quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Capítulo 21 (Último Capítulo)

Vanessa já estava na casa de Ashley há uma semana. Mal saía do quarto, os olhos vermelhos de tanto chorar, tornando-se visivelmente mais magra a cada dia.
Ashley se sentou na beirada da cama, parecendo preocupada.
— Vamos, Vanessa. Não pode continuar assim. Procure por ele e diga o que sente. Vi no jornal de ontem que ele está na cidade.
— Não posso — Vanessa soluçou.
— Pode sim — a amiga insistiu. — Você o ama. Ele precisa saber.
— Ele me odeia.
— Como pode saber? As coisas podem ter mudado. Talvez uma boa dose de Stella o tenha recolocado nos eixos. Quem sabe?
Vanessa esfregou os olhos.
— A culpa é minha por não ter contado a verdade desde o começo. Ele tinha todo o direito de ficar zangado. Casou-se com a mulher errada.
— Que tolice! Ele casou com a mulher certa, se quer saber. Você é leal, fiel, prefere sofrer a magoar alguém. O que mais um homem poderia pedir?
O queixo de Vanessa tremia.
— Eu só queria me desculpar. -  Ashley se levantou.
— Então faça isso. — Estendeu o telefone da mesinha de cabeceira para Vanessa. — Ligue para ele. - Vanessa encarou o telefone por um bom tempo.
— Vamos! — Ashley insistiu. — Diga o número e eu disco para você.
Vanessa pegou o telefone.
— Não... não. Eu ligo.
— Boa menina. — Ashley exibiu um sorriso encorajador. — Vou deixá-la sozinha. Boa sorte.
Embora só tivesse dito que ligaria para que a amiga parasse de insistir, Vanessa ficou surpresa ao notar que já tinha discado quase todos os números. Respirou fundo e discou os três últimos.
— Vanessa? — Lúcia atendeu no segundo toque. — Diol Onde você está? Ficamos preocupados! Lynda não dorme e Zac...
— Ela está bem? — Vanessa perguntou.
— Sente falta da mãe.
— Onde está Stella?  - Lúcia bufou.
— Não daquela mãe... de você. Sua irmã pegou o dinheiro e foi embora.
— Que dinheiro?
— O dinheiro que ela pediu por Lynda — Lúcia informou.
Vanessa fechou os olhos.
— E... Zac? Como... como ele está?
— Zangado.
— Eu sei. — Vanessa mordeu o lábio. — Não o culpo.
— Onde você está? Ele quer vê-la.
— Ele disse que não queria me ver nunca mais.
— Isso foi antes. Apareça aqui esta noite. Levo Lynda para minha casa e vocês podem resolver as coisas sossegados.
— Não sei se há o que resolver.
— Apenas volte para casa, Vanessa. Este é o seu lugar.
Vanessa estava sentada na beirada do sofá na casa de Zac quando ouviu o barulho do carro. Tinha passado uma hora com Lynda antes que Lucia a levasse para casa.
Ouviu Zac praguejando ao entrar em casa. Levantou-se, apertando as mãos, os olhos hesitantes.
Zac parou ao vê-la, a cor desaparecendo do rosto, como se tivesse levado o maior susto de sua vida.
— Vanessa? — Ele deu um passo adiante. — É você?
— Sim, sou eu.
— Não tive certeza... — Passou a mão pelos cabelos, deixando-os ainda mais bagunçados. — Pensei que fosse sua irmã. Ela ligou hoje, pedindo mais dinheiro.
— E o que você disse?
Zac lhe deu uma breve olhada antes de responder.
— Não posso dizer muita coisa enquanto não tiver os papéis de adoção.
— Então ela o deixou adotar Lynda?
— Por um bom preço, claro.
— Claro.
Zac buscou o olhar dela novamente, a expressão indecifrável.
— Por que está aqui?
— Queria ver Lynda.
— Só isso?
— Não. — Ela meneou a cabeça. — Queria ver você.
— Por quê? — Havia um tom de acusação, como se ele pensasse que ela também só estava interessada em dinheiro.
— Queria pedir desculpas pelo que fiz. Pensei estar fazendo o melhor por Lynda, mas... Agora percebo o quanto estava errada. Pensei que você a tomaria de mim, mas agora sei que não é o homem severo que finge ser. Você é... — Vanessa segurou um soluço. — É o homem mais maravilhoso que já conheci.
— E você é a melhor mãe que Lynda poderia ter — ele disse, a voz rouca de emoção. — Foi errado falar com você daquela maneira. Eu estava zangado por ter sido enganado. Não parei para pensar nos sacrifícios que fez para proteger Lynda de Stella.
— D-do que está falando?
A boca de Zac ameaçou um sorriso.
— Você se entregou para mim. Não sabia o que você estava fazendo naquela hora. Simplesmente pensei que teve dificuldades ao dar à luz, nunca imaginaria que fosse virgem.
O rubor tomou o rosto de Vanessa, que desviou o olhar.
— Não. — Ele se aproximou e a segurou pelos ombros. — Não continue escondendo a verdade. Você se entregou para mim e quero saber por quê.
— Eu... não consegui evitar. Nunca tinha me sentido daquele jeito antes. — Ergueu novamente os olhos. — Acho que me apaixonei por você logo naquele primeiro dia, quando pegou Lynda no colo com lágrimas em seus olhos. Estava sofrendo pela morte do irmão, mas ainda tinha um espaço para Lynda em seu coração. E estava disposto a protegê-la. Eu sentia o mesmo. Não pude deixar de pensar que éramos parecidos. Foi impossível não me apaixonar.
Zac engoliu em seco, escondendo o rosto no ombro dela.
— Eu a tratei tão mal. Como pode me amar? Vanessa percebeu que ele chorava, então o abraçou forte.
— Não sei a razão. Apenas amo. Ele ergueu o rosto, a expressão sofrida.
— Não acredito que estou ouvindo isso. Então me perdoa pelas coisas que eu disse?
— Você estava zangado.
—Mais do que zangado. Estava magoado. Imaginava você rindo de mim por me ter feito de bobo.
Ela o encarou com ar indagador.
— Pensei que ninguém fosse capaz de magoá-lo.
Ele sorriu.
— Você não é a única que sabe contar mentiras, sabia? Claro que eu estava magoado. Apesar do que eu acreditava a seu respeito, acabei me apaixonando. Queria acreditar que você era incapaz de ter feito o que fez ao meu irmão, mas sempre me deixava confuso quando agia como Stella.
— E mesmo assim se apaixonou por mim? Ele a abraçou mais forte.
— Como não poderia? Você sempre foi tão amorosa com Lynda, sempre correspondia a mim com avidez. Pensava em você dia e noite, mesmo me odiando por minha fraqueza, mas era impossível não querer tocá-la.
Vanessa suspirou de encontro ao peito dele.
— Não acredito que me ama. - Zac lhe acariciava os cabelos.
— Pois é melhor acreditar. Tenho procurado por você feito louco nos últimos dias. Não tenho dormido nem comido.
Vanessa sorriu.
— Nem eu. Senti tanto a sua falta.  - Zac a fitou com seriedade.
— Eu ficava acordado de noite, pensando nas vezes em que a insultei. Sabe o quanto me torturei com isso? Você é uma pessoa linda, de natureza gentil e amável, e sua timidez é encantadora. Fui um idiota por não ter percebido nada. Acho que teria percebido se eu não estivesse tão aflito com as exigências de meu pai, que queria Lynda a qualquer custo. Ele estava morrendo, eu não tinha muito tempo, faria qualquer coisa para lhe satisfazer o último desejo.
Vanessa acariciou o rosto dele, os olhos úmidos de lágrimas.
— Não seja tão duro consigo mesmo. Fui eu que agi errado. Deveria ter desfeito o mal-entendido logo que entrou no meu apartamento. Acabei agindo por impulso e, quando percebi, já era tarde demais.
— Eu a forcei a isso — ele lamentou. — Só agora vejo. Só queria provar que era a mulherzinha oportunista que eu imaginava que fosse. Não dei espaço para explicações.
— Mas agora já acabou. Temos um ao outro, e temos Lynda.
— Mas você perdeu tantas coisas. — Zac estava sério novamente. — Não se casou na igreja, por exemplo, nem teve uma lua-de-mel. Não sei como, mas pretendo reparar tudo isso.
Vanessa exibiu um grande sorriso.
— Não me importo muito com o casamento, mas quero uma lua-de-mel. Quando poderemos ter uma?
Zac sorria ao erguê-la nos braços.
— Que tal agora?
Zac levou Vanessa para conhecer diversas cidades, passaram por Londres, Paris, Veneza e Milão, Lynda ficou aos cuidados de Lúcia, enquanto o casal fazia sua viagem.
Todos os dias, enquanto viajavam, Zac e Vanessa ligava para saber notícias da menina.
Quando Lynda já tinha quase seus 2 anos, no aniversário Zac, Vanessa lhe preparou uma surpresa, com ajuda de Lúcia, preparou um jantar especial para eles e Lynda.
No jantar, Vanessa entregou um pacote a Lynda e está que sabia o que fazer correu até Zac e lhe entregou o presente.
— O que é isso? - questionou Zac
— Abra e você saberá. - respondeu Vanessa
Ao abrir o pacote, Zac se deparou com um par de sapatinhos lã branco e um cartão escrito:
Parabéns! Meu amor.
— Não sei ainda se é um menininho ou uma menininha, por isso optei pelo branco. - Vanessa disse com um grande sorriso em seu rosto
— Eu vou ser pai?? É isso!? - com lágrimas nos olhos de tanta emoção
Vanessa assentiu. Zac na mesma hora levantou-se da mesa e deu um grande beijo em sua esposa.
Lynda vendo a alegria de seus pais, começou a dar gargalhadas e bater palmas. Zac pegou-a no colo na mesma hora.
— Nossa família está crescendo... - comentou Zac ainda emocionado
Vanessa assentiu e ainda completou — E seremos muito felizes!!

