domingo, 30 de novembro de 2014

Capítulo 10

Assim que Vanessa percebeu que não havia mais qualquer sinal de machucado em Lynda, decidiu voltar ao trabalho. Contudo, no dia seguinte, quando pretendia deixar a creche, sua pequena sobrinha chorou desconsoladamente no colo da funcionária, os bracinhos esticados em sua direção.
— Não se preocupe, Srta. Hudgens — a mulher assegurou. — Ela vai se acalmar depois que você partir. É o que sempre acontece.
Vanessa mordeu o lábio, indecisa. O rostinho de Lynda estava vermelho, os olhinhos cheios de lágrimas, o pranto cada vez mais alto.
— Talvez fosse melhor ligar para o trabalho e dizer que não posso ir.
— Nada disso — disse a mulher. — Ela vai ficar bem. Eu a levarei para ver os brinquedos enquanto você sai. Pode ligar quando chegar ao trabalho, mas garanto que não há razão para preocupação. Vamos, Lynda — ela disse para a menina com um sorriso. — Vamos ver aqueles lindos ursinhos ali.
Vanessa ainda ouvia o choro de Lynda ao sair do prédio, o coração apertado ao ver o desespero da sobrinha por se imaginar abandonada. Percebeu novamente o quanto era importante protegê-la, pois era óbvio que a menina a considerava sua mãe. Se Zac descobrisse a verdade agora, Lynda sofreria muito, pois Vanessa tinha certeza de que ele a impediria de ver a criança.
A biblioteca ficava a poucas quadras dali, mas Vanessa caminhava arrastado, imaginando como as mães ao redor do mundo lidavam com o fato de deixar seus filhos aos cuidados de outros.
Amava seu trabalho, mas amava a sobrinha ainda mais. Se precisasse deixar o trabalho, engoliria o orgulho e aceitaria a mesada que Zac estabelecera no contrato pré-nupcial.
— Oi, Vanessa — Ashley Tisdale, uma das outras bibliotecárias, a cumprimentou assim que a viu. — Por onde esteve esses dias? Laura disse que você estava doente. Já se sente melhor?
Vanessa guardou a bolsa no armário dos funcionários para evitar o olhar indagador da amiga.
— Estou bem, só um pouco cansada. Foi uma semana daquelas.
— Não me diga que sua irmã andou lhe dando trabalho de novo. Não sei por que não a manda embora, não sei mesmo. Ela se aproveita demais de você, não é surpresa que fique doente. — Ashley contraiu os lábios, fechou a porta da sala e estendeu para Vanessa a nova edição de uma famosa revista de fofocas. — Já viu isso?
Vanessa engoliu em seco ao ver o artigo da revista. Havia uma fotografia da irmã em frente a um dos mais conhecidos hotéis de Los Angeles, num vestido que deixava pouco à imaginação, abraçada a dois famosos jogadores de futebol, ambos com reputação duvidosa quanto ao trato com as mulheres. A legenda dizia que, de acordo com fontes do hotel, Stella e seus dois companheiros tinham feito uma barulhenta "festinha" na noite da última sexta-feira.
— Oh, Deus! — Devolveu a revista enquanto se sentava. — Era justamente o que eu não precisava.
— Sente-se bem? — Ashley a olhava com preocupação.
— Tenho que contar uma coisa, mas precisa prometer que não vai contar isso para ninguém.
Ashley fingiu passar um zíper nos lábios.
— Boca fechada.
Enquanto Vanessa contava o que acontecera, o rosto de Ashley se enchia de espanto.
— Está doida? — Ashley se levantou, agitada. — No que está pensando? Esse Zac Efron vai te comer viva se descobrir! Você vai parar na cadeia!
— Que mais posso fazer? Lynda precisa de mim. Stella quer entregá-la à adoção, mas assim posso ficar com minha sobrinha e oferecer o amor que ela merece. É um preço pequeno a se pagar.
— Um preço pequeno? — Ashley estava atônita. — O que sabe deste homem?
Vanessa não pôde evitar um pequeno sorriso.
— Sei que adora Lynda, e ela o adora também.
— E você? — Ashley lhe endereçou outro olhar indagador. — O que ele sente a seu respeito? Também te adora?
— Não. — Vanessa baixou a cabeça.
Houve um pequeno silêncio. Vanessa ergueu a cabeça e viu que a amiga a fitava contemplativamente.
— Acho que comecei a entender. Está apaixonada por ele, não é?
— Como poderia me apaixonar por ele? — Vanessa desviou o olhar novamente. — Mal o conheço.
— Deve sentir alguma coisa por ele porque, conhecendo-a como conheço, nunca concordaria em se casar se ao menos não o respeitasse e admirasse um pouco.
Vanessa refletiu por um instante. Sim, respeitava Zac. Na verdade, se as circunstâncias fossem diferentes, ele era exatamente o tipo de homem pelo qual se apaixonaria. Zac tinha qualidades que ela admirava. Era leal, protetor e tinha um forte senso de família.
— Vamos, Vanessa — Ashley continuou. — Posso ver em seus olhos. Está praticamente caída por ele.
— Está imaginando coisas.
— Talvez, mas tomaria cuidado se fosse você — Ashley aconselhou. — Você não é durona como sua irmã. Vai acabar se machucando se não tomar cuidado.
— Sei o que estou fazendo. De qualquer forma, não tenho escolha. Amo Lynda e faria qualquer coisa para protegê-la.
— Parece que você e seu futuro marido têm muito em comum, não acha? — Ashley comentou ao abrir a porta. — Os dois querem a mesma coisa e estão dispostos a sacrifícios por isso.
Vanessa não respondeu. Começava a achar que fora um erro revelar o que estava acontecendo para Ashley. A amiga percebia coisas que a própria Vanessa se recusava a examinar de perto
Pegou o telefone e discou o número da creche para saber se a sobrinha estava bem, ficando aliviada ao saber que Lynda finalmente pegara no sono. Recolocou o fone no gancho e caminhou até o balcão, feliz por ter algo a fazer que não fosse pensar em Zac Efron.
Vanessa mal entrara em casa ao fim do dia quando o telefone tocou.
— Vanessa? — A voz da irmã soou. — É você?
— Quem mais seria? — Vanessa retrucou. Stella riu.
— Bem, por um minuto pensei que fosse eu. Vanessa rangeu os dentes.
— Isso é tão engraçado. Sabe que por causa de suas tolices estarei casada com o irmão de Dylan em poucos dias, não sabe?
— Sorte sua. Será mais do que bem recompensada. Um bilionário para chamar de seu.
— O dinheiro dele não representa nada para mim.
— Ótimo. Então não se importará de enviá-lo para mim.
— O quê? — Vanessa ficou tensa.
— Ora, Vanessa. Você ficará endinheirada. Falamos disso no outro dia, lembra? Quero que compartilhe de sua sorte comigo. Afinal, somos irmãs, irmãs gêmeas.
Vanessa respirou fundo.
— Não aceitarei o dinheiro dele.
— Não seja estúpida; ele está oferecendo o dinheiro para conseguir o casamento. Precisa aceitar.
— Não tenho intenção nenhuma de aceitar.
— Ouça. — A voz de Stella tornou-se firme - Se não aceitar o dinheiro, contarei quem você realmente é.
Vanessa engoliu em seco, os nós dos dedos ficando brancos de tanto apertar o fone.
— Não pode fazer isso. Ele tiraria Lynda de mim.
— Acha que me importo?
— Como pode ser tão insensível? — Vanessa berrou. — Você é a mãe dela!
— Se não aceitar o dinheiro e entregá-lo para mim, contarei como o enganou. Acho que Zac não vai aceitar bem a notícia.
Vanessa acreditava nisso, mas não estava preocupada consigo mesma. A questão era Lynda. Amava a sobrinha e não suportaria separar-se dela para sempre.
Pensou em contar a verdade a Zac antes que Stella tivesse a chance, mas sabia que seria inútil. Ele simplesmente tomaria a custódia de Lynda e sem dúvida ficaria aliviado por não ter de se casar com ela. Não teria consideração por seus sentimentos como tia da menina, mesmo que ela implorasse para fazer parte da vida de Lynda.
— Ainda não recebi nada — Vanessa disse. — O casamento é em alguns dias. Zac me disse que não terei mesada enquanto não assinarmos a certidão de casamento.
— Bem, assim que isso acontecer, quero que me mande o dinheiro. Todinho. Vou passar meus dados bancários.
Vanessa desligou o telefone minutos depois, enojada com os números anotados num pedaço de papel. A irmã acabara de vender a filha.


Olá pessoal!!
Aqui está mais um capítulo pra vcs...
Laura Fernanda S.M. Duarte vamos combinar sim!!
Obrigada pelos comentários girls...
Beijoos até qlqr hora!!

