisava odiá-la para mantê-la afastada, mas, apesar de seus esforços, o ódio estava sendo substituído por algo muito mais perigoso.
— É como se meu irmão estivesse falando de alguém completamente diferente. Nada parece se encaixar.
Vanessa não sabia o que responder. Pensou em dar uma das respostas típicas de Stella, mas não conseguiu formular nada.
— Não tem nada a dizer, Vanessa? — Zac perguntou depois de um longo silêncio.
Ela ergueu a cabeça, considerando que a melhor saída seria mudar de assunto.
— Você queria falar sobre a viagem. Quando partimos?
— No dia seguinte à cerimônia. Lúcia fará suas malas. Ela nos acompanhará para ajudar com Lynda. — Pegou a xícara abandonada e a encheu novamente de café. — Acho melhor avisar que meu pai não a receberá de braços abertos. É um homem doente que ainda está de luto. Tentarei protegê-la de qualquer ofensa, mas não posso garantir que as coisas serão fáceis.
— Compreendo.
— A cerimônia será amanhã às dez. Será algo discreto, como convém às circunstâncias.
Zac observou Vanessa se aproximar da porta, como se quisesse sair logo da presença dele. Pensou em chamá-la, mas desistiu. Já estava andando numa corda bamba e não demoraria a cair.

Olá pessoal!!
Aqui está mais um capítulo pra vcs...
No próximo capítulo Zac e Vanessa irão se casar...
O que será q acontecerá??
Obrigada pelos comentários girls...
Beijoos até qlqr hora!!

4 comentários:

  1. lindo lindo lindo... meu deus :) eles cada vez estao mais proximos :)

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  2. meu Deus,estou viciada nessa fic
    cada dia mais ansiosa para ler o próximo capítulo
    ♥♥♥
    posta mais e logo,kisses

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  3. Mdss
    Quero logo saber como vai ser esse casamento,e como a vanessa vai viajar se ela n é a mãe da linda??
    Mdss

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  4. Talvez depois do casamento ela confesse que não é a mãe da Lynda. Coitada da criança. Pobre Lynda!
    Posta logo.
    Beijos.

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