FIM



Olá pessoal!!
Aqui está o último capítulo pra vocês... 
Obrigada pelos comentários meninas!!! Espero vocês na próxima fic okay!?
E com 62% dos votos a próxima fic será Recomeçando através do Amor
e vocês já podem ver a sinopse da história que promete!!!
Postarei o primeiro capítulo será postado no domingo (14/12)!! 
Então beijoos e até domingo, dia que promete, na próxima fic!!!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Capítulo 20 (Penúltimo Capítulo)

Zac mal falou no caminho de volta. Vanessa não sabia se ficava preocupada ou satisfeita com o silêncio. Retorcia as mãos sobre o colo, fingindo-se interessada na paisagem noturna. Chegaram a casa minutos depois, e Vanessa esperou Zac dar a volta para lhe abrir a porta do carro.
— Você está muito bonita está noite — ele disse, segurando-lhe a mão para ajudá-la a sair do carro.
— Zac... Vamos entrar. Estou com frio.
Zac a seguiu até a entrada, ligeiramente apreensivo.
Lúcia apareceu no vestíbulo assim que Vanessa abriu a porta, Zac vinha alguns passos atrás.
— Algo errado? — Vanessa perguntou, vendo o rosto preocupado da governanta. — Lynda está bem?
— Sim. — Lúcia retorcia as mãos, os olhos fixos na entrada do salon.
— O que foi? — Zac perguntou, fechando a porta.
A governanta olhou agoniada para Vanessa antes de responder ao patrão.
— Visita para a Signora Efron.
Vanessa perdeu a cor, as pernas ficando trêmulas de pânico.
— Quem é? — Zac perguntou enquanto tirava o paletó. — Alguém que eu conheço?
A porta do salon foi aberta e Zac se deparou com uma cópia de sua esposa.
— Olá, Zac — Stella murmurou.
Vanessa sentiu todo o peso do olhar de Zac, o rosto carregado de incredulidade, susto e raiva.
— Alguém vai me dizer o que está acontecendo ou terei que adivinhar? — A voz era cortante.
Vanessa engoliu em seco.
— Eu pretendia contar...
Stella deu um passo adiante, movendo-se sedutoramente, e interrompeu a irmã.
— Que menina má, não é, Zac? Passando-se por mim para colocar as mãos na herança de Lynda.
Vanessa agarrou o braço de Zac.
— Não é verdade!
Zac olhou a mão que segurava seu braço, uma expressão de nojo ao repeli-la. Voltou-se para a governanta, pedindo que ela se retirasse. Lúcia olhou preocupada para Vanessa e saiu com certa relutância.
— Vocês duas. — Zac indicou a porta do salon. — Entrem... agora.
Stella entrou novamente no salon, não sem antes lançar um olhar ardente para Zac. Vanessa a seguiu, sentindo-se desesperada. Zac fechou a porta antes de falar:
— Vamos começar pelo começo. Qual das duas é mãe de Lynda?
— Eu. — Stella deu um passo adiante. — Eu a deixei com Vanessa por alguns dias e ela simplesmente resolveu assumir o meu lugar.
Os olhos de Vanessa faiscavam de raiva.
— Não fiz nada disso! Você a abandonou!
— Não escute o que ela diz. — Os olhos de Stella estavam cheios de lágrimas. — Amo minha filha; é tudo o que me sobrou de Dylan. Vanessa ficou com ciúmes. Sempre quis se casar e ter filhos. Ela o enganou para conseguir se casar.
— Zac! Não a escute! Ela está inventando coisas!
Zac a fitou por um instante antes de se dirigir a Stella.
— Gostaria de conversar com minha... com Vanessa a sós. Pode nos dar licença?
Stella ergueu o queixo.
— Ela só vai contar mais mentiras. Fez tudo isso por causa do dinheiro. Apesar do que diga, é dinheiro o que ela quer.
Zac agarrou Vanessa pelo braço e a levou para fora, a expressão impassível. Vanessa ficou calada enquanto era levada para o andar superior. Entraram no quarto de Zac, que bateu a porta depois de passar. Os olhos buscaram os dela... furiosos.
— Espero que tenha uma boa explicação, ou juro que vai se arrepender de ter nascido.
— Eu pretendia contar...
— Não minta para mim! — ele berrou. — Tenho bancado o idiota desde o começo. — Passou a mão pelos cabelos e afastou-se dela, balançando a cabeça em descrença. — Não acredito que foi tão baixa! — Voltou-se para Vanessa. — Valeu a pena? Gostou de rir às minhas costas enquanto me enganava?
— Não! Eu...
Zac aproximou-se dela.
— Você me fez de idiota e não a perdoarei por isso.
— Zac... por favor, deixe-me explicar. — Vanessa retorcia as mãos, agitada. — Não queria que fosse assim. Quando você apareceu naquele dia, pensei que levaria Lynda embora. Eu precisava fazer alguma coisa! Não pensei que as coisas chegariam a este ponto, eu juro!
— Por que não contou a verdade quando teve a chance? Preferiu inventar mentiras o tempo inteiro. Teve várias oportunidades de me contar a verdade, mas não o fez.
— Eu sei! Sinto muito... Fiquei assustada. Pensei que não me deixaria ver Lynda novamente. Você sempre fazia ameaças; não tive escolha.
Zac bufou ao lhe dar as costas.
— Deve me achar o maior dos idiotas, mas sei que gastou o dinheiro assim que o depositei em sua conta.
— Não gastei! Eu dei para Stella porque...
— Planejaram tudo juntas, não foi? — Os olhos dele brilhavam perigosamente.
— O quê? 
Ele bufou em tom cínico.
— Sei o que fizeram. Uma antiga brincadeira de gêmeos, mas que costuma funcionar muito bem. Vocês foram primorosas, certamente. Trocam de personalidade num piscar de olhos.
— Não me orgulho do que fiz, mas...
— Divertiu-se, Vanessa? Gostou de me fazer de idiota? Achou engraçado quando não pude mais me controlar, quando decidi me deitar com você?
— Eu não queria que isso acontecesse! Precisa acreditar em mim!
— Não acredito em nada do que você diz. Como poderia, depois de tudo o que você fez?
— Não queria magoá-lo.