sábado, 29 de novembro de 2014

Capítulo 9

Vanessa demorou-se o quanto pôde com Lynda no banheiro. Precisava pensar. Tanta coisa estava acontecendo, e tão rápido, que não conseguia raciocinar.
Sentia-se uma idiota por não ter pensado que pessoas como a recepcionista de Zac já conheciam sua irmã. Sem dúvida encontraria outros. E o pequeno deslize com a mesada... Oh, Deus! Sentia medo só de pensar em ser desmascarada.
Não queria nem pensar na reação de Zac.
Zac deixou a janela quando ela voltou ao escritório. Apesar de querer manter a calma, Vanessa sentiu um frio no estômago diante da presença dele.
— Só agora percebi que Lynda deve estar precisando de muitas coisas, como roupas e brinquedos — ele disse, tomando cuidadosamente o bebê no colo. — Tenho tempo livre agora, então podemos fazer compras se quiser.
Vanessa não sabia o que responder. Lynda estava realmente precisando de roupas porque estava crescendo muito rápido, mas fazer compras com Zac como se fossem um casal normal...?
Fingiu arrumar a sacola de fraldas para evitar olhar diretamente para ele, pensando em alguma desculpa.
— Já que suas roupas são de grife, será que sua filha não merece o mesmo? — Havia um tom acusador na voz.
Vanessa estava tensa ao fechar a bolsa. Escolhera o que havia de mais conservador nas roupas deixadas por Stella, nunca imaginara que fosse algo de grife.
— Esta coisa velha? — resmungou, olhando a roupa com desdém.
Zac sorriu.
— Você deve vestir a roupa uma vez e atirá-la no fundo do guarda-roupa.
Vanessa quase riu da verdade contida naquelas palavras. Poderia ter comprado algo de grife para si mesma se ganhasse um dólar por cada peça de roupa que recolhia do chão depois das noitadas de Stella.
Jogou os cabelos para trás e sorriu maliciosamente.
— É minha culpa se me enjôo rápido?
 — Sabe de uma coisa, Vanessa Hudgens? — Ele lhe lançou um olhar incisivo. — Estou ficando ansioso para me casar só para lhe ensinar a se comportar. Você é a mulher mais fútil que já conheci. Será um grande prazer lhe dar uma lição que já deveria ter aprendido há muito tempo.
Vanessa fingiu tremer.
— Oh! Estou tão assustada, Sr. Efron. Os olhos dele brilharam de desprezo.
— Se eu não estivesse com Lynda no colo, começaria a lhe dar uma lição neste exato momento.
Os olhos de Vanessa faiscaram, presunçosos.
— Se encostar um dedo em mim, vai se arrepender.
— Valeria a pena, garanto — ele retrucou.
— Você acha? — Ela ergueu o queixo. — Seu irmão pensava assim também.
Vanessa sabia que só se salvara pelo fato de Lynda estar nos braços dele. As pequenas mãozinhas estavam agarradas à camisa branca, o rostinho concentrado em Zac, como se estivesse maravilhada.
A expressão do rosto dele revelava o quanto ele lutava para manter a calma.
O interfone sobre a escrivaninha quebrou o tenso silêncio.
— Sr. Efron? — A voz agradável de Selena invadiu a sala. — Seu pai na linha dois.
Zac devolveu Lynda para Vanessa sem a olhar nos olhos.
— Com licença. — Virou-se para atender ao telefone.
Vanessa pegava o canguru quando ouviu as primeiras palavras da conversa. Mesmo que Zac falasse sua língua nativa rapidamente, ela tinha estudado o suficiente para entender o ponto principal da conversa.
— Sim — Zac disse. — Encontrei uma solução. Casarei com ela no dia 15.
Vanessa não podia ouvir a resposta do pai, mas pôde imaginar a partir das respostas de Zac.
— Não, ela diz que não quer dinheiro ou qualquer um dos bens de Dylan... Acho que ela está tentando fingir que está mudada... Sim, providenciei uma mesada, mas duvido que isto baste por muito tempo... Sim, sei que ela é tudo que Dylan dizia ser... Eu sei, eu sei... é uma mulherzinha sem princípios...
Foi difícil para Vanessa esconder qualquer reação. Fumegava de raiva e, enquanto acomodava Lynda no canguru, prometeu vingar-se do insulto.
— Sim... eu sei, tomarei cuidado... -  Vanessa sorriu inocentemente ao se virar para ele.
— Então, onde faremos compras?
Pouco tempo depois, enquanto passavam por lojas de departamento e butiques exclusivas, Vanessa se perguntava se tinha caído numa espécie de sonho consumista. O cartão de crédito de Zac foi utilizado tantas vezes que deixou Vanessa abismada com a quantidade de dinheiro que Zac gastava comprando coisas e mais coisas para a sobrinha. Belas roupas, brinquedos caros, copos infantis para quando Lynda deixasse a mamadeira... Tudo para ser entregue no escritório dele.
Quando foi hora de Lynda comer, Zac sugeriu entrarem num café para que comessem algo enquanto cuidavam da menina.
Se não estivesse tão faminta, Vanessa teria recusado a sugestão. Não comera nada de manhã por causa da choradeira de Lynda, e seu estômago começava a reclamar.
Logo a mamadeira foi aquecida e entregue por uma jovem garçonete. Vanessa estava prestes a oferecer a mamadeira à sobrinha quando viu a maneira como Zac a olhava.
— Quer dar a mamadeira? — perguntou. Zac hesitou brevemente.
— Claro, por que não? — ele enfim respondeu. Ver como Zac segurava Lynda causou uma sensação estranha em Vanessa. Ela se remexeu na cadeira e olhou o cardápio que a garçonete deixara na mesa, mas as palavras pareciam borradas, pois seus pensamentos disparavam para todas as direções.
Zac cuidava da sobrinha com tanta tranquilidade que fez Vanessa imaginar se um dia ele desejara ter seus próprios filhos. Se fosse o caso, por que se prender a um casamento de conveniência?
Vanessa sabia que os italianos valorizavam muito a família. Mas se casar com uma estranha, mesmo sendo mãe de sua sobrinha, não era levar os deveres familiares longe demais?
Talvez ele anulasse o casamento no futuro e exigisse a custódia de Lynda. Era uma ideia inquietante, mas Vanessa não teria chances quando sua verdadeira identidade fosse descoberta. Seria considerada uma mentirosa, e nenhum juiz lhe concederia nem mesmo visitas à sobrinha.
A fome desapareceu subitamente. Vanessa afastou o cardápio, dando de ombros.
— Não está com fome? — Zac perguntou.
— Só quero um café. — Ela desviou o olhar.
— Preto.
A garçonete veio anotar o pedido, aproveitando para dar uma olhadinha no bebê que já tinha terminado sua mamadeira.
— Qual a idade dela? — a moça perguntou.
— Quatro meses — Vanessa respondeu.
A garçonete sorriu enquanto olhava do bebê para Zac.
— Ela se parece com pai, não?
Vanessa estava prestes a dizer que Zac não era o pai de Lynda, mas mudou de ideia no último minuto.
— Sim — respondeu, espantada por não ter percebido a semelhança antes.
A garçonete foi buscar o café, e Vanessa ficou observando Zac colocar Lynda para arrotar como se tivesse feito isso milhares de vezes.
— Nunca pensou em ter seus próprios filhos? — perguntou sem pensar.
A expressão de Zac revelava pouca coisa, mas Vanessa tinha certeza de ter visto uma ponta de arrependimento naqueles olhos azuis.
— Não. — Ele apoiou Lynda no outro ombro.
— Não planejava me casar e constituir família.
A resposta a deixou intrigada. Sabia da existência de vários solteirões declarados, mas Zac não parecia um deles.
— Este casamento foi ideia de seu pai? Zac firmou os olhos nos dela.
— Por que diz isso?
Vanessa brincava com a ponta da toalha de mesa, evitando os olhos dele.
— Um palpite, acho. Ouvi dizer que italianos se preocupam muito com crianças.
— Suponho que foi por isso que mandou aquela carta, para dar o golpe final — ele disse, inclinando-se sobre a mesa para que outras pessoas não ouvissem a acusação. — Não pensou no quanto estava magoando um idoso que mal consegue lidar com a própria dor?
Vanessa gostaria de poder contar a verdade. Ficava magoada por Zac pensar assim dela, quando na verdade a culpada era a irmã.
— Não. — Ela largou a ponta da toalha e ergueu os olhos. — Não, foi muito insensível de minha parte. Sinto muito.
A resposta pareceu surpreendê-lo. Até ela ficaria surpresa ouvindo uma coisa dessas saindo da boca de Stella. Não lembrava da irmã se desculpando por coisa alguma. "Sinto muito" não estava no vocabulário dela.
— Às vezes isso não basta — Zac disse, recostando-se novamente na cadeira, acomodando Lynda melhor no ombro. — Uma vez que o mal está feito, não há como voltar atrás.
Vanessa sentiu-se enjoada pela verdade daquela curta frase. Quanto estrago já não tinha causado com as mentiras que vinha contando por causa da irmã?
— Sim, eu sei. Acho que estava muito confusa na época... Mal sabia o que estava fazendo.
O silêncio era quebrado apenas pelos murmúrios de Lynda, que tinha descoberto o bolso da camisa de Zac, os dedinhos puxando o tecido com animação.
— Tentou pegar meu irmão numa armadilha, não foi? Usando o truque mais velho que existe.
Queria poder negar, mas isso seria outra mentira. A irmã decidira agarrar Dylan Efron de qualquer jeito. Vanessa ficara chocada quando Stella revelou o plano, comentado como estragara toda uma caixa de preservativos para engravidar como se tudo não passasse de um jogo. Vanessa ainda se sentia culpada por não ter conseguido convencer a irmã a desistir. Talvez se tivesse passado mais tempo com ela, se a tivesse aconselhado a pensar melhor nas conseqüências...
— Foi uma atitude impulsiva... — ela murmurou, olhos voltados para o chão. — Não tinha ideia de que tudo se voltaria... contra mim.
A resposta surpreendeu Zac novamente. Vanessa o fitou de relance e percebeu que o ar acusador tinha se suavizado um pouco.
— Poucos de nós passam pela vida sem arrependimentos.
Vanessa sorriu com tristeza.
— Não me diga que o grande Zac Efron admite ter cometido alguns erros?
Zac a fitou antes de se concentrar na criança quase adormecida em seus braços.
— Cometi alguns erros no passado, mas não pretendo repeti-los.
Vanessa se perguntava se as mágoas de um antigo relacionamento haviam feito com ele se tornasse cauteloso quanto a qualquer comprometimento emocional. Quanto mais pensava nisso, mais a ideia se tornava provável. Que maneira melhor de evitar qualquer envolvimento do que casando por conveniência, não por amor? Poderia se relacionar com quem quisesse sem a pressão de um compromisso formal já que ela seria sua esposa. Sua esposa...
Ficou em pânico ao pensar no que aquele relacionamento acarretaria. Mesmo que Zac tivesse declarado veementemente que o casamento não seria consumado, estariam vivendo sob o mesmo teto e certas intimidades seriam inevitáveis.
Podia imaginá-lo numa roupa menos formal, talvez enrolado numa toalha após o banho, expondo o corpo forte...
Vanessa afastou tais pensamentos da mente, o olhar culpado encontrando o olhar indagador de Zac.
— Algo errado?
— Não, claro que não.
— Você me parece estranha — ele comentou.
— Oh, sério? — Ela imitou um dos olhares mordazes de Stella. — E já me conhece tão bem depois de... — Conferiu a data no relógio. — Menos de uma semana?
— Já estou acostumado com tipos como você.
— Então basta conhecer uma para conhecer todas?
Zac sorriu cinicamente.
— Reconheço perigo quando o vejo.
— Perigo, é? — Ela sorriu com ar convencido. — Então me considera perigosa? O que o ameaça tanto? Meu sex appeal
A boca retesada mostrou que ela marcara mais um ponto. Era irônico que ele estivesse lutando conta a atração que sentia por uma mulher que fingia ser outra pessoa. Que chances teria de atraí-lo como Vanessa... a verdadeira Vanessa? A Vanessa sem má-reputação? A Vanessa sem roupas de grife? A Vanessa que corria o risco de se apaixonar por um homem que a desprezava.
— Seu ego deve ter sido bem amaciado ao longo dos anos, mas não me juntarei ao seu bando de ávidos admiradores. Se espera cumprimentos, terá de procurar em outro lugar.
Vanessa ergueu as sobrancelhas.
— Mas você me acha atraente, não é? Vamos, admita.
— Mulheres como você se acham irresistíveis, mas permita-me dizer que você não é. Acha que me deixo encantar por seios fartos e olhos sedutores?
Vanessa fingiu confiança.
— Posso sentir seu interesse daqui — ela murmurou. — Aposto que se eu colocasse a mão por baixo da mesa e examinasse a evidência por mim mesma, você estaria em sérias dificuldades.
Os olhos dele eram provocadores, abalando Vanessa por inteiro, mas ela não recuaria. Sustentou-lhe o olhar com um desafio do qual não se julgava capaz.
Mesmo que Zac tentasse disfarçar, Vanessa notou como ele se remexeu na cadeira, como se temesse que ela fizesse exatamente o que disse que faria. Sua mente começou a vagar.... Como seria sentir sua ereção? Ele estremeceria ao toque de seus dedos? Gemeria de prazer? — É hora de irmos. — Zac já estava de pé ao falar.
Lynda resmungou com o súbito movimento, mas logo se aninhou novamente no peito do tio, os olhinhos se fechando, os dedinhos ainda agarrados ao bolso da camisa.
Vanessa não se levantou com tanta pressa, demorando-se para pegar a sacola de fraldas e a própria bolsa.
— Acha melhor colocá-la no canguru? — perguntou a Zac
Zac olhou a menininha e meneou a cabeça. — Não. Eu a levo. — Olhou a conta deixada pela garçonete e acrescentou: — Nós precisamos comprar mais alguma coisa?
Foi o "nós" que mexeu com ela. Vendo-o com Lynda no colo, não pôde deixar de lamentar as circunstâncias. Como as coisas teriam sido diferentes se tivessem se conhecido sem o peso da inconseqüência de seus irmãos. Talvez descobrissem que tinham muitas coisas em comum. Ele era o tipo de homem confiável, qualquer um notava isso, e ela... Bem, não era a farrista que ele acreditava ser. Se ele ao menos soubesse!
— Não. — Evitou os olhos dele para que não visse o brilho das lágrimas. — Acho que já temos o bastante. — Colocou as bolsas no ombro e o seguiu de cabeça baixa.
As ruas da cidade estavam tão cheias que tornavam qualquer conversa difícil e desnecessária. Vanessa estava feliz pelo recolhimento. A culpa a dominava. Deveria ter sido mais firme com Stella, insistido para que assumisse suas responsabilidades. Mas desde quando Stella assumia qualquer responsabilidade? Sua política era trocar um desastre por outro, deixando que a irmã gêmea remendasse os pedaços deixados para trás. Vanessa fizera o mesmo com a mãe, assumindo responsabilidades na tentativa de garantir certa segurança para todas. E de nada adiantara, pensou com tristeza. A mãe continuou bebendo e cavando o próprio túmulo, não havia nada que Vanessa pudesse fazer para impedi-la.
Zac apertou o botão de pedestres e deu uma olhada na figura silenciosa ao seu lado enquanto esperava que a luz do semáforo mudasse.
— Ficou tão quieta de repente.
Vanessa escondeu sua angústia e exibiu um sorriso vazio.
— Só estou cansada. — Bocejou longamente. — Lynda me acordou cedo. — Forçou outro sorriso. — Crianças: quem em sã consciência as teria?
Zac foi poupado de responder pela mudança no sinal. Estava claro que dinheiro era a preocupação principal de Vanessa, que tratou de ficar grávida do homem mais rico que encontrou. Mas ainda era um mistério que ela não tivesse pedido uma montanha de dinheiro quando ele propôs casamento. Esperava que Vanessa pedisse milhões, mesmo assim parecia ter ficado surpresa com o valor da mesada. Fingir desinteresse pelos bens de Dylan não seria apenas uma maneira de fazer com que acreditasse que estava mudada?
Sabia que Vanessa só representava problemas. Ela tinha o terrível hábito de misturar sedução e inocência, como se quisesse confundi-lo. Se Dylan não tivesse dito o quanto ela era manipuladora, teria acreditado estar lidando com outra pessoa.
Deu uma olhada nela, percebendo o quanto parecia ansiosa.
Zac suspirou. Casar-se seria a parte fácil; contudo, se não fosse cuidadoso, seria difícil manter as mãos longe dela.


Olá pessoal!!
Aqui está mais um capítulo pra vcs...
Laura Fernanda S.M. Duarte não é de minha autoria a fic não
só estou adaptando a história para Zanessa!! Mandarei sim um email a vc!
Obrigada pelos comentários girls...
Beijoos até qlqr hora!!