— Magoar? — Ele a fitou com altivez. — Teria que se esforçar muito para conseguir isso, Vanessa. Estou acostumado a mulheres como você, sei me proteger. — Abriu a porta, indicando que ela deveria sair. — Você tem até amanhã para sair de minha casa. Mando os papéis de divórcio depois.
O choque deixara Vanessa imóvel, as pernas recusando-se a dar um passo sequer.
— Não ouviu? — ele perguntou.
— Quero ver Lynda com freqüência — Vanessa respondeu, tentando conter as lágrimas.
— Isso depende da mãe dela.
— Stella não se importa com Lynda. Só se preocupa consigo mesma. Ela bateu em Lynda. E fará isso novamente, como minha mãe fazia.
— Sua irmã é a mãe de Lynda, portanto é a guardiã legal. Você não tem o poder de interferir.
— Nem você — Vanesa retrucou.
— Garanto que sua irmã e eu chegaremos a um acordo satisfatório.
— Desde que ofereça muito dinheiro, Stella ficará satisfeita — ela respondeu com amargura. — Mas pense duas vezes antes de deixá-la sozinha com Lynda. Ela não é confiável.
— E você é? — ele debochou. —Você, que mentiu para mim o tempo inteiro? Como posso acreditar no que você diz?
— Quero o melhor para Lynda. Esta foi a minha motivação. Não importa se não acredita em mim; isso não muda nada.
Zac a fitou brevemente.
— Prefiro não vê-la novamente. Um carro a levará ao aeroporto amanhã.
Vanessa percebeu que fora vencida.
Passou por Zac sem deixar que ele visse o quanto estava abalada. Assumiu uma expressão indiferente, os ombros eretos e a cabeça erguida.
Quando chegou ao quarto, já não podia mais conter as lágrimas. Jogou-se na cama e chorou até ficar de olhos inchados. Após alguns minutos, levantou-se e guardou algumas coisas dentro da bolsa. Entrou de mansinho no quarto de Lynda e tocou o rostinho da menina.
— Adeus, querida. Nunca me esquecerei de você. Faria qualquer coisa para continuar ao seu lado, mas Zac... — Ela mordeu o lábio. — Zac não me quer. — Conteve um soluço. — Mas ele te ama, querida. Ama muito. Sei que será um pai maravilhoso. Sinto isso no fundo do coração.
Vanessa fechou a porta bem devagar e desceu a escada silenciosamente, saindo da casa e da vida de Zac.
Zac voltou ao salon, onde Stella se servia um copo de seu melhor brandy. Ela exibiu um sorriso sedutor e ergueu o copo num brinde.
— Esclareceu as coisas, Zac? Ela confessou? Zac apertou os lábios, passando distraidamente a mão pelos cabelos.
— Ela sempre teve inveja de mim — Stella continuou. — Sempre tive namorados, mas ninguém olhava duas vezes para ela. É tímida demais. Patético, não acha? E ainda é virgem, caso você não tenha cuidado disso. E com 24 anos! Pode acreditar?
Zac congelou.
Stella sentou-se e cruzou as pernas, observando Zac especulativamente.
— Então quer ficar com Lynda? Ele finalmente recuperou a voz.
— Sim.
Ela o fitou através dos olhos semicerrados, produzindo um ruído característico ao deslizar o dedo pela borda do copo.
— Não posso oferecer a ela o mesmo que você. — Stella fez beicinho. — Mas se quer adotá-la... bem... — Ela sorriu. — Fico fora do caminho pelo preço certo, por assim dizer.
— Diga seu preço. Stella pediu um valor que teria deixado Zac chocado caso as circunstâncias fossem diferentes.
— A papelada será preparada pela manhã. Stella descruzou e cruzou novamente as pernas, um sorrisinho no rosto.
— Por que não me dá um adiantamento? Preciso encontrar um lugar para ficar... A não ser que tenha uma cama para me oferecer...
Zac forçou um sorriso educado.
— Quanto? — perguntou, pegando a carteira. Ela se levantou do sofá e tomou o maço de notas que ele oferecia. Então deslizou os dedos pela camisa dele.
— Sabia que você é mais bonzinho que seu irmão? Ele não queria me dar mais nada nos últimos tempos.
Zac afastou a mão dela.
— Ele lhe deu uma filha. - Stella fez beicinho novamente.
— Eu nunca a quis. Só a tive por insistência de Vanessa.
Zac queria atirá-la porta afora. Mal acreditava que duas irmãs gêmeas pudessem ser tão diferentes.
— Chamarei um táxi — ele disse, aproximando-se do telefone.
— Tem certeza de que não quer companhia? — Ela deu uma piscadela enquanto deslizava a mão sedutoramente pelo quadril.
— Não. — Ele abriu a porta para ela. — Quero vê-la fora daqui.
Assim que Stella partiu, Zac foi procurar Vanessa, ensaiando um pedido de desculpas na cabeça. Como fora capaz de julgá-la tão mal? Claro que Vanessa faria qualquer coisa para proteger Lynda de uma mãe daquelas.
Como não adivinhara? Ela era completamente diferente de Stella. Era leal, devotada, abnegada, tímida e — Zac engoliu em seco — fora virgem.
— Vanessa? — Bateu na porta, mas não houve resposta. Entrou no quarto e viu algumas peças de roupa espalhadas sobre a cama. — Vanessa! — chamou ainda mais alto ao entrar no quarto de bebê, fazendo com que a porta batesse na parede.
Lynda acordou assustada e começou a chorar, os soluços arrancando Zac daquele torpor momentâneo.
— Ei, calma, pequenina — murmurou ao pegá-la no colo, afagando-lhe as costas enquanto saía para procurar Vanessa pelo resto da casa.
Lynda parecia inconsolável, chorava cada vez mais alto, como se também sentisse o pânico que ele estava sentindo.
— Não chore — Zac implorou enquanto vasculhava o andar de baixo. — Vamos encontrá-la, não se preocupe. Precisamos encontrá-la.
Depois de vinte minutos, deu-se por vencido. Vanessa tinha desaparecido. E agora ele estava com um bebê nos braços — um bebê muito descontente — que chorava por aquela que considerava sua mãe.