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Capítulo 8

Algo dentro dela decidiu naquele instante que não ficaria recebendo ordens na frente de funcionários, ainda mais na frente da bela recepcionista que a encarava desde o instante em que chegaram.
— Olá. — Vanessa estendeu a mão sobre o balcão.
— Sou Vanessa, noiva de Zac. E esta é Lynda. É sobrinha de Zac, sabia? Filha de Dylan.
A recepcionista evitou a mão de Vanessa, como se tocá-la fosse queimá-la.
— Eu... eu pensei que seu nome fosse Stella — a jovem conseguiu falar enfim. — Não lembra? — Fitava Vanessa de maneira acusadora. — Já nos vimos antes.
Vanessa não tinha pensado na possibilidade de sua irmã já ter visitado o lugar.
Ficou levemente corada enquanto pensava numa desculpa que justificasse não ter reconhecido a recepcionista, mas seu cérebro não parecia funcionar.
— Foi quando Zac estava na Itália, em setembro — a recepcionista continuou, o tom reprovador.
— Dylan estava em reunião, mas você insistiu em vê-lo.
Vanessa sabia que Zac prestava atenção em cada palavra, por isso precisava encontrar uma solução que não denunciasse seu disfarce.
Contou rapidamente os meses e concluiu que Stella viera procurar Dylan em estado avançado de gravidez, provavelmente numa última tentativa de convencê-lo a aceitar a criança.
Baixou a cabeça num gesto de arrependimento, a mão acariciando a cabecinha de Lynda.
— Sim... Bem, eu estava fora de mim... Hormônios, você sabe...
A recepcionista olhou para o bebê, a expressão severa se suavizando imediatamente.
— Ela se parece bastante com Dylan, não é? Vanessa apenas assentiu.
— Não atenderei ligações no momento, Selena — Zac disse, a voz autoritária interrompendo aquele princípio de conversa. — Vamos, cara. Temos assuntos a tratar.
Cara? Vanessa disfarçou o espanto bem a tempo. Não sabia como lidaria com aquela maneira carinhosa de falar. Era como se o relacionamento estivesse passando para outro nível, um nível com o qual não tinha qualquer experiência.
Seguiu Zac pelo espaçoso saguão onde outras caríssimas obras de artes estavam expostas, cada uma delas lembrando-a da quantidade de dinheiro que Zac dispunha para tomar a custódia de Lynda.
— Aqui. — Zac abriu a porta para ela. — Sente-se. Irei chamar Christopher.
Vanessa puxou uma das cadeiras de veludo para sentar-se e, acomodando Lynda numa posição mais confortável, começou a olhar ao redor.
O escritório era imenso. Havia estantes com livros ao longo de duas paredes, os grossos volumes exibindo grande variedade de assuntos. A menos que servissem apenas de decoração, o que Vanessa duvidava, eles indicavam que Zac era um homem que lia bastante, pois além dos esperados termos sobre finanças e direito, havia alguns bestsellers e alguns dos clássicos que ela amava.
Era estranho saber que haviam lido os mesmos livros. Era como se isso estabelecesse uma ligação que não sabia se gostaria de ter.
A porta se abriu e um homem de aproximadamente 35 anos entrou com uma pasta debaixo do braço. Zac entrou logo atrás dele, uma de suas expressões indecifráveis no rosto.
— Cara, este é Christopher French. Christopher, esta é minha noiva, Vanessa Hudgens.
Vanessa fez menção de levantar-se, mas Christopher logo fez um gesto para que ela continuasse sentada por causa do bebê. Ele meneou a cabeça ao olhar para a menina adormecida, os olhos brilhando.
— Que pequeno tesouro. Tenho duas filhas. São minha vida e minha tortura diária. — Sorriu para Vanessa.
Ela esboçou um sorriso.
— Não é fácil ser pai.
— Não, mas o trabalho vale a pena, garanto.
Vanessa conseguiu forçar um sorriso. Tinha lembranças de cenas parecidas entre Stella e a mãe, mas nenhuma delas era agradável.
Christopher abria a pasta sobre a escrivaninha e olhava para Zac.
— Redigi os documentos da maneira que você sugeriu, mas não seria melhor explicar tudo para Vanessa primeiro?
— Explique, então. — O tom de Zac beirava o desinteresse.
Vanessa ficou envergonhada. Não entendia de termos legais e temia não saber o que estava assinando.
— Como quiser. — Christopher entregou o documento a Vanessa. — Não se perturbe com todos estes termos legais, Vanessa. Isto só declara que, em caso de divórcio, você aceita um pagamento razoável em vez de uma divisão dos bens de Zac.
Vanessa tentou ler o texto complicado, mas nada fazia sentido. Procurou pelo nome de Lynda, caçando alguma cláusula que Zac pudesse ter incluído para tomar a criança caso o casamento terminasse, mas não encontrou nada.
— Esta parte aqui declara que você receberá uma mesada durante o casamento. — Chris apontou uma seção relevante.
Vanessa viu a quantia estipulada ali e engoliu em seco.
— Isto me parece um pouco... exagerado. — Ergueu a cabeça e viu que Zac a fitava de maneira estranha. Concentrou-se no documento novamente, o coração disparado no peito. Zac não era idiota. Se começasse a desconfiar, estaria perdida...
— Se puder assinar aqui. — Chris indicou uma linha pontilhada. — E aqui. — Virou a página para que Vanessa a assinasse. — Pronto, isto é tudo. — Recolocou o documento na pasta e voltou-se para Zac, que estava apoiado no arquivo atrás da escrivaninha, os olhos fixos em Vanessa.
— Posso oferecer meus sinceros cumprimentos pelo casamento? — Chris disse. — Sei que é uma época triste, mas muita alegria pode vir daí. — Ele limpou a garganta discretamente e acrescentou: — Como está seu pai, Zac? Zac se afastou do arquivo.
— Está... suportando. Chris ofereceu sua simpatia.
— Um golpe tão terrível, logo após a morte de sua mãe.
— Sim.
Para Vanessa, a resposta monossilábica era significativa. Mesmo mostrando pouca emoção no rosto, algo na voz sugeria que Zac era um homem que estava sofrendo muito. Isso fazia com que o visse sob nova perspectiva. Não tanto como um empresário que queria conquistar o mundo, mas como um homem que sentia necessidade de proteger seus entes queridos.
Seria um pai maravilhoso para Lynda.
O pensamento se infiltrou em sua mente e, uma vez lá, não deixou que Vanessa pensasse em mais nada. Via Zac com Lynda em seu primeiro natal, seu primeiro dente, seus primeiros passos, seu primeiro dia na escola... seu primeiro namorado...
— O que acha, Vanessa? Vanessa encarou Zac, confusa.
— O quê?
— Chris sugeriu que fizéssemos um documento referente a Lynda. Os bens de Dylan agora pertencem a ela, mas enquanto não completar idade adequada...
Vanessa se levantou, agitada, segurando Lynda contra o peito para não perturbar seu sono.
— Já falei que não estou interessada nos bens de Dylan.
Zac lhe lançou um olhar de advertência, mas era tarde demais. Chris já vira a troca de olhares e tomou a liberdade de tirar as próprias conclusões.
— Cuidarei dos documentos necessários — informou a Zac em tom reservado enquanto rumava para a porta. — Mais uma vez, desejo felicidades.
— Obrigado — Zac disse e, voltando-se para Vanessa com a sobrancelha erguida, disse: — Vanessa?
Ela exibiu um pálido sorriso.
— Obrigada por me explicar tudo, Sr. French.
— Não há de quê. — Chris estendeu a mão e apertou a dela com firmeza. — Você não se parece em nada com o que imaginei, se me permite dizer.
— Não? — O estômago de Vanessa se revirava. Será que Stella também o conhecera?
— Não — Chris disse. — Mas sabe como são as colunas de fofoca; inventam qualquer coisa para vender revistas.
O coração de Vanessa afundou no peito. Sentia-se desconfortável, torturando-se com as imagens da irmã se exibindo em várias boates de Los Angeles para conseguir uma foto em alguma página de revista.
Baixou o olhar para a menina em seu colo e assumiu uma postura séria.
— Isso tudo ficou para trás. Sou uma outra pessoa.
— Eu a parabenizo por isso — Chris respondeu. — Criar uma criança é uma experiência que leva ao amadurecimento. Você tem família?
Vanessa meneou a cabeça, evitando os olhos dele.
— Não, nenhuma família. Meu pai morreu quando eu era bebê, e minha mãe morreu há três anos.
Zac franziu a testa ao ouvir a conversa entre seu advogado e a futura esposa. Percebeu que pouco sabia sobre Vanessa e suas origens. Sabia como era terrível perder um familiar, por isso algo dentro dele se abrandou um pouco. Sim, Vanessa era uma oportunista... mas era óbvio que amava Lynda, fato que ainda o surpreendia.
O advogado saiu, e Lynda começou a choramingar. Vanessa a tirou do carregador e, pegando a sacola de fraldas, fitou Zac, que estava parado em silêncio atrás da escrivaninha.
— Acho que preciso trocar a fralda dela — Vanessa disse.
— Quer que eu troque? — Zac se ofereceu. Vanessa o encarou horrorizada. Como poderia deixar que ele visse as marcas no corpinho de Lynda?
— Não.
Zac pareceu ficar ofendido. Queria ser pai de Lynda, um pai participativo, que alimentaria e trocaria a fralda de um bebê sem se afastar de nojo como certos homens faziam. Mas enquanto as marcas não sumissem, Vanessa não teria escolha senão mantê-lo longe de Lynda.
— O banheiro é na segunda porta — ele disse, saindo de trás da escrivaninha. — Tem tudo o que precisa?
Vanessa o encarou de maneira arrogante.
— Já fiz isso antes, sabia?
Zac não respondeu, mas segurou a porta enquanto ela passava de cabeça erguida. Observou-a caminhar pelo corredor, Lynda apoiada no quadril, as mãozinhas da menina enterradas nos longos cabelos achocolatados.
Seus dedos queriam fazer o mesmo, ver se eram tão sedosos quanto pareciam. Praguejando silenciosamente, Zac enfiou as mãos nos bolsos das calças e voltou para a escrivaninha.
Ignorou a cadeira e ficou olhando pela janela, como já fizera milhares de vezes, mas desta vez não via a cidade.
Só conseguia ver um par de olhos achocolatados.


Olá pessoal!!
Aqui está, finalmente, o casamento
de Zanessa!!
Obrigada pelos comentários girls...
Beijoos até qlqr hora.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Capítulo 7