Oiiii pessoal!!
Aqui está o TÃO aguardado capítulo...
Agora estamos no finalzinho MESMOOO!!
Amanha posto qual será a nova fic, com site e sinopse!! 
Obrigada mais uma vez pelos comentários meninas...

Beijoos até qlqr hora!!

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Capítulo 19

Saiu da cama, vestiu-se e correu até o quarto de Lynda, vendo que a sobrinha acabava de acordar e esticava as mãozinhas ao vê-la. Pegou a menina no colo e viu Paloma entrar no quarto com ar abatido.
— O que houve, Paloma?
A mulher se sentou na cadeira mais próxima, o rosto pálido.
— Signore Efron faleceu durante a noite. Zac está com ele agora.
— Oh, céus! — Vanessa exclamou.
— Todos já esperavam, mas mesmo assim é muito triste. Apesar de todos os defeitos, todos nós gostávamos muito dele.
— Posso ajudar em alguma coisa? - Paloma sorriu com tristeza.
— Já fez uma grande diferença na vida dele nestes poucos dias, Signori. Ele morreu mais feliz por ter conhecido a única neta.
Nos dias que se seguiram, era doloroso para Vanessa ver Zac esconder a dor pela perda do pai para cuidar dos negócios da família. Nem sonhava em revelar seu segredo agora. Ele mal conseguia lidar com os preparativos para o funeral. A única coisa que podia fazer era deixar que ele se perdesse em seus braços todas as noites, como se a união física fosse a única maneira que ele encontrara de aliviar a dor da perda. Mas Zac sempre parecia retraído durante o dia, tal qual um lobo desconfiado.
No dia seguinte ao enterro, Zac a chamou ao escritório.
— Quero conversar sobre o futuro de Lynda.  - Vanessa sentiu o coração pular no peito. Será que ele já pensava no divórcio? Talvez a morte do pai o deixasse livre para anular aquela união indesejada.
— S-sobre o futuro dela?
— Quero adotar Lynda.
Ela engoliu em seco, sentindo-se em pânico.
— Quero ser o pai dela. Contaremos sobre Dylan quando for o momento apropriado. Mas por enquanto, serei o único pai dela.
Vanessa não sabia o que dizer. Via como Zac agia com a sobrinha, segurando-a no colo, brincando com ela ou murmurando coisas afetuosas em sua própria língua. Ninguém poderia questionar o quanto seria um pai maravilhoso, mas não poderiam iniciar o processo de adoção porque ela não era mãe de Lynda. Não queria revelar a verdade justo agora, sabendo o quanto ele estava sofrendo...
— Você não parece muito entusiasmada — ele observou depois de longo silêncio.
— N-não gosto da ideia.
— Por que não?
— Ninguém pode tomar o lugar de Dylan. É o pai dela, mesmo que não esteja mais... aqui... Não quero deixar Lynda confusa.
— Vanessa, tenho feito tudo o que um pai faria. Não sei por que Lynda tem que me chamar de tio pelo resto da vida se tudo o que quero é ser pai dela.
Vanessa tentava pensar em algo que pudesse dissuadi-lo.
— Não confio o suficiente em você. Ele suspirou exasperado.
Casei com você, não? Foi mais do que meu irmão fez.
— Só se casou por senso de dever.
— O que há de errado nisso? Esperava que eu me apaixonasse e jurasse amor eterno?
Vanessa desviou o olhar.
— Não, claro que não. Mas não deixo de pensar que há algo por trás disso. Assim que eu baixar a guarda, vai roubar Lynda de mim. Ameaçou fazer isso diversas vezes.
Zac suspirou novamente.
— Compreendo sua apreensão e peço desculpas pelas ameaças, mas eu só queria garantir a segurança de Lynda. Tinha ouvido tantas coisas a seu respeito que a considerava incapaz de criar a menina.
— E agora? — Vanessa o encarou. — Acha que sou capaz de criá-la?
Zac a observou antes de responder.
— Minhas antigas dúvidas foram respondidas. Contudo, ficaria mais feliz se Lynda fosse oficialmente registrada como minha filha.
— Pensarei no assunto — Vanessa respondeu, querendo ganhar tempo.
— Aceito sua decisão por enquanto, mas saiba que não descansarei até conseguir o que quero.
Vanessa sabia que ele dizia a verdade. Toda aquela teia de mentiras parecia sufocá-la, os fios apertando seu coração sempre que pensava que perderia Lynda e Zac.
— Queria falar mais uma coisa. Tenho um jantar de negócios hoje em Positano. Não posso desmarcar... São pessoas que preciso ver antes de voltar para Los Angeles. Sei que não avisei nada, mas gostaria que me acompanhasse. Lúcia vai cuidar de Lynda; já combinei com ela. Vanessa hesitou.
— Tinha planejado alguma coisa? — ele perguntou, a voz parecendo mais aguda.
— Não, claro que não.
— Sairemos às sete. Use vestido longo; a ocasião é formal.
Lúcia sorriu aprovadoramente quando Vanessa desceu a escada naquela noite trajando um vestido de cetim negro, os cabelos presos num belo coque, as mechas caídas sobre o rosto conferindo-lhe um ar sensual.
— Estou bem? — Deu uma voltinha para a governanta.
— Zac vai te achar irresistível esta noite, Vanessa.
Vanessa sentiu o rosto corar e tentou esconder seu embaraço fingindo que arrumava a alça do vestido.
— Você sabe por que nos casamos, Lúcia.
— Sim, mas as coisas mudaram, não? Você divide a cama com ele, como uma verdadeira esposa.
Isso é bom.
Vanessa encarou a governanta.
— Ele me odeia pelo... pelo que fiz ao irmão.
— Mas você não fez nada, fez, Vanessa? — Lúcia perguntou, sem despregar os olhos dela.
Vanessa ficou apreensiva.
— O que quer dizer?
Lúcia sorriu.
— Você pode ter enganado o Signore Efron, mas não sou boba. Você não é a mãe de Lynda, é?
A mão de Vanessa apertou o corrimão.
— P-por que diz isso?
— Você não poderia ser a mulher que seduziu Dylan.
— P-por que não?
— Porque eu a conheci.
Vanessa ficou chocada, a mão largando o corrimão.
— Você conheceu Stella? Lúcia assentiu.
— Sim. Ela foi procurar Dylan lá na casa. Nem me deu atenção; afinal sou apenas uma empregada. Por isso, quando você apareceu, fiquei confusa. Você agia como ela, se parecia com ela. Mas tive minhas suspeitas. Então atendi aquele telefonema e a voz era muito parecida com a sua. Foi quando descobri o que estava acontecendo. Eu tenho filhos gêmeos. Já estão crescidos, mas costumavam fazer traquinagens, um se passando pelo outro.
Vanessa engoliu em seco.
— Contou para Zac?
— Não. Pensei em deixar isso com você. - Vanessa mordeu o lábio.
— Sabe que tem que contar para ele, não é? — Lúcia perguntou.
— Eu sei. — Vanessa parecia angustiada. — Mas não sei como fazer. Ele tem sofrido muito... Não quero magoá-lo ainda mais. Sinto-me muito culpada.
— Stella é quem deve se sentir culpada. Aposto que largou Lynda com você.
— Sim. Acredite, é a rotina de toda uma vida. — Vanessa suspirou. — Mamãe era assim também: impaciente, impulsiva, irresponsável, sempre se envolvendo com os homens errados.
— Zac compreenderá — Lúcia garantiu. — E um bom homem. Tudo vai se resolver quando ele souber quem você realmente é.
Vanessa queria se sentir assim tão confiante.
Ouviu-o conversando com um empregado enquanto descia para o hall. Vanessa sorriu timidamente para Lúcia.
— Deseje-me sorte.
— Seja apenas você mesma — Lúcia aconselhou. — É o que basta.
O jantar foi oferecido num elegante hotel, o salão adornado com flores e candelabros. Vanessa não se sentia muito sociável. Ficou ao lado de Zac, o braço apoiado no dele, sorrindo para as várias pessoas que lhe eram apresentadas, mas mal podia esperar para voltar para casa.
Ao fim da refeição, vários casais começaram a dançar ao som de uma pequena banda. Vanessa deixou a mesa e refugiou-se no banheiro antes que Zac a tirasse para dançar.
Trancou-se em um dos reservados e respirou fundo várias vezes, juntando coragem para revelar a verdade quando voltassem para casa.
De repente, percebeu que duas mulheres conversavam no banheiro. Falavam em italiano, mas Vanessa compreendia cada palavra.
— Ouvi dizer que era dançarina numa boate quando Dylan a conheceu. Aparentemente tiveram um caso, mas Dylan decidiu voltar para os braços da noiva.
— Ouvi dizer que teve um bebê.
— Sim, parece que foi por isso que Zac se casou com ela. Ele quer ficar com a sobrinha e teve que se casar com a mãe dela para conseguir.
— Espero que não se arrependa. Mulheres como Stella Hudgens só causam problemas.
— Agora a chamam de Vanessa. — A mulher deu uma risadinha. — Sem dúvida quer se distanciar da antiga imagem. Acho que querem silenciar algum escândalo. Reparou? Ela está com um corpo ótimo para alguém que teve um bebê há pouco tempo. Será que Zac já tentou tirar uma prova?
— Estão casados, não estão?
— Todos sabem que Zachary Efron é bem seletivo com as mulheres. Só se casou por causa da criança. Mas sabe o que dizem sobre os homens: não pensam com a cabeça, mas com o que está entre as pernas.
As mulheres deixaram o banheiro. Vanessa colocou a cabeça entre as mãos. Será que isso poderia ficar pior?
Zac se levantou assim que Vanessa voltou à mesa.
— Quer dançar?
Vanessa queria pensar numa desculpa, mas preferia dançar a ficar numa mesa com pessoas que sabiam tantas coisas a respeito de sua irmã.
Zac franziu a testa.
— Esteve nervosa a noite inteira. Algo errado? Não queria ficar tanto tempo em Sorrento? Desculpe, mas foi inevitável. Preciso resolver alguns assuntos antes de voltarmos.
Vanessa meneou a cabeça.
— Não, não é isso. — Ergueu os olhos, finalmente tomando uma decisão. — Podemos ir para casa? Preciso conversar com você... a sós.
— Se é o que quer.
Após algumas despedidas, saíram.

Oiiii pessoal!!
Aqui está mais um capítulo pra vcs...
Como havia dito, estamos entrando na reta final da nossa fic...
E eu já abri as votações pra vocês escolherem a próxima 
fic okay!? As votações se encerraram no último capítulo
dia também que divulgarei oficialmente o nome e o site da 
próxima fic.
E respondendo para quem achava de que Lucia desconfiava
de alguma coisa, aqui está a resposta!!
Obrigada pelos comentários meninas...
Beijoos até qlqr hora!!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Capítulo 18