No dia seguinte, Vanessa ligou para a biblioteca dizendo estar doente para que pudesse arranjar uma creche para Lynda. Como não possuía carro, estava limitada a uma creche particular cujas taxas eram extorsivas.
Não teve notícias de Zac nos dois dias seguintes. Tudo parecia tão irreal que Vanessa às vezes se perguntava se não tinha imaginado coisas. Contudo, no terceiro dia, ela recebeu uma carta informando que a cerimônia de casamento seria realizada em 15 de julho.
Sentiu um calafrio. Parecia não haver saída. Teria de casar com Zac para ficar com Lynda.
Ficava aterrorizada só de pensar que teria de fingir ser a irmã por meses, talvez anos, mas não tinha alternativa. Incrível que umas poucas palavras ficassem entre ela e sua liberdade. Se dissesse: "Não sou mãe de Lynda", não haveria casamento.
Cinco palavras que a deixariam livre, mas que lhe roubariam a sobrinha... para sempre.
Como esperava, Stella não fizera mais contato. Vanessa tinha tentado o celular, mas as inúmeras mensagens de texto continuavam sem resposta.
Largou a carta para dar atenção aos choros de Lynda, evitando pensar que se casaria com um homem que a odiava muito.
Quando voltava à pequena sala de estar com Lynda no colo, o telefone tocou e Vanessa correu para atender.
— Vanessa. — A voz profunda de Zac soou ao seu ouvido. — É Zac.
— Que Zac? — Estava novamente com a personalidade de Stella, como se ouvir a voz macia ligasse um interruptor às suas costas.
Ouviu Zac respirar fundo e se parabenizou mentalmente por ganhar aquela pequena batalha, mesmo sabendo que o mais provável era Zac ganhar a guerra no fim.
— Tenho certeza de que sua reputação faz com que alguns nomes se repitam em sua lista — ele comentou insolentemente.
— Nem queira saber — ela respondeu.
— Recebeu minha carta?
 — Deixe-me ver... — Remexeu a pequena pilha de contas reunidas sobre a mesa apenas para irritá-lo. — Ah, aqui está. É um contrato pré-nupcial, não?
— Pensou que me casaria sem me proteger?
— Isso depende de que tipo de proteção está falando.
— É um acordo comercial, Vanessa. Nada mais.
— Por mim está tudo bem. Desde que você não volte atrás com suas palavras. Como garantir que posso confiar em você?
Houve um tenso instante de silêncio. Vanessa o imaginou rangendo os dentes no esforço de manter certa educação.
— Receberá sua mesada assim que estivermos casados, nem um segundo antes — ele afirmou enfim.
— Não confia em mim, Sr. Efron? — Imitava o jeito da irmã com satisfação. — Está com medo de ser enganado?
— Gostaria muito que tentasse — ele a desafiou. — Acho que não preciso lhe alertar das consequências caso isso não passe de fingimento seu.
Vanessa estremeceu ao pensar na ironia daquela frase. O fingimento já não fizera com que cavasse a própria cova?
— A propósito, já que vamos nos casar em questão de dias, seria inapropriado continuar me chamando pelo sobrenome.
— Zachary — ela sussurrou o nome sedutoramente.
— É de origem francesa, como minha mãe.
— Fala francês tão bem quanto italiano?
— Sim, e várias outras línguas.
Vanessa estava impressionada, mas não admitiria.
— E você? — ele perguntou logo em seguida.
— Eu? — Ela bufou. — De jeito nenhum! Inglês é a língua universal, não entendo por que as pessoas se preocupam em ficar falando outros idiomas.
Vanessa era razoavelmente fluente tanto em francês quanto em italiano, mas preferiu não revelar. Havia estudado idiomas na escola e na faculdade, adquirindo bom nível de proficiência. Mas agora era conveniente que Zac a considerasse uma completa cabeça-de-vento que não tinha nada melhor a fazer senão se enfeitar para preencher o tempo.
— O advogado virá ao meu escritório para que assinemos o contrato pré-nupcial. Você precisa trazer sua certidão de nascimento para que eu possa dar entrada na licença de casamento. Pode ser amanhã às dez?
O coração de Vanessa disparou de apreensão. Tinha conseguido se passar pela irmã, mas agora começaria a assinar documentos na presença de um advogado. E se a mandassem para a prisão? O que aconteceria com Lynda? A sorte era ter dito seu nome verdadeiro porque, sendo a gêmea mais velha, só seu nome aparecia na certidão de nascimento, como era a prática na época. Mas e se vissem a certidão de nascimento de Lynda? Era o nome de Stella que estava impresso lá. Como conseguiria explicar aquilo?
— Vanessa? — A voz profunda interrompeu o instante de pânico.
— Desculpe. — Ela ajeitou a sobrinha no colo.
— Lynda estava escorregando.
— Está com ela no colo?
Lynda deu um murmúrio animado, como se estivesse respondendo ao tio.
— Sim — disse Vanessa, sorrindo para a sobrinha.
— Eu ia colocá-la para dormir quando você ligou.
— Como ela está?
— Está bem.
— Ela acorda muito à noite?
— Poucas vezes. Mas logo dorme outra vez.
— Diga-me, Vanessa. — Havia um tom indefinível em sua voz. — Você gosta de ser mãe?
Vanessa não hesitou em responder.
— Claro que sim.
Houve um estranho silêncio.
Ela se perguntava se deveria ter sido tão honesta. Stella provavelmente responderia de maneira completamente diferente; talvez ele estivesse confuso com a súbita mudança de personalidade.
— Você não me parece ser do tipo maternal. — A voz estava repleta de escárnio.
— Então como lhe pareço, Zac? — Vanessa respondeu com voz sedutora, querendo consertar sua falha.
Sentado em seu escritório, Zac suspirou, ignorando a pergunta.
— Irei buscá-la amanhã às nove e meia.
— Você tem assento infantil no carro?
Zac franziu a testa. Não tinha pensado nestes detalhes.
— Mandarei instalarem um hoje.
— Não irei com você se seu carro não estiver adaptado para transportar uma criança. Não é seguro. Zac suspirou irritado.
— Mandarei instalar o assento, nem que seja a última coisa que eu faça, certo?
— Ótimo. Então posso confiar em você? Zac fechou os olhos e contou até dez.
— Zac?
Ele abriu os olhos ao ouvir seu nome. Vanessa tinha uma voz tão suave...
— Sim... — Ele limpou a garganta. — Pode confiar em mim.
— Então até amanhã.
— Sim. — Zac começou a se sentir sufocado com a gravata. — Até amanhã.
Quando a campainha soou às nove e meia no dia seguinte, Lynda ainda chorava, o que fazia desde cinco da manhã.
Vanessa estava ficando desesperada. Acariciava de leve as costas de Lynda ao atender à porta, o cabelo caído sobre os ombros e os olhos fundos por ter dormido pouco.
Quando viu a figura imponente de Zac Efron parada ali, quis chorar feito a menininha em seu colo.
— Ela está doente? — Zac perguntou enquanto entrava.
Vanessa afastou o cabelo do rosto, sentindo-se angustiada.
— Não sei. Ela está assim desde quando acordou. Zac pegou a menina, colocando a palma da mão sobre a testa dela para ver a temperatura.
— Não está muito quente. Ela comeu? Vanessa meneou a cabeça.
— Já ofereci três ou quatro vezes, mas ela continua rejeitando.
— Talvez seja melhor levá-la ao médico — Zac sugeriu. — Quem costuma examiná-la?
Vanessa ficou muda. Não sabia onde Lynda era levada para os check-ups mensais, considerando-se que Stella fizesse tal coisa.
— Eu...
Zac a fitou de maneira acusadora.
— Você já a levou ao médico, não?
— Eu...
Ele bufou, furioso.
— É uma criança pequena — ralhou. — Precisa tomar vacinas e verificar o peso regularmente para garantir um crescimento adequado.
— Ela é muito saudável — Vanessa disse, afligindo-se quando Lynda recomeçou a chorar.
Zac ergueu uma sobrancelha. Vanessa mordeu o lábio.
— Talvez sejam os dentinhos.
— Qual a idade dela? Quatro meses? Não é um pouco cedo?
— Não sei! Nunca... — Deteve-se antes de terminar a frase. Quase dissera não saber nada sobre bebês! O que Zac pensaria dela?
Ele afagava as costas de Lynda. Depois de um tempo o choro se transformou num leve soluçar e, em seguida, os olhinhos dela já se fechavam.
Vanessa não deixou de admirar a habilidade de Zac. Estava há horas tentando acalmar o bebê sem qualquer sucesso. Parte dela se ressentia do fato. A outra parte o admirava secretamente.
— Vá se arrumar — Zac disse baixinho para não acordar a menina. — Ainda temos tempo, mas o trânsito a esta hora do dia é sempre uma incógnita.
Vanessa foi para o quarto e fechou a porta suavemente. Examinou o conteúdo de seu armário com desânimo. A maioria das roupas era conservadora ou ultrapassada. Seu trabalho como bibliotecária não exigia nada sofisticado, e como frequentemente precisava quitar os débitos da irmã, não comprava nada novo para si mesma há muito tempo. Possuía muitos jeans, na maioria peças descartadas por Stella, e uma coleção de blusas, também de Stella, muito reveladoras.
No fim, optou por uma das roupas de Stella. Fingia ser a irmã, então devia vestir-se como ela, mesmo que repugnada por exibir tanto de seu corpo, especialmente para alguém como Zac Efron.
Tudo nele a perturbava. Seus modos tinham um ar masculinamente ameaçador. Embora soubesse que, no fundo, Zac era movido pelos mesmos motivos que ela, não podia deixar de ficar agitada em sua presença. Provavelmente por sua falta de experiência com homens; não sabia lidar com alguém tão forte, tão no controle, tão obstinado.
Suspirou enquanto alisava o vestido justo. Quem dera se passar pela irmã fosse tão fácil quanto vestir aquela roupa. Pegou um cardigã de caxemira, colocou-o casualmente sobre os ombros e voltou para onde Zac a esperava.
Ele estava de pé com Lynda nos braços, as linhas sérias do rosto suavizadas enquanto olhava para a menina adormecida.
Vanessa respirou fundo ao ver a cena. Era óbvio que ele adorava a sobrinha e faria qualquer coisa para protegê-la, mesmo casar com uma mulher que odiava.
Seguiram até o escritório de Zac em silêncio, e Vanessa sentia-se imensamente agradecida por isso. Lynda finalmente tomara uma mamadeira e caíra no sono logo depois de ser acomodada no assento infantil instalado no carro. Zac estava concentrado no trânsito intenso da manhã.
Vanessa imaginava o que estava por vir. O que ele teria dito ao advogado sobre o casamento? Deveria fingir que eram como qualquer outro casal?
Cinco palavras, lembrou-se. Cinco palavras e tudo estaria terminado.
Assim que chegaram ao estacionamento abaixo do prédio do escritório, Vanessa saiu do carro e começou a ajustar o carregador de bebê ao peito, os dedos tremendo ao lidar com a fivela.
Zac lhe entregou Lynda, ajudando a colocar as perninhas da menina nos lugares devidos. Vanessa sentiu a mão dele roçar seu seio esquerdo e pulou como se tivesse sido tocada por ferro em brasa.
Os olhares se encontraram, o dele cheio de antipatia.
— Melhor não fazer qualquer demonstração de aversão ao meu toque enquanto estivermos na presença do advogado. Ele acha que este é um casamento normal, e prefiro que ele continue a pensar assim.
Os olhos de Vanessa flamejaram enquanto ela arrumava as tiras do carregador sobre os ombros.
— Não é exatamente normal forçar alguém ao casamento.
Zac ativou o alarme do carro antes de responder:
— Você será mais do que recompensada por seu empenho.
— O fato de estarmos assinando um pacto pré-nupcial não causará suspeitas?
— Pactos pré-nupciais são comuns hoje em dia. Além disso, tenho que proteger acionistas e investidores, inclusive meu pai, que começou este negócio do nada. Não deixarei que uma mulher ambiciosa pegue metade de tudo que tanto trabalhamos para conquistar caso o casamento chegue ao fim.
Embora Vanessa soubesse que ele estava sendo razoável, sentia-se magoada. Queria que ele pudesse enxergar a verdadeira pessoa por trás daquele tênue disfarce, uma mulher que se importava profundamente com a sobrinha, tanto que estava disposta a se casar com um completo estranho.
Ficou calada e o acompanhou para dentro do elevador. Sentia um aperto no peito. As pernas começaram a ficar moles. A mente era uma contusão de pensamentos desordenados: queria fugir, queria contar a verdade...
Tivera sorte até o momento. Zac não pedira a certidão de nascimento de Lynda, mas isto não demoraria a acontecer, principalmente porque ele pretendia adotá-la. Ele queria que o pai conhecesse a única neta, o que significava viajar até a Itália. Seria legal levar Lynda para fora do país? E se alguém pedisse a certidão de Lynda e descobrisse que ela não era a mãe?
Percebendo que Zac a fitava, apressou-se em esconder sua inquietação com um sorriso vago.
— Do que está rindo? — Zac a encarava com desprezo. — Da rapidez com que gastará sua mesada?
— Isso depende de quão generoso você será. Zac revirou os olhos e apertou o botão do elevador novamente, como se isso acelerasse a subida.
— Ainda não estamos casados, então é melhor não contar com um dinheiro que ainda nem recebeu — ele resmungou.
As portas do elevador se abriram e Vanessa o seguiu até seus escritórios.
Saber o quanto o irritava lhe dava uma agradável sensação de poder.
A recepção do império bancário de Zac não deixava dúvidas quanto aos lucros da empresa. Vanessa olhou para uma pintura na parede da sala de espera, arregalando os olhos ao perceber que era um autêntico Renoir.
— Sr. Efron — a recepcionista murmurou para o patrão. — O Sr. French está esperando na ante-sala de seu escritório.
— Siga-me — Zac disse para Vanessa por cima do ombro.


Olá pessoal!!
Mais um capítulo pra vocês,
espero q estejam gostando!!
Obrigada pelos comentários
beijooos e até qlqr hora!!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Capítulo 6

E daí? — Ela reassumiu o tom casual. — Ele poderia ter dito não.
— Poucos homens diriam não a tão grande tentação — respondeu, o olhar vagando sobre ela novamente.
Vanessa inclinou a cabeça de maneira provocante.
— Então se admite tentado?
Zac se aproximou dela, a expressão cheia de ódio.
Os olhos a fulminavam, como se ele mal pudesse controlar a própria raiva.
— Pode ter o corpo de uma deusa e o rosto de um anjo, mas não a tocaria nem que minha vida dependesse disso — ele afirmou.
Tendo seu orgulho feminino insultado, Vanessa ergueu mais o queixo, os olhos emitindo um desafio imprudente. Como ele ousava repudiá-la com tanta presunção?
— Quer apostar, garotão? É mais fácil falar do que fazer.
Zac apertou tanto a boca que os lábios ficaram quase brancos. Vanessa percebia que tinha exagerado, mas era tarde demais para recuar.
— Muito bem. Aceito a aposta. Se durante o casamento eu a tocar de maneira que não seja fortuita, você ganha. Dobrarei sua mesada na hora.
Vanessa percebeu que Stella teria perguntado quanto ele pretendia lhe dar.
— E... quanto pretende me pagar?
— Muito mais do que você vale, garanto.
Os olhos dela brilharam de ódio ao ouvir a ofensa. Sentia a raiva se espalhando por cada célula de seu corpo.
— É o que veremos — disse no tom confiante de Stella, o sorriso sedutor escondendo o quanto seus dentes rangiam.
O pequeno sorriso que surgiu nos lábios dele era uma mistura de zombaria e desafio.
— Vá em frente, Srta. Hudgens. Faça-me perder. Antes que Vanessa pudesse pensar numa resposta,
Zac abriu a porta e saiu.
Ela ficou olhando para a porta, completamente em pânico, a cabeça doendo, as pernas tremendo ao pensar no que tinha feito
Apoiou-se no braço do velho sofá, o cérebro tentando encontrar uma maneira de escapar daquela situação.
Se Stella não reaparecesse, Vanessa teria de manter a farsa enquanto fosse necessário. Que escolha tinha? Lynda precisava dela. Não podia desapontá-la.
Duas semanas...
Estremeceu ao pensar em Zac. Ele era a personificação da crueldade e do poder; estava acostumado a pagar para que os obstáculos fossem removidos de seu caminho.
Vanessa assustou-se quando o telefone tocou na mesinha ao lado. Esticou a mão e levou o fone ao ouvido.
— Vanessa? — A voz de Stella ecoava. — Pensei em dar uma ligada. Ficarei em Cingapura por algumas horas enquanto o avião é reabastecido.
— Tem ideia do que fez? — Vanessa exclamou, agarrando o fone com as duas mãos.
— Sei que não me aprova por abandonar Lynda. Mas, francamente, não me importa. Quero...
— Quer calar a boca e me ouvir? — Vanessa rebateu. — Como pôde fazer aquilo com sua própria filha? Além de abandoná-la, você a machucou!
O tom de Stella ficou mais duro.
— Olha, ela não parava de chorar depois que você saiu. Isso me deixou louca!
Vanessa ficou enjoada por descobrir que aquela violência tinha acontecido debaixo de seu próprio teto.
— Ela é uma criança indefesa. Você já foi assim; não se lembra de como é ser tão vulnerável?
— Não me lembro de nada, então desista, viu? Vanessa suspirou frustrada. Sua irmã ficava desmemoriada quando lhe convinha. Não havia como mudar os hábitos de toda uma vida. Só lhe restava fazer o possível para impedir que os sofrimentos de sua infância se repetissem com Lynda.
— Alguma notícia da família de Dylan? — Stella perguntou com a mesma casualidade com que perguntaria sobre o tempo.
— Ele veio aqui — Vanessa disse entre os dentes.
— Quem?
— Você sabe quem! — Vanessa quase gritava. — O próprio Zac Efron.
— Imaginei que isso aconteceria.
— Como pode ser tão displicente? — Vanessa berrou. — Ele acha que eu sou você!
Stella ria.
— Verdade? Que engraçado!
— Pois adivinhe... Eu não estou rindo! É melhor você voltar o quanto antes para resolver isso.
— Não vou voltar. Alex está esperando por mim em Melbourne. Por que não diz logo quem você é e acaba com o problema?
Vanessa bufou.
— Por que ele quer Lynda, é por isso.
— Agora? — O tom meloso de Stella irritava Vanessa. — Então a foto cumpriu seu papel.
— Do que está falando?
Vanessa ouviu o som das longas unhas postiças da irmã batendo contra alguma superfície, como se ela estivesse planejando algo.
— Ele terá que pagar, lógico, mas é o melhor lugar para ela. Imagine o quanto será rica quando crescer, toda uma família de banqueiros bilionários para a qual pedir alguns empréstimos.
— Não acredito na sua falta de sentimentos — Vanessa a reprovava. — Sabe o que ele pretende fazer?
— O quê? — Stella soava desinteressada.
— Ele está me obrigando... obrigando você... a se casar com ele, o que terei de fazer porque você fugiu e ele não sabe, e estou atolada em mentiras, não sei se consigo levar a farsa adiante porque não sei como lidar com homens como Zac Efron e ainda preciso trabalhar e arranjar uma creche e...
— Nossa! Devagar! Não entendi nada depois da parte do casamento. Como assim ele quer casar com você?
— Comigo não... com você! Ele acha que está me forçando a um casamento de conveniência.
— Conveniência?
— Ele quer adotar Lynda e está disposto a casar comigo... com você... para conseguir.
— E você concordou? — Stella parecia surpresa.
— Ele não me deixou muita escolha — Vanessa respondeu ressentida. — Ele ameaçou expô-la como mãe incompetente. A maneira como você machucou Lynda já seria evidência suficiente. Foi pura sorte ele não ter notado...
— Quanto ele está te pagando?
Vanessa rangeu os dentes pela total falta de remorso da irmã. Como Stella podia ficar mais preocupada com o dinheiro do que com a própria filha?
— Mesmo que eu passe fome, não aceitarei o dinheiro dele. Ele acha que pode me comprar, mas um playboy mimado...
— Diga que mudou de ideia — Stella a interrompeu. — Diga que quer dez milhões.
— Dez milhões? — Vanessa gritou. — Eu não...
— Não seja idiota. Ele é bilionário, Vanessa. Pode pedir o valor que quiser. Ele pagará.
— De jeito nenhum. Está ideia de casamento já é bem ruim. — Suspirou antes de continuar: — Além disso, fico doente só de pensar no que ele fará quando descobrir que está lidando com a pessoa errada.
— Não conte nada.
— O quê? — Vanessa gritou. — Espera que eu continue com esta farsa?
— Você quer Lynda, não quer? Esta é sua chance de ficar com ela. Na verdade, podemos agarrar algo grande se você usar as cartas certas.
Vanessa ignorou o tom ambicioso da irmã gêmea.
— O que quer dizer?
Stella deu uma risadinha que a deixou inquieta.
— Está prestes a se casar com um bilionário. Terá muito dinheiro nas mãos, montes e montes de dinheiro. Andei verificando e descobri que Alex não está no mesmo patamar de Zac. Mas podemos resolver isso assim que você se casar.
Vanessa livrou-se do nó na garganta.
— Stella, não posso me casar com Zac Efron! Seria ilegal!
— Quem vai saber? — Stella respondeu animada. — Não contei a Dylan que tinha uma irmã gêmea, então Zac dificilmente descobrirá. Só se você contar ou se ele nos vir juntas, o que será difícil já que estarei do outro lado do globo. Não, quanto mais penso, melhor me parece a ideia. Nós duas temos a ganhar. Você fica com Lynda e eu recebo uma renda regular do seu marido ricaço.
Vanessa entrou em pânico.
— Stella, não faça isso comigo. Não posso casar com um homem que odeia o próprio ar que eu respiro!
— Ele não te odeia, odeia a mim — Stella apontou. — De qualquer forma, talvez ele comece a gostar de você quando a conhecer melhor. Mas você precisaria usar um pouco de maquiagem e vestir outra coisa que não seja um agasalho disforme.
— Não tenho como pagar pelos retalhos de pano que você costuma usar — Vanessa debochou.
— Ora, Vanessa. Pense bem. É uma chance única. Você sempre quis casar e ter filhos. Do que está reclamando?
— Eu gostaria de escolher o noivo, é disso que estou reclamando! E eu queria um casamento na igreja, não um arranjo obscuro no cartório.
— Você é uma romântica incorrigível. Acha que um casamento dura mais se for realizado na igreja? Ora... Acorde para o mundo real, Vanessa. Casar com um bilionário deveria compensar o vestido e a bênção do padre.
— Mas não compensa. Quero mais da vida do que um marido rico.
— Você poderia passar o resto da vida procurando amor e, a exemplo de nossa mãe, jamais encontrar. Seu eu fosse você, agarraria esta chance com as duas mãos.
— Mas eu não sou você, sou? — Vanessa retrucou com frieza.
— Não. — Havia um tom de divertimento na voz de Stella. — Mas Zac Efron não sabe disso, sabe?


Olá meninaas :D
Aqui está um novo capítulo pra vcs...
Obrigada pelos comentários
Beijooos até qlqr hora!!

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Capítulo 5

Zac ria por dentro diante da exibição de autoconfiança. Ela era exatamente como Dylan descrevera: agora uma menina amuada, uma ninfa furiosa no instante seguinte. Era uma combinação inebriante, precisava admitir, mas se Dylan não conseguira conter o desejo, por mais breve que tivesse sido o caso, Zac sabia que não corria o risco de perder o controle. Vanessa Hudgens era o exato oposto do que procurava numa companheira.
Odiava mulheres que não tinham nada melhor a fazer do que se enfeitar na esperança de atrair um marido rico. Vivera cercado delas na maior parte da vida.
A Srta. Hudgens estava se iludindo se achava que ele sucumbiria ao seu charme.
— Não sou como meu irmão, Srta. Hudgens — informou com frieza. — Meus gostos são mais refinados.
Vanessa queria arrancar aquele sorriso afetado do rosto dele, mas sabia que provavelmente sofreria consequências desagradáveis. Cerrou os punhos e o encarou.
— Posso fazê-lo engolir estas palavras. Notei como me olha desde que abri aquela porta.
— Admito que estava intrigado por saber o que levou meu irmão a ser tão incauto. — Os olhos se demoraram nos seios dela. — Mas garanto que não tenho apetite por mulheres vazias como você.
Vanessa recobrou o controle com dificuldade.
— Suponho que o arranjo que propôs o deixa livre para se envolver com quem quiser, quando quiser.
— Prometo ser discreto.
— E eu? Posso me favorecer deste arranjo também?
Zac não respondeu de imediato, mas Vanessa quase podia ouvir o cérebro dele remoendo a questão.
— Não.
— Não?
Ele meneou a cabeça lentamente.
— Claro que não.
— Não pode estar falando sério. — Ela ergueu as sobrancelhas novamente.
— Incrivelmente sério. — Zac respondeu, cruzando os braços.
— Espera que eu concorde? O que ganho com um acordo desses?
— Ficará com sua filha e ganhará de brinde um marido rico.
Vanessa bufou ultrajada.
— Pensei que homens como você tivessem morrido junto com os dinossauros. Acho que me enganei. Como andam as coisas no Planeta Chauvinismo ultimamente?
— Não sou chauvinista por natureza, mas um pouco de celibato fará com que se concentre nas suas responsabilidades como mãe.
Vanessa deixou escapar uma risada irônica. Diferente da irmã, que tinha perdido a virgindade aos 14 anos, Vanessa era tecnicamente virgem. Tecnicamente porque acreditava que toda mulher moderna tinha o direito de explorar o próprio corpo e descobrir como ele funcionava, embora ainda se perguntasse o motivo para tanto estardalhaço. Concluíra que era uma daquelas raras mulheres com pouco impulso sexual. Mas não era por isso que deixaria que Zac conseguisse as coisas ao seu modo. Ele já a considerava uma verdadeira prostituta, e um pedacinho dela se divertia por encorajá-lo a continuar pensando assim.
— Acha engraçada a perspectiva de agir com responsabilidade? — A voz estava repleta de desprezo:
Vanessa enrolou uma mecha de cabelo no dedo enquanto imitava outra das poses sedutoras da irmã.
— Você me faz rir, Sr. Efron. Essa conversa de celibato é hilária.
A raiva tomou brevemente o rosto dele. Vanessa viu que Zac cerrava os punhos, como se para não agarrá-la.
Uma estranha sensação lhe surgiu entre as coxas ao pensar naquele homem tocando-a. Começou a imaginar a sensação da boca firme e reprovadora contra a sua, a língua arrogante duelando com a dela. Sentiu os seios formigando e, quase sem perceber, umedeceu de leve os lábios.
Zac sentiu um súbito desejo. Tentou controlá-lo, aborrecido por não ser capaz de resistir a Vanessa, que lhe afetava profundamente. Ela realmente exalava sensualidade, os olhos achocolatados e a boca carnuda fazendo sua pele se arrepiar.
Decidiu fazer um acordo com ela, mesmo que isso fosse como dar um tiro no próprio pé.
— Como você não parece disposta a concordar com meus termos, farei uma pequena concessão. Pelo período de um mês após o casamento, nós dois ficaremos em celibato. Que tal?
Ela fez beicinho, como se considerasse a ideia.
— Um mês? Huumm... Acho que consigo.
Zac ficou carrancudo, e Vanessa exibiu outro sorriso sexy.
— Não mais do que isso, senão ficarei louca. Mas pelo que ouvi falar de você... — Ela o examinou dos pés à cabeça, como se o despisse de cada peça — ...talvez sinta o mesmo.
— Creio que posso me controlar.
— Então devo presumir que não tem nenhuma amante no momento? — Ela lhe lançou um olhar sedutor.
— Não estou íntimo de ninguém atualmente. Vanessa não pôde deixar de imaginar como devia ser bom estar íntima dele. Zac era estonteante, mesmo que admitir isso a aborrecesse. Era inacreditavelmente bonito, os hipnotizantes olhos azuis prometiam paixão. A boca revelava desprezo no momento, mas não duvidava do quanto seria persuasiva caso Zac a beijasse.
Um gritinho de protesto veio do carrinho quando Lynda subitamente se remexeu em seu sono.
Zac olhou para o carrinho, a voz baixa cheia de preocupação.
— Ela está bem?
Exibindo um olhar de "olha só o que você fez", Vanessa foi acalmar a sobrinha. O choramingo parou assim que ela tocou as perninhas de Lynda, os afagos fazendo a menina voltar a dormir em poucos minutos.
Vanessa sabia que Zac a observava a distância, sem dúvida avaliando suas habilidades maternais.
Assim que o bebê adormeceu completamente, Vanessa encarou Zac com a maior tranqüilidade possível.
— Disse que quer casar em duas semanas. Por que a pressa?
— Meu pai está em estágio terminal. Ele deseja ver a neta antes de morrer.
— Duas semanas é um curto espaço de tempo. — Vanessa mordeu o lábio disfarçadamente.
— Cuidarei de todos os detalhes. Você só precisa aparecer no cartório.
Vanessa sabia que era patético sentir-se desapontada, mas se o destino a forçasse a continuar com a farsa, seu sonho de casar-se num belo vestido branco estaria perdido para sempre.
— E o vestido? — perguntou, tentando não pensar nos motivos que levavam Zac Efron a casar-se com ela.
— Não me importa o que irá vestir. No entanto, acho que seria muito impróprio de sua parte vestir branco. — Zac relanceou o carrinho. — Não concorda?
Ela sustentou o olhar dele o quanto pôde.
— Gosto de usar branco. Cai bem em mim. Zac estava certo de que ela ficaria deslumbrante até vestida de freira.
— Vista o que quiser; a cerimônia só dura alguns minutos mesmo. Meu advogado cuidará dos papéis. — Dirigiu-se à porta, lançando a Vanessa um olhar de advertência. — Lembre que se quebrar o acordo, não terei outra escolha senão tirar Lynda permanentemente de sua custódia. Não pense que não posso fazer isso, pois garanto que posso. E o farei se necessário.
Vanessa gostaria de revidar a ameaça, mas era desolador pensar na perda da sobrinha. Bastaria Zac ver as marcas no peito de Lynda para que tudo acabasse agora mesmo.
Só esperava que, com o tempo, Zac percebesse o quanto ela amava a menina. Mas o que ele faria se descobrisse a verdade?
— Não quebrarei o acordo.
— Imagino que não. — Os olhos dele exibiam cautela. — E, claro, lhe darei uma mesada enquanto durar nosso casamento.
Vanessa ficou tensa, não conseguia encontrar a voz.
— Pergunto-me o que fará com tanto dinheiro para gastar — ele comentou em tom de insulto.
Vanessa deu de ombros, como a irmã costumava fazer.
— Compras, compras e mais compras, provavelmente.
Os lábios de Zac exibiam desagrado.
— Já trabalhou alguma vez na vida?
— Trabalhar? — Ela torceu o nariz repugnada. — Por que trabalhar se posso me divertir?
— Você me enoja. Mal acredito que conseguiu afastar meu irmão de Lily. Ela adiou o casamento por sua causa. Se não fosse você, Dylan...
— É típico culpar a amante — Vanessa retrucou furiosa em favor da irmã. — Ele não era obrigado a dormir comigo; poderia ter dito não.
— Você o perseguiu por meses. Dylan me contou como você era insistente, como foi impossível mantê-la afastada.
— Pois ele se divertiu bastante. Aposto que você se divertiria também.
— Sinto desapontá-la, mas isso não acontecerá. Conhece as regras. Se andar fora da linha, usarei todas as armas ao meu dispor.
Vanessa podia bem acreditar. Zac devia ter cartas na manga. Só teria duas semanas para pensar numa saída, e se esforçaria ao máximo, pois estava ficando bem claro que seu oponente tinha a vantagem.
— Seus parentes estarão presentes na cerimônia? — ela perguntou na tentativa de esconder a inquietação.
— Não, meu pai não pode viajar, e minha mãe... — Ele hesitou antes de continuar: — Ela morreu anos atrás.
Vanessa não deixou de sentir certa compaixão pelo pai dele, que sofrerá um golpe duplo ao perder o filho e a esposa. Zac devia estar sofrendo muito também, por isso a raiva que sentia diminuiu um pouco.
— Deve ter sido muito difícil para todos vocês — disse gentilmente.
Zac a encarou com desgosto.
— Como ousa demonstrar simpatia? Se não fosse você, meu irmão estaria vivo!
Vanessa ficou estarrecida. Isto estava se tornando um pesadelo. O que ele estava insinuando?
— É uma acusação muito grave — ela conseguiu dizer. — Que provas você têm?
— Você foi a última pessoa a ver Dylan antes que ele fosse buscar Lily no aeroporto.
Vanessa desconhecia este pequeno detalhe.
— E daí? — Tentou soar despreocupada, embora seu estômago estivesse se revirando de consternação.
— Era compreensível que Lily ainda estivesse perturbada. Queria adiar o casamento, mas Dylan garantiu que o caso de vocês tinha terminado. Ela sabia do bebê, que foi motivo de grande desentendimento entre eles. Lily temia que isso voltasse a aproximar vocês dois. Ela não morreu na hora, ainda teve chance de me contar que Dylan estava muito agitado, certamente por causa da sua visita na noite anterior. Ele não conseguiu dormir depois de ouvir suas exigências descabidas, estava completamente desconcentrado. Um caminhão ultrapassou o sinal vermelho, e Dylan não conseguiu reagir a tempo de evitar a colisão.
— E a culpa é minha? — Vanessa perguntou. — Eu não estava dirigindo o caminhão!
— Mas é como se você estivesse. Dylan estava profundamente envergonhado por ter se envolvido com você. Isso quase destruiu seu relacionamento com Lily.
— Ele deveria ter pensado nas conseqüências antes de me assediar — ela retrucou.
— Não está invertendo as coisas? — Zac perguntou com um lampejo nos olhos. — Não era Dylan quem estava nu na cama do hotel naquela primeira noite... Era você.
Vanessa tentou disfarçar o espanto. Desconhecia muita coisa e, quanto mais se envolvia na farsa, mais difícil se tornava manter o disfarce. Stella não lhe contara praticamente nada, o que significava que teria de mentir para escapar daquele campo minado.