Vanessa acordou na manhã seguinte com Zac apoiado sobre um dos cotovelos, observando-a em silêncio. Sentiu o rosto esquentar e desejou ter a autoconfiança da irmã, pois assim acordaria ao lado de um homem sem corar até a raiz dos cabelos. Pensou em levantar-se, mas Zac a impediu.
— Não, não fuja. Lúcia está cuidando de Lynda. Você terá uma folga. Como está se sentindo?
Ela desviou o olhar.
— Estou bem. As cólicas sumiram.
— Ótimo. — Vanessa ouviu Zac levantar-se da cama, mas não ousaria olhar para ele enquanto não estivesse vestido. — Tenho planos para você.
— Planos? — Ela o olhou brevemente nos olhos.
Zac vestia um robe.
— É a primeira vez que vem a Sorrento, não? Acho que seria bom deixar Lúcia com Lynda enquanto passeamos. Podemos visitar a igreja de San Francesco e almoçar em um dos restaurantes da Piazza Tasso. Amanhã podemos explorar as ruínas de Pompéia e almoçar em Positano.
— Tem certeza de que Lynda...
— Ela vai ficar bem. Meu pai passará algum tempo com ela, sob a supervisão de Lúcia, claro. Considerando o que aconteceu na noite passada, acho melhor não aparecermos.
Vanessa concordava, mas não disse nada. Ainda se sentia desconfortável com a discussão entre Zac e o pai.
— Se eu puder ajudar em alguma coisa... — Ela baixou o olhar novamente.
Zac demorou a responder.
— Apenas seja você mesma, Vanessa.
As palavras foram como uma adaga em seu coração. Se ao menos pudesse ser ela mesma!
A manhã estava ensolarada, as ruas de paralelepípedos cheias de turistas ávidos por conhecer aquela bela parte da costa amalfitana. A vista dos jardins acima da famosa Piazza Tasso era espetacular. Era como se as preocupações e os temores de Vanessa fossem lentamente levados pela brisa que remexia seus cabelos.
Estar na companhia de Zac era maravilhoso. Ele andava ao seu lado, o ombro esbarrando nela sempre que apontava locais interessantes, a voz profunda envolvendo-a feito uma doce carícia.
— Segundo a lenda, foi aqui em Sorrento que Ulisses ouviu a canção das sereias.
Vanessa olhou para as águas brilhantes, protegendo os olhos do sol enquanto tentava se concentrar no que Zac dizia, não no movimento de seus lábios ao falar.
— É tão bonito — ela afirmou. Depois de um instante, olhou para Zac. — Deve sentir saudades daqui agora que mora em Los Angeles.
Os olhos de Zac buscaram o mar.
— Sim, mas tive vontade de me afastar daqui depois da morte de minha mãe. — Suspirou, encostando-se nas grades do jardim. — Meu pai mandou Dylan dirigir a filial de Los Angeles, mas logo se tornou claro que ele não estava fazendo um bom trabalho. Vanessa conteve o fôlego, imaginando que Zac acusaria sua irmã — ela, portanto — de distrair Dylan do trabalho, mas não foi o que ele fez.
— Dylan era um farrista, não um banqueiro, mas meu pai se recusava a enxergar isso. Ficava ressentido por saber que eu cuidava dos negócios melhor que seu filho favorito. Mas penso que o mimado do meu irmão acabaria como meu pai: um homem amargo, apoiando-se no álcool para seguir vivendo.
Vanessa segurou a mão dele, uma expressão de simpatia no rosto.
— Zac, sei que não acreditará, mas sei como é se sentir negligenciado. Dói demais pensar que por mais que tente, nunca conseguirá agradar os pais.
Zac franziu ligeiramente a testa.
— Pensei que fosse filha única. Vanessa ficou paralisada.
— E-eu... imagino como deve ser... Não se precisa vivenciar algo para saber como é sentir-se assim...
Para Vanessa, era como se um século tivesse se passado antes de Zac responder.
— Melhor voltarmos — ele disse, afastando-se da grade e segurando Vanessa pelo braço. — O sol está começando a queimar seu rosto. Deveria ter lhe lembrado de trazer um chapéu.
Vanessa andou temerosa até o carro, as batidas de seu coração aceleradas por causa de seu novo deslize.
Os dias seguintes se passaram da mesma maneira. Acordava a cada manhã nos braços de Zac, aconchegada em seu corpo quente e protetor. Embora ele não a tocasse intimamente, Vanessa sentia seu corpo ansiar por ser possuído. Depois do café-da-manhã, Zac a levava para passear. Lúcia cuidava de Lynda. Assim David poderia passar algum tempo com a neta em seu jardim particular.
Vanessa ficou fascinada com Pompéia. Os prédios desmoronados, as relíquias antigas, incluindo os corpos congelados no tempo pelas cinzas vulcânicas, fizeram-na ficar em silêncio, imaginando o que as pessoas deveriam ter sentido ao tentar escapar da fúria do monte Vesúvio.
— É tão triste — disse ao saírem. — Pensar que não tiveram tempo de escapar, que não tinham onde se esconder, que não tinham como salvar seus entes queridos...
Zac observou a expressão perturbada de Vanessa ao admirar as ruínas. Em momentos assim, era difícil não considerá-la uma mulher de coração sensível aos que sofriam. Onde estava a mulherzinha egoísta e ambiciosa agora?
David Efron andava fazendo as refeições sozinho em sua suíte. Mas na quarta noite, Vanessa se deparou com Zac e o pai a esperarem por ela na sala de jantar.
A situação parecia incômoda a princípio, mas logo se tornou aparente que David tentava se desculpar pela indelicadeza daquela primeira noite. Também parecia fazer o esforço de não beber em excesso.
— Lynda é uma criança linda — ele disse a certa altura. — Tenho me divertido muito com ela pela manhã. Obrigado por me dar o privilégio de conhecer minha neta.
— Que bom que se afeiçoou a ela, Signore Efron — Vanessa murmurou. — Ela é muito especial.
David lhe deu uma boa olhada antes de acrescentar:
— Lúcia me disse que você é uma boa mãe. E como meu filho disse que você fala nossa língua, devo pedir desculpas pelo insulto daquela noite.
— Não importa. Já esqueci o assunto. David clareou a garganta.
— Também devo me desculpar pela carta que enviei. Algumas das coisas que eu disse eram... imperdoáveis. Não sei como aceitou casar-se com Zac tendo uma arma destas para usar contra nós.
Vanessa ficou tensa. Stella mencionara uma carta, mas nunca a mostrara. Então David teria razão? A irmã escondera a arma que teria evitado aquele casamento?
Percebeu que Zac a observava atentamente, então se dirigiu a David.
— Todos dizem e fazem coisas reprováveis no calor do momento.
— Você é muito bondosa. Não a imaginei assim. Acho que Dylan não nos ofereceu uma boa imagem sua.
Vanessa não conseguia olhar para David. Mentir para um homem moribundo era repreensível, mesmo que seus motivos fossem altruístas. Concentrou-se no prato, imaginando como resistiria até o fim do jantar. Uma batida na porta anunciou a entrada de um dos criados, que informou que havia um telefonema para Vanessa.
Ela sentiu o peso do olhar de Zac sobre si ao levantar-se, as pernas ameaçando fraquejar enquanto se dirigia à biblioteca. Fechou a porta e, respirando fundo, pegou o fone.