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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Capítulo 4

Vanessa pressionou os lábios ao ver o quanto ele lutava para manter as emoções sob controle. Podia notar isso na voz, na postura rígida, no brilho úmido dos olhos.
Não esperava deparar-se com sentimentos tão profundos e envergonhou-se por julgá-lo tão mal. Aliás, Zac perdera o irmão sob trágicas circunstâncias. Mesmo que Stella tivesse muitos defeitos, Vanessa ficaria muito abalada se estivesse na mesma situação.
— Sinto muito. — A voz saiu desigual. Ele contorceu os lábios.
— Mesmo?
Vanessa não respondeu, seguiu até o carrinho junto à única janela. Sentia a presença de Zac atrás de si ao afastar as mantas de Lynda para que ele pudesse ver seu rostinho.
Zac se aproximou, o braço roçando no dela ao se abaixar para ver a filha de seu irmão. Ele ficou muito tempo sem falar. O silêncio era tão grande que Vanessa podia ouvir a respiração controlada de Zac, na tentativa de dominar a emoção por ver a sobrinha pela primeira vez.
— Posso segurá-la?
Era como se o coração de Vanessa tivesse dado uma cambalhota. E se ele segurasse Lynda da maneira errada e ela chorasse?
— Bem... não creio...
— Por favor. — O tom entusiasmado chamou a atenção de Vanessa. — Gostaria de segurar a filha de meu irmão. Ela é tudo que restou dele.
Vanessa ergueu a menina adormecida, embalando-a gentilmente antes de entregá-la a Zac.
Viu milhares de emoções passarem pelo rosto bonito quando ele apoiou o pequeno embrulhinho no peito largo, o olhar pensativo ao admirar a perfeição do rosto sereno de Lynda.
— Ela é... linda. — A voz estava rouca.
Vanessa teve dificuldades em evitar a emoção na própria voz.
— É sim.
Os olhos de Zac encontraram os dela rapidamente.
— Como ela se chama? Vanessa baixou um pouco o olhar.
— Lynda.
— Lynda — ele repetiu, como se o experimentasse. — Combina com ela.
Vanessa se surpreendeu ao ver a facilidade com que Zac segurava o bebê, uma das mãos a ampará-la enquanto a outra lhe explorava as feições, como se ele estivesse completamente maravilhado.
— Ela tem nome do meio?
— Taylor — Vanessa respondeu.
Ficara emocionada quando Stella contou os nomes escolhidos. Por um instante teve esperanças de que a irmã finalmente iria assumir suas responsabilidades. Mas, poucas semanas depois do nascimento de Lynda, Stella voltou a frequentar festas e beber, deixando a criança com Vanessa com uma frequência tão grande que Lynda começou a chorar sempre que Stella se aproximava dela, como se pressentisse sua completa inadequação para a maternidade.
Vanessa sentia-se desconfortável com o pesado silêncio. Zac ainda segurava Lynda, o olhar fixo no rostinho da criança.
Resolveu dizer a primeira coisa que lhe veio à cabeça.
— Ela se parece com Dylan, não acha?
Zac a encarou, a expressão obscurecendo instantaneamente. Vanessa pensou que ele concordaria com ela, mas Zac simplesmente voltou a admirar a criança em seus braços.
— Ele a viu alguma vez?
— Não.
Vanessa ficara furiosa quando Stella contou que Dylan não queria ver o bebê. Não deixava de pensar que isso explicava por que a irmã nunca se sentira ligada à filha. Durante toda a gravidez, Stella nutrira esperanças de que Dylan se apaixonaria pela filhinha assim que a visse, assegurando-lhe um futuro seguro ao torná-la sua esposa. Quando ele se recusou a fazer o teste de paternidade, Stella entrou em depressão profunda e em seguida se entregou despreocupadamente à uma rotina de diversão.
— Não — Vanessa repetiu, a voz carregada de amargura. — Acho que estava muito ocupado cuidando do casamento.
Zac não respondeu, mas Vanessa pôde ver como ele parecia aborrecido.
Observou-o recolocar a menina no carrinho, o toque firme e gentil ao acomodá-la.
Sob seu olhar penetrante, Vanessa achou difícil encará-lo sem pensar na maneira como o estava enganando. Subitamente lhe ocorreu que estava brincando com algo perigoso. Não havia uma lei contra usurpação de personalidade? Zac Efron não era idiota. Se descobrisse que fora enganado, ela sofreria graves conseqüências.
— Srta. Hudgens. — A voz profunda atraiu o olhar dela novamente.
— S-sim? — Vanessa umedeceu os lábios, pressentindo as intenções dele, todos os seus instintos avisando-lhe que não gostaria nada do que estava por vir.
— Quero ver minha sobrinha com frequência e, mesmo compreendendo sua aversão a tal arranjo, conseguirei isso através da justiça caso não queira cooperar.
— Sou mãe dela. Nenhum juiz nos Estados Unidos a tiraria de minha custódia.
— Acha que não? — Zac sorriu. — E se eu contasse a eles sobre seu casinho com certo político poucas semanas depois de dar à luz?
Que caso? Que político? O que Stella andara aprontando?
Zac parecia ter visto uma ponta de medo no rosto dela, pois acrescentou em tom deliberadamente calmo:
— Vê, Srta. Hudgens? Pretendo usar tudo que tenho contra você para conseguir o que quero. Ouvi dizer que tentou extorquir dinheiro do pobre coitado quando ele decidiu interromper o relacionamento. Teve sorte de seu caso não ter atraído a atenção da imprensa, mas bastaria uma palavra minha e... — Ele fez uma breve pausa para causar efeito. — Já sabe o resto.
Vanessa respirou fundo, sentindo o pavor espalhando-se pelo corpo.
— O que quer dizer exatamente?
Zac esperou um pouco antes de responder. Antes de ver a menina — e bastou uma olhada para saber que era mesmo filha de Dylan —, só tinha pensado em oferecer uma enorme quantia de dinheiro à mulher e levar o bebê. Mas vendo a maneira amorosa de Vanessa com Lynda, duvidou estar fazendo o melhor por sua sobrinha ao separá-la da mãe. Precisava ter certeza de que Vanessa era incapaz de criá-la. Isso se realmente conseguisse tomar a sobrinha, levando em conta a carta que o pai escrevera rejeitando o bebê. Vanessa tinha uma arma poderosa nas mãos caso decidisse usá-la.
Isso só lhe deixava com uma alternativa.
Zac encarou Vanessa com determinação.
— Quero reclamar a filha de meu irmão como minha.
— Não pode fazer isso! Ela não lhe pertence. Pertence a... a mim.
— Sabe que posso fazer isso.
— Como?
Vanessa nunca deveria ter perguntado. Os olhos azuis procuraram os dela. Uma ponta de medo começava a atormentar Vanessa.
— Quero a menina e farei de tudo para consegui-la, mesmo que tenha de me prender a você.
Vanessa ficou atônita, imaginando se teria compreendido mal a afirmação.
— Prender-se? O que quer dizer com prender-se? A boca dele se curvou num sorriso que não chegou exatamente aos olhos.
— Meu irmão não quis se casar com você, mas não tenho tais receios. Será minha esposa em duas semanas, ou garanto que jamais verá sua filha novamente. — Manteve-se sério, sabendo que seu blefe era convincente.
Vanessa demorou a recuperar a voz, a cabeça pesando com uma mistura de espanto e afronta.
— Acha mesmo que serei coagida desta maneira? — retrucou indignada.
— Estou contando com isso. Dylan me disse que seu principal objetivo na vida era agarrar um marido rico. Então aqui estou, pronto para o papel.
Vanessa pensou em revelar a verdade, contar que era a irmã gêmea de Stella, mas o ar de arrogância de Zac a fez mudar de ideia no último minuto. Não entregaria a sobrinha sem lutar, mesmo que isso lhe custasse a liberdade.
— É de se esperar que um playboy mimado como você pense que pode conseguir tudo o que quer.
— Eu a pagarei generosamente, claro — Zac disse, os olhos escuros a observá-la atentamente. — Quanto quer?
Vanessa sabia que Stella pediria uma quantia exorbitante, mas algo a impediu de levar aquela farsa tão longe. Aceitar aquela espécie de suborno só lhe traria mais problemas.
Além disso, a pequena Lynda dormia a menos de um metro de distância, o corpinho bem machucado. Tivera sorte desta vez, mas se ele olhasse por baixo do macacão...
Erguendo o queixo, Vanessa cruzou os braços e informou com involuntária ironia:
— Se pensa que pode me comprar, está muito enganado.
Os olhos dele relancearam os seios apertados sob os braços cruzados, demorando-se a fitar o rosto dela novamente.
Vanessa se enfurecia com aquela avaliação, perguntando-se como o comportamento da irmã a colocara naquela cilada. Sabia que deveria direcionar sua raiva a Stella, mas aquele homem a irritava profundamente.
— Já disse que não quero seu dinheiro. Eu me sentiria suja aceitando qualquer coisa de você.
— Boa tentativa, Srta. Hudgens. Sei o que está fazendo. Está querendo fingir que não é a mulher ambiciosa que seduziu meu irmão, mas posso ver além de sua encenação. Não pense que pode me enganar tão fácil. Já tomei uma decisão. E você fará o que eu disser, aceitando pagamento ou não.
Vanessa fez o que pôde para esconder o quanto a afirmação a afetava, a mente trabalhando desesperadamente, pensando numa saída para aquela farsa. Deus, mataria Stella por isso! Não podiam obrigá-la a casar só para ficar com a sobrinha. Mas o que mais poderia fazer? Stella não era uma mãe adequada, e Zac parecia ter evidências suficientes para comprovar o fato.
— Preciso de algum tempo para pensar. — Sentia-se um pouco irritada por soar tão parecida com Stella, mas persistiu. — Gostaria de analisar bem todos os ângulos antes de me comprometer.
— Não vim negociar, Srta. Hudgens — ele disse de modo intratável. — Vim para assumir o papel de pai de Lynda e pretendo fazer isso o mais breve possível.
Vanessa estava ficando mais alarmada. Havia um ar intransigente na voz que sugeria que Zac estava acostumado a conseguir as coisas ao seu modo.
Conte a verdade, ela repetia mentalmente. Conte quem você realmente é. Mas as palavras estavam presas em algum lugar dentro do peito, onde o coração já se apertava só de pensar em nunca mais ver Lynda.
Tentou raciocinar com clareza, mas era difícil com Zac observando cada nuance de emoção em seu rosto.
E se aceitasse as exigências dele por enquanto? Ele dissera duas semanas. Certamente pensaria numa solução até lá. Precisava pensar em algo. Não podia se casar com um completo estranho!
Zac interpretou o longo silêncio como aceitação.
— Darei entrada nos papéis imediatamente.
— Mas... — Vanessa calou-se, o coração parecia estar saltando no peito. Oh, Deus! O que fizera? Ele não podia estar falando sério, podia?
— Talvez seja melhor deixar algo bem claro desde já, Srta. Hudgens. Este casamento não existirá no real sentido da palavra.
— Quer dizer que não será legal? — Ela franziu a testa, tentando compreender.
— Será legal, claro, mas apenas no papel.
— No papel? — Vanessa ergueu as sobrancelhas.
— A união não será consumada — ele afirmou implacavelmente.
Vanessa sabia que deveria estar sentindo um imenso alívio, mas por alguma razão inexplicável sentia-se aborrecida. Sabia que no momento não parecia tão glamorosa quanto Stella, mas tinha uma boa figura e seus traços eram bonitos. Não a agradava ser dispensada assim, como se não tivesse atrativos.
— Quer que eu acredite nisso? — Vanessa perguntou com uma dose de cinismo na voz.
Zac ergueu a mão e fez o sinal da cruz sobre o peito.
— Eu juro.
Algo no ar de suprema confiança de Zac fez com que Vanessa pensasse em usar o olhar sedutor que a irmã costumava lançar aos homens. Colocou a mão no quadril, inclinando-o de maneira provocativa, erguendo os cantos da boca num sorriso malicioso enquanto murmurava:
— Só acreditaria se fosse um homem morto, Sr. Efron