— Alô?
— Vanessa, sou eu, seu alto ego. — Stella deu uma risadinha. Vanessa apertou o fone.
— Como conseguiu este número? Eu disse para não ligar! É perigoso.
— É claro que posso ligar para minha irmã — Stella murmurou. — Minha irmãzinha casada com um bilionário — acrescentou com voz arrastada.
— Você planejou isso tudo, não é? Não me mostrou aquela carta. Deixou que eu pensasse que não havia alternativa senão casar com Zac, sabendo que era desnecessário.
Stella deu uma risada.
— Você caiu tão fácil. Agora quem é a gêmea mais esperta? Você se acha tão inteligente com seu diploma universitário e seu dom para línguas, mas nem conseguiu pensar numa maneira de fugir da vingança dos Efron.
— O que quer? Transferi o dinheiro para a sua conta. Não me diga que já gastou tudo.
— Na verdade, sim. É por isso que estou ligando. Quero mais.
— Mais? — Vanessa se espantou.
— Você me ouviu, Vanessa. Quero depósitos regulais a partir de amanhã.
— Mas não tenho...
— Peça um aumento de mesada ao seu marido - Stella rebateu. — Quero que me dê tudo. É justo, não acha? Você fica com o bebê, então eu recebo a mesada.
— Não acredito no que estou ouvindo. O que aconteceu com Alex Pettyfer e sua grande carreira no cinema?
— Como a maioria dos homens com os quais me envolvo, ele já mostrou quem realmente é e não me dá mais nada. É por isso que conto com você para me sustentar.
— Não deveria contar apenas consigo mesma?
— Um telefonema, Vanessa — Stella lembrou friamente. — Basta um telefonema. Ou talvez seja melhor visitar seu marido. Seria mais eficiente, não acha?
— Não ousaria — Vanessa disse entre os dentes.
— Acha que não?
— Ele tomaria Lynda de mim sem hesitar. Ela ficaria arrasada; ela agora acha que sou mãe dela.
— Que me importa o que acontece com essa menina? A questão é o dinheiro, Vanessa. Faça o que eu mando e seu segredinho estará salvo.
Vanessa recolocou o telefone no gancho e voltou para a sala de jantar com o coração pesado. Teria que contar a verdade para Zac antes que a irmã aparecesse, mas não sabia como fazer.
Zac se ergueu quando ela entrou na sala.
— Está tudo bem, Vanessa? Parece ter ouvido más notícias.
— Não... não é nada. — Forçou um sorriso. — Desculpem-me pela interrupção.
— Não há por que — David disse, acenando para o criado. — Na verdade, vou me retirar mais cedo. Estou muito cansado. Buonanotte.
Zac esperou o pai sair para segurar a mão de Vanessa.
— Sabe o que deveríamos fazer, cara?
— N-não...
— Acho que deveríamos imitar meu pai e nos deitarmos cedo. Enquanto você estava ao telefone, Lúcia disse que Lynda está dormindo tranquilamente. Temos o resto da noite para nós. É hora de começarmos nosso casamento no real sentido da palavra.
— Zac... Eu... — Vanessa se calou. Só uma noite nos braços dele, então revelaria a verdade. Seria pedir demais? Passaria o resto da vida se lamentando se não fizesse amor com ele ao menos uma vez.
— Não vou te machucar desta vez — ele disse, acariciando o rosto dela.
Vanessa se aproximou dele, amando a sensação dos braços a envolvê-la, confiando em Zac com todo o coração.
— Eu sei.
Zac a levou para cima e trancou a porta do quarto ao entrarem.
Ele a beijou de leve, uma, duas, três vezes. As mãos cálidas a tocavam suavemente, despindo-a, enquanto Vanessa tentava fazer o mesmo com ele.
Foi levada para a cama com um beijo ardente. Seu corpo reagia calorosamente a cada movimento das línguas, antecipando a união de corpos que ela tanto desejava. Zac passou a beijar-lhe os seios, o úmido calor de sua boca despertando em Vanessa um frenesi de prazer.
Respirou fundo quando os dedos dele a acariciaram com mais intimidade, o toque possessivo excitando e amedrontando Vanessa ao mesmo tempo.
Zac a invadiu lentamente com um dedo, esperando o corpo dela aceitá-lo antes de avançar mais.
Vanessa estremeceu, as pernas fracas enquanto se deixava explorar. Sentiu uma pontada de dor com invasão, os músculos tão tensos que ameaçavam explodir.
— Relaxe, Vanessa — Zac murmurou.
Vanessa fechou os olhos e se deixou levar pelas sensações que Zac despertava, permitindo que as ondas de prazer tomassem seu corpo. Percebeu vagamente os gemidos de alguém, assustando-se quando concluiu que eram seus.
Zac esperou que ela relaxasse completamente antes de se deitar sobre ela, sustentando seu peso nos braços.
Vanessa estava maravilhada. Zac a penetrou com tanto gentileza que quase a fez chorar.
— Está tudo bem? — ele perguntou, parando por um momento.
Ela o abraçou, saboreando a sensação de tê-lo dentro de si.
— Sim... Isso é tão bom...
Aquelas palavras refletiam o que ele sentia também. Fizera amor inúmeras vezes, mas com Vanessa isso parecia ser mais do que bom... parecia perfeito.
O corpo pequeno de Vanessa se ajustava tão bem ao seu que pensou que não conseguiria se controlar. Mergulhou ainda mais no corpo dela, esperando não machucá-la, mas só ouviu um suspiro de prazer
Beijou-a novamente, apreciando a boca macia que se submetia à sua invasão, os tímidos movimentos de Vanessa excitando-o ainda mais.
Apesar da inexperiência, Vanessa podia sentir o quanto Zac se esforçava para se conter. Beijou-o avidamente, os dedos afundando-se nos cabelos dele, as pernas se abrindo ainda mais para Zac.
Ele gemia na medida em que o ritmo das investidas se intensificava, os músculos das costas ficando tensos sob as carícias de Vanessa. Ela estremeceu, o corpo instintivamente procurando mais intimidade com o dele.
Ficou sem fôlego quando a mão de Zac buscou pelo centro de seu ser, os dedos com precisão certeira. Agora era ela quem perdia o controle. As emoções se avolumavam novamente, mais intensas devido à invasão masculina.
Sentiu o primeiro espasmo, então nova avalanche recaiu sobre ela, surpreendendo-a com o impacto devastador que teve sobre seus sentidos.
Percebeu quando Zac parou, o corpo anunciando o subseqüente terremoto que o levou ao paraíso. Deixou em Vanessa sua essência, unindo-os da maneira mais primitiva imaginável.
Vanessa o abraçou, deliciando-se com a sensação de proximidade.
Quando ele se afastou, percebeu que estava mais do que fisicamente unida a ele. O amor que sentia parecia preencher todo seu ser. Mal conseguia respirar sem sentir uma pontada no peito, alertando-a que a prioridade de Zac sempre seria Lynda.
Virou-se para ele, a confissão já se formando em sua cabeça. Só então percebeu que ele dormia.
— Zac? — Ela o sacudiu de leve.
Não recebeu resposta.
Vanessa suspirou e abraçou-se a ele; contaria pela manhã. Passaria mais aquela noite nos braços dele.
Vanessa percebeu que havia algo errado assim que abriu os olhos na manhã seguinte. Estava sozinha na cama e podia ouvir o som de vozes por toda a casa.


Oiiii pessoal!!
Aqui está mais um capítulo pra vcs...
Como havia dito, estamos entrando na reta final da nossa fic...
E eu já abri as votações pra vocês escolherem a próxima 
fic okay!? As votações se encerraram no último capítulo
dia também que divulgarei oficialmente o nome e o site da 
próxima fic.
Obrigada pelos comentários meninas...
Beijoos até qlqr hora!!

domingo, 7 de dezembro de 2014

Capítulo 17

Vanessa acordou durante a noite com a costumeira cólica que a atormentava desde a puberdade. Gemeu de dor enquanto se arrastava para fora da cama.
Foi até o banheiro e, depois de tomar dois analgésicos, sentou-se na beirada da banheira, esperando que fizessem efeito antes de voltar para a cama.
— Vanessa? — A voz de Zac soou do outro lado. — Está tudo bem?
— Sim.
— Pensei que estivesse gemendo. Está doente?
— Não exatamente.
— Precisa de alguma coisa? Ela se levantou e abriu a porta.
— Estou bem. Não é nada que não tenha me acontecido antes.
Zac franziu a testa, compreendendo lentamente.
— Está menstruada?
— Está salvo, Zac — Vanessa disse ao passar por ele. — Não será pai. Não fica feliz?
Ele a segurou pelo braço.
— Está pálida. Tem certeza de que está bem?
— Lynda está dormindo, Zac. Não precisa fingir que se preocupa comigo no momento.
— Está vivendo sob o teto de minha família e, portanto, sob minha proteção.
Vanessa se desvencilhou dele.
— Não estou doente! Só preciso ficar sozinha. Será pedir muito? — Ela sentiu as lágrimas turvarem sua visão e virou-se para a porta.
Zac a puxou pela roupa de dormir e viu os olhos marejados, sentindo algo disparar dentro de si.
Passou o polegar pela bochecha onde uma lágrima deixava um caminho cristalino.
— Você está chorando — ele disse, parecendo surpreso.
— Não diga. — Ela soluçou e esfregou os olhos com a mão livre.
— Por que está chorando? Vanessa ergueu a cabeça.
— Existe lei contra isso, Zac? Preciso pedir permissão para chorar?
— Não... Só estava perguntando.
— Estou chorando porque sempre choro quando estou menstruada — ela soluçou. — Não consigo evitar. Fico emotiva demais e começo a choramingar pelas coisas mais bobas. — Vanessa assoou o nariz no lenço que ele oferecia. — Não queria acordá-lo. Sinto muito... mas eu...
Zac a puxou para si, os dedos acariciando os sedosos fios de cabelo.
Vanessa apoiou o rosto no peito dele, os braços segurando a cintura.
— Shh — ele murmurou. — Não chore.
A gentileza dele só piorou as coisas. A culpa que Vanessa sentia pelas mentiras a fizeram soluçar ainda mais.
Depois de um tempo, Zac percebeu que ela se acalmava, o choro quase havia cessado. Ficou com Vanessa em seus braços, o queixo apoiado em sua cabeça, aspirando o perfume de gardênia de seus cabelos. Queria parar o tempo e ficar ali com ela para sempre, o corpo comunicando silenciosamente o amor que fora incapaz de impedir de sentir.
— Desculpe. — Vanessa se afastou. — Molhei sua camisa.
Ele viu a mancha úmida e sorriu.
— Não tem problema. Eu já ia tirá-la mesmo. Vanessa o fitou com embaraço, a mão procurando pela porta.
— É... é melhor eu voltar para a cama. Está tarde. Zac tomou-lhe a mão e a levou à boca, os lábios tocando cada dedo enquanto os olhos se mantinham fixos nela.
— Zac... Eu...
— Não fale, Vanessa.
— Acho que não... — Ficou calada quando ele levou um dedo aos lábios dela.
— Não fale — ele insistiu. — Mudei de ideia. Eu a levarei para minha cama. Não para fazermos sexo; isso pode esperar. Só quero ficar abraçado com você.
— P-por quê? — Vanessa perguntou assim que ele afastou o dedo de sua boca.
Ele a olhou nos olhos por incontáveis segundos antes de responder:
— Porque quando te abraço, esqueço meu irmão. Esqueço minha dor. Só consigo pensar na sensação de tê-la em meus braços.
Vanessa ficou com o ar preso no peito, o coração apertado devido à honestidade que via naqueles olhos azuis.
— Certo. — Ela baixou os olhos. — Eu durmo com você.
Saíram do banheiro, os dedos dele segurando os dela enquanto cruzavam a passagem até o quarto dele, cada passo lembrando Vanessa de cada mentira que contara.
Ele estava atraído pela personagem que ela interpretava, nem suspeitava que sua esposa era uma farsante que não tinha o direito de estar em sua vida, muito menos em sua cama.
Zac puxou as cobertas. Vanessa se ajeitou entre os lençóis macios, evitando olhar para ele ao se deitar de lado, praticamente na beirada do colchão. Depois sentiu o colchão afundar com o peso dele.
O silêncio parecia sufocá-la, tornando impossível relaxar o suficiente para que dormisse. Esticou as pernas para aliviar o desconforto, mas acabou esbarrando nas dele.
Zac ligou o abajur e aproximou-se dela, sorrindo.
— É sempre agitada assim na cama?
— Não estou acostumada a dormir com... — Vanessa interrompeu-se ao perceber o que dizia, o rosto corando.
O sorriso desapareceu do rosto de Zac.
— Está dizendo que sempre vai embora depois de se deitar com um homem? Vai direito ao ponto e adeus?
Zac queria controlar o ciúme que o assaltava sempre que pensava nela com seu irmão, e sabe Deus quantos homens mais, mas o ciúme o devorava mesmo assim.
Vanessa umedeceu os lábios, evitando-lhe os olhos.
— Não quero discutir com você. Estou cansada, e isso só vai piorar as coisas.
— Alguma vez passou uma noite inteira com meu irmão? Ou apenas fazia seu serviço e partia o mais rápido possível?
Vanessa sentiu a raiva crescendo ao ouvir aquela crueldade. Sim, a irmã era promíscua, mas não era uma prostituta. Ficava ressentida quando ele insinuava coisas assim.
— Que coisa mais desprezível de se dizer — ela retrucou.
— Alguma vez passou uma noite inteira com ele?
— Não é da sua conta. — Vanessa fechou os olhos e deu-lhe as costas.
Zac a puxou pelo ombro num movimento rápido, a expressão determinada.
— Ele alguma vez a pagou para ganhar sexo?
— O que você acha? — ela disse em tom de desafio. — É você que pensa que me conhece melhor que qualquer um. Você acha que eu faria algo assim?
Zac queria acreditar que ela seria incapaz de tal comportamento, mas as histórias de Dylan a declaravam culpada. Além disso, a mesada tinha desaparecido da conta tão logo fora depositada.
Depois de um tenso momento, Zac a soltou. Desligou o abajur e deitou-se, desejando acordar na manhã seguinte e descobrir que a mulher que amava fosse alguém totalmente diferente daquela que destruíra a vida de Dylan.
Durante a madrugada, Vanessa percebeu que braços fortes a envolviam, o calor de um corpo grande fazendo-a sentir-se segura como nunca antes.
Sentiu as pernas de Zac entrelaçadas às suas. Ele murmurou qualquer coisa enquanto dormia e a apertou mais, uma das mãos apertando seu seio.
Vanessa fechou os olhos e tentou voltar a dormir, mas era impossível ignorar a evidência da excitação dele às suas costas. Seu próprio corpo começou a reagir, uma sensação característica entre as coxas.
Respirou fundo quando ele começou a tocar seu pescoço, a boca atormentando ainda mais seus sentidos.
— Hmm. Você é deliciosa.
— S-sou? — Vanessa estremeceu ao sentir a língua dele em sua orelha.
— Mmm. — A boca procurou a dela. — Delicioso.
Ela fechou os olhos quando as bocas se encontraram. Este beijo era diferente dos outros, era lento e envolvente, sem sinal de urgência, embora não menos tentador.
O beijo se intensificou com a carícia das línguas, o movimento sensual disparando o desejo no corpo de Vanessa. Gemeu quando a mão de Zac buscou seu quadril, os dedos puxando-a para perto de sua ereção.
— Eu a quero tanto — ele murmurou contra a boca dela. — Acho que nunca desejei alguém tanto assim.
Vanessa respirou fundo quando ele ergueu a barra da camisola, o lento deslizar da mão por sua coxa lembrando-a da razão de estar ali na cama dele.
— Não posso. — Segurou a mão dele, um pedido de desculpas nos olhos. — Minha menstruação, lembra?
Zac a fitou por um bom tempo. Vanessa sentia-se afogar na profundeza daqueles olhos azuis.
— Não imaginei que ficasse envergonhada com essas coisas — disse enfim. — É muito antiquado ficar tão embaraçada por causa de algo tão natural.
— Eu sei. Sinto muito.
— Tem se desculpado muito ultimamente. — Ele sorriu ironicamente. — Ainda precisa se desculpar por mais alguma coisa?
Os olhos de Vanessa se desviaram dos dele, as bochechas ardendo.
— Não! Claro que não.
— Só estava perguntando. — Ele lhe afastou uma mecha de cabelo do rosto num toque gentil, atraindo o olhar de Vanessa para si, como pretendia. — Às vezes, Vanessa, acho que está escondendo algo de mim. Algo importante.
Percebeu que ela estava nervosa.
— O que eu poderia estar escondendo?
— Não sei. — Zac observava o combate de emoções no rosto dela. — Tenho tentado desvendar a verdadeira Vanessa, mas continuo perdido.
— É difícil agir normalmente quando estou perto de você — ela disse, distraidamente agarrando os lençóis.
— Por quê? Por causa do meu irmão?
Não, por causa da minha irmã, ela queria dizer.
— Você está sempre zangado comigo. Não estou acostumada a lidar com tantas emoções negativas.
Ouviu Zac suspirar.
— Tem razão. As mortes de Dylan e de minha mãe me abalaram. Não tenho sido eu mesmo há muito tempo; às vezes me pergunto se um dia voltarei a ser. Mas fui sincero quando falei de uma trégua pelo bem de Lynda.
Vanessa demonstrou sua simpatia.
— Eu compreendo.
Zac se deitou com um suspiro.
— Melhor dormir, Vanessa — disse de olhos fechados.
Vanessa o observou por certo tempo. As linhas sérias de seu rosto estavam relaxadas. Queria traçar com os dedos o contorno de suas sobrancelhas aristocráticas, a marca no nariz que parecia já ter sido quebrado. Queria pressionar os lábios nos dele, sentir como as bocas se uniriam.
— Zac? — Ela lhe sussurrou o nome.
— Mmm?
— Quero que saiba que o considero um pai maravilhoso para Lynda.
Zac segurou a mão dela, apertando-a ligeiramente.
— Obrigado. Eu a amo como se fosse minha.
— Eu t... — Vanessa calou-se, o coração dando um pulo no peito por seu deslize.
Ficou agoniada esperando que Zac dissesse qualquer coisa. Mas a respiração dele estava amena, o peito se erguia a intervalos regulares, indicando que eleja dormia.
Vanessa se tranquilizou, percebendo que seu segredo ainda estava a salvo.
Mas desta vez fora por pouco.
Muito pouco.


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Para quem suspeitava q Vanessa estava grávida aqui está a 
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sábado, 6 de dezembro de 2014