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domingo, 23 de novembro de 2014

Capítulo 3

Não fazia muito tempo que Vanessa dera de comer a Lynda quando a campainha tocou naquela manhã de segunda-feira. Dando uma rápida olhada na pequena sala, caminhou sobre o carpete surrado, imaginando o que sua vizinha idosa queria agora. Ellice Tippen já levara uma caixa de leite e meio pacote de biscoitos, e ainda nem era hora do almoço.
Abriu a porta com um sorriso no rosto, que desapareceu imediatamente quando seu olhar se ergueu de encontro a um par de olhos azuis.
— Srta. Hudgens?
— Pois não? — ela respondeu, inconscientemente levando a mão à garganta.
O homem parado à sua porta era mais impressionante ao vivo do que na foto do jornal. Era mais alto que a maioria, com mais de 1,80m, os ombros largos e a postura nada menos que autoritária. O queixo severo e bem barbeado insinuava certa intratabilidade em sua personalidade, e os olhos não possuíam qualquer sinal de cordialidade.
— Imagino que saiba quem sou. — A voz era profunda e soava com certa aspereza.
— Eu... err... sim.
O que mais poderia dizer? O jornal com a foto dele ainda estava aberto sobre a mesinha de centro. Dizia a si mesma para jogá-lo fora sempre que passava pela sala, mas o deixara no mesmo lugar. Não sabia exatamente o porquê.
— Creio que está com a filha de meu irmão.
— Eu... sim, é isso mesmo. — A imagem das manchas escuras no corpinho de Lynda vieram à mente de Vanessa, cujo pânico acelerou as batidas de seu coração a um nível quase intolerável. Tinha que mantê-lo longe de sua sobrinha!
— Gostaria de vê-la.
— Ela está dormindo no momento, então... — Deixou a frase no ar, esperando que ele entendesse a indireta.
Não foi o que aconteceu.
Zac sustentou o olhar dela por um bom tempo e, quando Vanessa começava a fechar a porta, ele usou o pé para bloquear a ação.
— Talvez não tenha me ouvido, Srta. Hudgens. — O tom endureceu ainda mais quando os olhos azuis encontraram os dela. — Vim ver a filha de meu irmão. Não partirei antes disso.
Vanessa sabia que ele estava determinado e, afastando-se da porta, encarou-o com frieza.
— Se a acordar, ficarei extremamente zangada. Por favor - "Continue dormindo, Lynda," Vanessa pedia silenciosamente enquanto ele entrava.
Zac a olhou de cima a baixo. Quando os olhos de ambos se encontraram, os dele estavam cheios de desprezo.
— Dylan me contou tudo sobre você.
Vanessa ficou confusa. Nunca conhecera o amante da irmã gêmea. O romance de Stella e Dylan tinha sido breve e explosivo, como todos os outros.
Ele não podia estar pensando...
— Ele me disse que você representava problemas, mas não tinha ideia do quanto — Zac continuou, vendo que ela não dizia nada.
Vanessa o encarou por um instante, imaginando se deveria esclarecer que ele a confundira com a irmã, mas no fim deixou tudo como estava para ver quais eram as intenções dele. Afinal, que mal havia nisso? Só precisava fingir ser Stella por alguns minutos e dizer que tinha mudado de ideia. Assim que o convencesse de que não tinha intenção de lhe entregar a "filha", talvez ele fosse embora.
Já tinha feito esse tipo de coisa antes. Muitas vezes ficara no lugar de Stella para receber a punição que a alterada de sua mãe tinha para aplicar. Se conseguia enganar a própria mãe, Zachary Efron seria moleza.
— As críticas de seu irmão são irônicas, considerando o comportamento dele — Vanessa disse, incisiva.
Um brilho ameaçador surgiu nos olhos dele.
— Ousa difamar meu irmão morto? -  Vanessa ergueu o queixo.
— Ele era um farsante. Estava envolvido com outra quando concebeu Lynda.
— Ele estava formalmente comprometido com Lily Collins  — Zac comentou rudemente. — Estavam juntos desde a adolescência. Você estava interessada nele só por causa do dinheiro, mas Dylan só tinha olhos para Lily. Acha mesmo que ele se casaria com uma mulherzinha oportunista que já dormiu com quase toda Los Angeles?
Vanessa ficou tensa de raiva. Sabia que a irmã era um pouco promíscua às vezes, mas Zac Efron falava como se ela fosse uma prostituta, não a pessoa insegura e emocionalmente instável que realmente era.
— Isso é típico! — ela retrucou. — Por que os homens podem fazer loucuras e as mulheres não? Enxergue a realidade, Sr. Efron. As mulheres possuem sexualidade própria e, nos dias de hoje, têm o mesmo direito de expressá-la.
Os indecifráveis olhos azuis a examinaram dos pés à cabeça novamente.
— Já que fala de direitos, precisamos conversar sobre a filha de Dylan. Por mais que me aborreça o fato de a menina ser uma Efron, ela tem o direito de conhecer a família do pai.
— Acho que esta decisão cabe a mim.
— Creio que não, Srta. Hudgens. — A voz se tornou ameaçadoramente baixa. — Talvez não tenha percebido com quem está lidando. A família Efron não permitirá que uma mulherzinha qualquer crie alguém com seu sangue. A não ser que me obedeça, farei de tudo para tirar a menina de você, para que não seja maculada por sua falta de moralidade.
Os olhos de Vanessa se arregalaram de medo. Não duvidava da ameaça. Poucas pessoas nos Estados Unidos desconheciam a monumental riqueza da família Efron. Com os melhores advogados e uma total falta de escrúpulos, Zac Efron não hesitaria em fazer o que prometia.
Vanessa tentou não parecer intimidada, mas nunca se sentira tão apavorada. Se Zac descobrisse que ela não era a mãe da criança, Vanessa não poderia fazer nada para impedi-lo de levar a sobrinha embora.
Mas ele não descobriria.
Reunindo coragem, ficou bem ereta diante dele, os olhos achocolatados emitindo um desafio.
— Posso parecer uma mulher de pouca moral, mas amo esta criança e não permitirei que um playboy a tire de mim. Ela é um bebê. E bebês precisam das próprias mães.
Zac a examinou novamente, notando a firme linha da boca e o ângulo obstinado do queixo. Pela primeira vez, Zac imaginou o quanto o irmão se sentira tentado por aquela mulher. A compleição pequena era extremamente atraente, tanto quanto os brilhantes cabelos escuros que contrastavam perfeitamente com a pele macia. O corpo voltara ao normal bem rápido, Zac pensou, já que dera à luz há pouco tempo. O ar de inocência, contudo, servia de fachada para uma mulherzinha ambiciosa que tinha revelado suas intenções ao fazer seu irmão cair na armadilha mais velha do mundo: gravidez.
— Sob circunstâncias normais, concordaria com você — ele respondeu no mesmo tom. — Tendo sido criado por uma mãe maravilhosa, eu seria a última pessoa a sugerir que uma criança fosse criada por outra pessoa. No entanto, seu histórico não me inspira confiança. Afinal, quem foi que mandou uma carta para a Itália dizendo que pretendia entregar a menina em adoção?
— Foi uma atitude impulsiva. Eu estava aborrecida, não estava pensando direito —  Vanessa apressou-se em dizer. — Não tenho intenção de abandoná-la. Lynda é minha e ninguém... ninguém mesmo... irá tirá-la de mim.
Sem qualquer aviso, Zac aproximou-se dela, sua incrível altura lançando uma sombra sobre a figura delicada de Vanessa. Ela conteve-se para não recuar, mas foi difícil manter-se firme diante daquela presença ameaçadora.
— Que esquecimento meu — ele disse com voz arrastada, tirando a carteira do bolso. — Eu deveria saber que você faria um pouco de pressão. Quanto?
Vanessa o fitava atônita.
Zac ergueu uma sobrancelha.
— Creio que tudo se resume a isso, não?
— Não sei do que está falando — ela respondeu, a garganta repentinamente seca.
Ele exibiu um sorriso cínico ao abrir a carteira.
— Ora, Stella. Sou um homem rico. Diga o preço.
Zac estava surpreso por estar gostando daquele joguinho, sabendo que a qualquer instante ela sucumbiria à tentação que estava diante de seus olhos.
— Meu verdadeiro nome é Vanessa. E não quero seu maldito dinheiro.
Desta vez, Zac ergueu as duas sobrancelhas. Ficou em silêncio, tentando compreender o que ela estava tramando.
— Seu nome não é Stella? Tenho certeza de que Dylan me disse Stella... Ou era mentira também?
Vanessa assumiu uma expressão pela qual a irmã gêmea era famosa.
— Vanessa é meu nome verdadeiro, mas acho que Stella soa mais sofisticado. — Examinou as mãos, imitando novamente a irmã, antes de erguer os olhos. — Como conseguiu me encontrar?
— Só havia uma única Srta. S. Hudgens na lista telefônica deste distrito.
Como Stella morava com ela desde o nascimento de Lynda, e raramente pagava as próprias contas, seu nome não constava na lista. Isso explicava como Zac a confundira com a irmã.
Deixou escapar um leve suspiro de alívio.
Tudo estava bem até o momento.
— Então... Vanessa. — Zac pronunciou o nome dela de maneira sugestiva. — Se não está atrás de dinheiro, o que quer?
— Nada.
O sorriso cínico reapareceu.
— Segundo minha experiência, mulheres como você sempre estão atrás de dinheiro, mesmo quando dizem o contrário.
— Sua experiência deve ser muito limitada, pois posso garantir que não preciso de seu dinheiro.
Talvez não do meu, mas deve saber que meu irmão deixou uma herança considerável. Você teve uma filha com ele, o que significa que ela terá direito à herança quando tiver idade adequada.
Vanessa engoliu em seco. As coisas se complicavam a cada minuto.
— Não estou interessada nos bens de Dylan.
— Quer que eu acredite nisso? Posso ver os cifrões brilhando por trás de seus olhos. — O olhar dele examinou a sala. — Veja este lugar! Cheira a pobreza e negligência. Acha que permitirei que minha sobrinha viva nesta espelunca?
Vanessa sentiu o orgulho invadi-la.
— É o que posso pagar no momento. Ele deu uma risada.
— No momento, sim. Não duvido que já exista algum outro pobre coitado na mira para sua próxima investida. — Exibiu um olhar de completo desgosto. — Deve estar oferecendo algo muito especial por trás dessa sua pose inocente para que alguém aceite sustentar o bebê de outro homem.
Vanessa nunca se considerou uma pessoa explosiva; Stella, com seu temperamento imprevisível, é quem costumava criar situações desagradáveis. Mas de alguma forma, ouvindo o desdém de Zac, mesmo sabendo que este era direcionado à irmã, sentiu-se ultrajada.
— Está se oferecendo para continuar de onde Dylan parou? — perguntou num tom de pura provocação.
Os olhos de Zac brilharam com um ódio tão intenso que a desencorajou.
— Entendi seu joguinho — ele respondeu depois de um silêncio enervante.
— Só quero que saia de minha casa imediatamente. Não está nem um pouco interessado em minha so... filha. — Respirou fundo para disfarçar o deslize. — Se não sair agora, chamarei a polícia.
Os olhos de ambos se enfrentaram por segundos intermináveis, mas Vanessa foi a primeira a desistir.
— Por favor, saia, Sr. Efron. Não tenho nada a conversar com você.
— Quero ver minha sobrinha. — O tom determinado fez Vanessa erguer a cabeça. — Quero ver a filha de meu irmão.


Oi pessoal!!
Aqui está mais um capítulo...
Julia Araujo não exclui a fic não, só tive um problema 
e acabei tendo que mudar o endereço do site da
fic e esqueci de avisar vocês.
 Mas aqui está o novo site da fic: Uma Mulher Misteriosa!
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Beijoos até qlqr hora!! 

sábado, 22 de novembro de 2014

Capítulo 2

Stella abriu a porta e, com um olhar determinado, fechou-a com firmeza ao sair.
Vanessa sabia que seria inútil correr atrás dela. Na maior parte de seus 24 anos, de nada tinha adiantado implorar a Stella que parasse para pensar nos próprios atos. Sua geniosa irmã gêmea pulava de desastre para desastre, causando prejuízos imensuráveis e demonstrando pouco remorso. Mas este certamente era o pior.
Ouviu um choramingo vindo do carrinho. Atravessando a pequena sala, Vanessa ergueu o pequeno pacotinho rosa.
— Ei, preciosa — disse enquanto acomodava a criança no peito, maravilhando-se novamente com a perfeição de seus traços. — Está com fome, pequenina?
O bebê se aninhou nela, e Vanessa sentiu um amor irresistível dentro de si. Não suportaria que sua sobrinha fosse entregue aos cuidados de outros. E se as coisas não funcionassem? E se a infância de Lynda terminasse sendo como a dela e de Stella? Vanessa lembrava bem da infância... as temporadas em lares de adoção, alguns bem piores que a negligência na qual ela e a irmã viviam em casa. Como poderia deixar que o mesmo acontecesse a Lynda?
Vanessa sabia que o sistema legal de adoção funcionava, mas essa prática de adoção consentida a deixava aflita. E se alguém totalmente inadequado oferecesse uma grande quantia de dinheiro a sua irmã? A que tipo de triagem os pais em potencial eram submetidos, caso essa triagem existisse?
Percebeu a umidade na roupinha de Lynda e, carregando-a para o quarto, deitou-a na cama e a despiu delicadamente, como fizera inúmeras vezes. Por baixo da manta, a menina vestia um macacão amarelado e puído. Vanessa tirou a roupinha pela cabeça da criança, falando amorosamente com a sobrinha, mas suas palavras ininteligíveis morrerem na garganta quando viu o que o macacão escondia. Seus olhos se arregalaram de horror ao se deparar com as marcas roxas ao longo do corpinho de Lynda, marcas que tinham o tamanho perfeito de seus dedos, como se ela mesma tivesse causado aquele mal.
— Oh, Stella! Como pôde? — ela soluçou, contendo as lágrimas por não ter sido capaz de evitar que a sobrinha sofresse a violência que fora comum em sua própria infância.
Decidiu naquele instante que faria o que fosse preciso para manter Lynda consigo. Devia existir uma maneira de convencer Stella a lhe entregar a menina permanentemente.
Teria de encontrar uma maneira!
Outras mães solteiras conseguiam enfrentar as dificuldades, então ela também conseguiria... de alguma forma.
Mordiscava uma unha enquanto considerava suas opções. Não seria fácil... mal poderia pagar uma creche com seu atual salário na biblioteca.
Olhou para a menina adormecida, o peito se apertando dolorosamente ao pensar que jamais veria sua pequena sobrinha novamente.
Não. Simplesmente não podia permitir que sua irmã levasse a ideia adiante.
Ela seria a mãe de Lynda.
Ninguém lhe tomaria a sobrinha.
Ninguém.
Zac Efron franziu a testa quando a secretária informou que seu pai estava na linha, ligando da Villa Efron, em Sorrento, na Itália.
Pegou o telefone e, girando em sua cadeira de couro, olhou para o vasto cenário de Los Angeles.
— Zac! Você precisa fazer alguma coisa a respeito daquela mulher imediatamente! — David Efron despejou num rápido italiano.
— Está falando daquela amante de Dylan? — Zac respondeu pacientemente.
— Pode ter sido amante, mas é mãe da minha única neta! — David resmungou.
Zac enrijeceu na cadeira.
— Por que tanta certeza assim de repente? Dylan se recusou a fazer o teste de paternidade; disse que sempre usou proteção.
— Pode ser, mas agora tenho motivos para acreditar que a tal proteção falhou.
Zac franziu a testa e virou a cadeira novamente para a escrivaninha, o súbito baque no coração deixando-o em silêncio por um instante.
— Tenho uma carta aqui na minha frente com uma foto da criança. — A voz de David tremia um pouco. — Ela é idêntica a Dylan nesta idade. É filha de Dylan, tenho certeza.
Zac apertou os lábios enquanto lutava para manter suas emoções sob certo controle. A morte do irmão o deixara devastado, mas pelo bem de seu pai, em fase terminal, conduzira os negócios da família sem um único soluço. A filial do banco de investimentos Efron em Los Angeles estava em expansão, e Zac pretendia manter o extenuante ritmo de trabalho que adotara para bloquear a dor pela perda do irmão.
— Papai. — A voz soou profunda e áspera. — É difícil acreditar...
— Precisamos pegar esta criança — o pai insistiu. — Ela é tudo o que nos resta de Dylan.
Um tremor de inquietação tomou Zac ao ouvir o tom determinado do pai.
— Como pretende fazer isso?
— Da maneira de sempre — o pai respondeu com indisfarçável cinismo. — Se oferecermos dinheiro, ela fará tudo o que quisermos.
— Quanto dinheiro pretende gastar nessa sua missão?
David citou uma cifra que fez Zac encostar os ombros largos novamente na cadeira.
— É bastante dinheiro.
— Eu sei — concordou o pai. — Mas não posso correr o risco de ela recusar a oferta. Depois da resposta que dei à carta anterior, ela pode querer se vingar e nos negar a menina.
Zac lembrava-se do conteúdo da carta. Seu pai tinha lhe enviado uma cópia por e-mail, e a mensagem não fora nada lisonjeira. Podia bem imaginar a tal Hudgens jurando vingança, especialmente se o que ela dizia era verdade
— Dylan era o pai da menina.
Conhecia bem a reputação de Stella Hudgens, mesmo sem conhecê-la pessoalmente. Contudo, tinha visto algumas fotos que exibiam uma bela mulher de longos cabelos castanhos e olhos achocolatados. Tinha o tipo de corpo que não só fazia os homens virarem a cabeça, como também fazia certa parte da anatomia masculina se exaltar numa velocidade impressionante. O irmão ficara completamente abobalhado até a verdadeira personalidade de Stella aparecer. Ainda recordava o sarcástico relato de Dylan sobre a reação dela ao ser informada de que o curto e ardente relacionamento tinha chegado ao fim.
Ela o perseguira por meses, atormentando-o incansavelmente.
Mas, de certa forma, pensar no sangue de seu falecido irmão correndo nas veias da filha dela mexia com Zac de maneira inesperada.
— Zachary. — A voz desesperada do pai interrompeu suas reflexões. — Precisa fazer isso. É uma questão de honra familiar. Dylan teria feito o mesmo por você.
Era difícil para Zac se imaginar envolvido nos tipos de desastre que seu irmão mais novo costumava arranjar na vida, mas não adiantaria discutir isso agora. Seu pai já tinha sofrido demais; tinha perdido o filho amado.
Não era segredo na família Efron que Dylan era o favorito do pai. A natureza alegre e a personalidade charmosa tinham conquistado a todos desde o dia do nascimento, deixando Zac, com seu temperamento mais sério, esquecido.
Franziu a testa ao pensar no plano do pai. Como convenceria aquela mulher a lhe entregar a criança? Ela pegaria o dinheiro e desapareceria, ou insistiria em algo mais formal? Tal como...
O estômago deu um nó ao lembrar do irmão contando da incansável busca de Angel Portilla por um marido rico.
Claro que o pai não esperava que ele fosse tão longe!
Até o momento, Zac conseguira ignorar a pressão do casamento, embora tivesse chegado bem perto de se casar alguns anos antes. Mas tudo acabou mal, e ele decidiu evitar qualquer envolvimento emocional mais profundo desde então. Zac concluíra que mulheres não eram confiáveis quando havia dinheiro envolvido. E na família Efron havia muito dinheiro. Além disso, Dylan vivia anunciando que se casaria cedo e perpetuaria a dinastia da família com seus vários herdeiros.
O coração ficou apertado ao pensar na menininha de cabelos escuros e olhos azuis — olhos que um dia se tornariam travessos, como os do pai em seus breves trinta anos de vida.
— Fará isso? — David o pressionou. — Fará isso por mim e sua falecida mãe?
Zac fechou bem os olhos. Mencionar a mãe sempre o afetava profundamente. Não se esquecia daquele último dia, a maneira como a mãe sorriu e acenou para ele antes de ser atirada no caminho de um carro.
Zac ainda acreditava que a mãe talvez estivesse viva se tivesse sido honesto sobre o motivo de seu atraso. Tinha atendido às súplicas do pai, mas a culpa ainda era como uma corrente presa ao seu pé, oprimindo-o impiedosamente com seu peso.
Quando o irmão morreu, Zac não conseguiu se livrar da sensação de que o pai teria sofrido muito menos se ele estivesse no lugar de Dylan naquele carro.
Suspirou e respondeu ao pai com resignação.
— Verei o que posso fazer...
— Obrigado. — O alívio na voz do pai era inconfundível.
Zac sabia que os dias de seu pai estavam contados. Não seriam ainda mais preciosos se pudesse segurar sua única neta nos braços?
— Talvez ela não queira me ver — Zac alertou, pensando novamente na carta ofensiva do pai. — Pensou nessa possibilidade?
— Faça o que for preciso para que ela enxergue a razão — David instruiu. — Qualquer coisa. Mulheres como Stella Hudgens esperam uma negociação.
Uma transação comercial.
Que mulher era essa que barganharia a vida de uma criancinha?
Minutos depois, recolocou o fone no gancho e voltou-se mais uma vez para a vista lá fora. Estreitou os olhos por causa da luz do sol enquanto pensava no que teria que fazer.
Visitaria a pessoa que mais odiava no mundo: a mulher responsável pela morte prematura do irmão.


Oi pessoal!!
Aqui está mais um capítulo...
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