Capítulo 16

Depois de cuidar de Lynda, Vanessa a deixou aos cuidados de Lúcia e foi para o quarto que Paloma lhe preparara.
Era luxuosamente mobiliado, a cama imensa dominando o quarto com pilhas de travesseiros e almofadas coloridas, o chão forrado por tapetes caríssimos. Havia um grande armário, uma penteadeira e duas portas: uma para o banheiro, outra para a suíte de Zac. Vanessa desviou os olhos daquela porta e foi até a janela, vendo o majestoso Vesúvio. Uma leve brisa fazia as cortinas esvoaçarem, carregando o aroma das flores de laranjeira para o quarto.
Ouviu uma batida na porta de ligação entre os dois quartos. A garganta ficou seca quando Zac apareceu no quarto. Ele estava vestido formalmente, parecendo mais alto e autoritário em seu smoking, a camisa branca evidenciando a pele morena e os olhos escuros.
— Desculpe, não vou demorar. Só quis ver se Lynda estava bem acomodada primeiro. Espero por você no meu quarto. Bata na porta quando estiver pronta para descer. Eu a acompanharei para que aprenda a andar pela casa.
— Obrigada. — Esperou que ele saísse para se despir, desejando ter tempo para um banho, mas não queria aborrecer David atrasando-se para o jantar. Lavou-se na pia e colocou uma leve maquiagem, prendendo o cabelo num coque. O vestido pertencera a Stella e, mesmo justo, era elegante e simples, a gaze rosa criando contraste com sua pele clara.
Bateu de leve na porta e conteve o fôlego enquanto ouvia os passos de Zac se aproximando.
— Pronta? — ele perguntou, fitando-a com indisfarçável aprovação.
Ela deu um sorriso nervoso.
— Sim.
A sala de jantar era tão suntuosamente mobiliada quanto o resto da casa. Candelabros de cristal pendiam do teto, e as paredes estavam adornadas com caríssimas obras de arte e vários espelhos de moldura dourada, que tornavam a sala ainda mais ampla. A longa mesa de jantar estava posta para três pessoas, a louça disposta de maneira elegante, com um perfumado arranjo de rosas ao centro.
David, sentado à cabeceira, relanceou Vanessa assim que ela entrou na sala.
— Está atrasado, Zac — ele disse em italiano, em tom reprovador. —Ainda não ensinou sua esposa a ser pontual?
Zac puxou a cadeira para Vanessa enquanto olhava zangado para o pai.
— Não é culpa de Vanessa estarmos atrasados — respondeu também em italiano. — Tive que fazer várias ligações. Fui eu quem deixou Vanessa esperando.
Vanessa esperou Zac se sentar à sua frente antes de oferecer um olhar de agradecimento. Ele a encarou brevemente, uma sombra de espanto nos olhos.
David resmungou alguma coisa e tomou um grande gole de vinho tinto. Vanessa viu os olhos de Zac ir da taça na mão do pai ao jarro quase vazio.
— Sua casa é muito bonita, Signore Efron — ela disse para quebrar o desconfortável silêncio.
— Será de Lynda um dia — David respondeu em inglês, acenando para que o criado enchesse novamente o jarro. — A não ser que Zac tenha um filho. O que me diz, Zac? — Voltara a falar em italiano, acrescentando em tom de insulto: — Pode continuar de onde Dylan parou. Tenho certeza de que sua esposa não se importará, desde que a pague bem. Já abriu as pernas para vários outros, por que não faria o mesmo com você?
Vanessa respirou fundo, apertando as mãos sobre o colo, o rosto ficando vermelho de raiva.
— Gostaria que não a insultasse na minha presença, papai. Afinal, ela é a mãe de sua única neta e merece um pouco de respeito.
Os olhos de David chisparam de fúria.
— É por causa dela que seu irmão está morto! Ela tem que pagar!
— Como? — Zac perguntou calmamente. — Insultando-a sempre que tiver a chance? Fazendo com que se sinta culpada o tempo todo, como costuma fazer comigo?
David bateu o copo com tanto ímpeto sobre a mesa que até o candelabro retiniu junto com as outras taças dispostas ali. Encarou o filho, o rosto vermelho e os lábios brancos de tão apertados.
— É verdade, não é? — Zac continuou com o mesmo tom calmo. — Sempre me culpou pela morte de mamãe porque não quer admitir seu próprio papel naquilo tudo.
— Você estava atrasado! Você a matou por estar atrasado!
— Não, papai — Zac insistiu gentilmente. — Era você quem estava atrasado. Lembra o quanto tive que esperar até que aparecesse para assinar o resto daquela papelada? Você estava bebendo. Tive que esperar que ficasse sóbrio para que pudesse assinar o que era preciso.
Vanessa angustiou-se quando David engoliu o que ainda restava de vinho na taça, o queixo tremendo como se não pudesse controlar suas emoções.
— É mais fácil culpar os outros que enfrentar a dor da verdade. — Zac suspirou. — Talvez nós dois sejamos culpados. Não deveria ter acobertado sua bebedeira por tanto tempo, mas só queria proteger mamãe. As coisas seriam diferentes se eu soubesse o preço que teria de pagar pelo meu silêncio.
David afastou-se da mesa e gesticulou para que o criado o levasse embora.
Zac se levantou por respeito ao pai. Vanessa continuou sentada, a garganta embargada pelo sofrimento de Zac.
— Lamento que tenha testemunhado isso.
— Está tudo bem. — Ela fitava a mesa para não precisar encará-lo. — Eu compreendo... Não tem ideia do quanto compreendo.
Houve um longo silêncio.
Vanessa não conseguia pensar em nada que pudesse dizer para preencher o silêncio. Estava ciente do peso do olhar de Zac, como se ele tentasse resolver um enigma.
— Desde quando fala minha língua? — ele perguntou, fazendo com que Vanessa o encarasse espantada.
— Eu... eu estudei na escola e na universidade.
— E mesmo assim não achou necessário me informar disso?
— Tive meus motivos.
— Sim. — Zac parecia ressentido. — Poderia ouvir o que estava sendo dito sobre você para usar contra mim mais tarde. Há mais alguma coisa que tenha se esquecido de contar?
Vanessa baixou o olhar.
— Não.
Ouviu quando Zac se levantou e prendeu o fôlego quando ele ergueu seu queixo.
— Por que tenho a nítida impressão de que está mentindo para mim, Vanessa?
— E-eu não sei.
Zac lhe ergueu ainda mais o queixo, fazendo com que o fitasse nos olhos.
— Você é uma mulher intrigante, cara — murmurou, o polegar lhe acompanhando contorno dos lábios. — Que outros segredos estes olhos achocolatados escondem de mim?
— S-segredo nenhum. — A voz saía esganiçada. — Não tenho segredos.
O polegar continuou seu movimento até Vanessa não conseguir pensar direito. Zac fez com que ela se levantasse e, com as mãos na cintura dela, baixou a cabeça para beijá-la.
Vanessa suspirou quando as bocas se encontraram, todo o seu corpo cantando em júbilo por estar nos braços de Zac mais uma vez. Sentiu a invasão da língua e começou a derreter, as pernas fraquejando, agarrando-se a Zac para não cair.
As mãos dele vagaram até seus quadris, puxando-a ainda mais. Vanessa sentiu o volume a ereção e suspirou de prazer quando ele se pressionou contra ela.
Zac afastou-se dela, os olhos brilhando de desejo.
— Disse a mim mesmo que não a tocaria. Depois da noite passada...
A entrada dos criados trazendo o jantar os interrompeu. Vanessa sentou novamente e tomou um longo gole de água, e ficou aliviada quando o jantar terminou.
Tinham comido em silêncio, ocasionalmente fazendo um comentário ou outro sobre os pratos que eram servidos.
Zac veio puxar a cadeira para Vanessa levantar-se e a acompanhou até o andar de cima.
Ele lhe abriu a porta do quarto e a encarou com expressão insondável.
— Gostaria que considerasse a possibilidade de nosso casamento se tornar real.
Vanessa sentiu o coração acelerar no peito.
— Quero o melhor para Lynda e, apesar do que meu irmão contou, agora acredito em você também. Por isso acho que o ideal seria nos comportarmos como um casal normal. Não seria bom que Lynda crescesse com pais que brigam o tempo todo. — Zac sorriu ao prender uma mecha do cabelo dela atrás da orelha. — Você está cansada da viagem. Deixarei que durma em paz. Por enquanto.
Ela não queria dormir em paz! Queria dormir com ele, mas como poderia dizer isso sem revelar seus verdadeiros sentimentos?
— Vá, cara — ele disse, vendo que ela não se movia. — Estou tentando ser um cavalheiro, mas você não está tornando as coisas fáceis.
— N-não? — Ela umedeceu os lábios.
— Não mesmo. Basta olhar para você para que eu queira levá-la para a cama. Agora vá, enquanto ainda tenho forças para resistir.
Vanessa entrou, ouvindo a porta se fechar atrás de si.
Não sabia se gostava da ideia de Zac ser capaz de resistir a ela, especialmente quando não tinha a mesma força no que dizia respeito a ele. Mas Zac não estava apaixonado por ela, Vanessa lembrou-se com aflição. Ele a odiava, mesmo desejando-a. Decidira colocar o ódio de lado pelo bem de Lynda. Será que a odiaria ainda mais quando descobrisse quem ela realmente era?


Oiiii pessoal!!
Aqui está mais um capítulo pra vcs...
Como havia dito, estamos entrando na reta final da nossa fic...
E eu já abri as votações pra vocês escolherem a próxima 
fic okay!? As votações se encerraram no último capítulo
dia também que divulgarei oficialmente o nome e o site da 
próxima fic!!!
E sobre a Lúcia desconfiar ou não vocês descobriram logo
logo!! :D
Obrigada pelos comentários meninas...
Beijoos até qlqr hora!!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Capítulo 15

A primeira coisa que Vanessa viu ao descer com Lynda na manhã seguinte foi um cheque em seu nome sobre o balcão da cozinha, o dobro do valor da mesada que Zac havia depositado no banco no dia anterior.
Não sabia se ficava zangada ou magoada. Ele estava pagando a aposta por culpa ou para insultá-la ainda mais? Amassou e atirou o cheque contra a parede mais próxima, ouvindo um resmungo de reprovação às costas. Deparou-se com Lúcia a encará-la com seu desprezo habitual, os olhos escuros mirando a bola de papel perto da parede.
— Quer que eu limpe, signore?
Vanessa, sem pensar, respondeu em italiano.
— No. Mi scusi. Eu jogo fora.
Lúcia ficou espantada, abrindo e fechando a boca feito um peixe.
Vanessa demonstrou arrependimento.
— Eu deveria ter contado antes. Falo italiano.
— Signore Efron não me contou isso — Lúcia disse, estreitando os olhos.
— Ele não sabe. Lúcia ergueu as sobrancelhas.
— Não contou a ele? Vanessa meneou a cabeça e suspirou.
— Há muita coisa que não contei a ele. — Olhou Lynda, que chupava a mão ruidosamente. — Muita coisa.
Percebeu que Lúcia a observava detidamente.
— Signore Efron tinha negócios a tratar. Voltará para casa antes de sairmos para o aeroporto.
Vanessa exibiu um sorriso hesitante.
— Grazie, Lúcia.
— Ele será um bom marido — Lúcia disse depois de breve silêncio. — Precisa lhe dar tempo. Ainda está sofrendo; não tem agido como ele mesmo.
Vanessa sorriu por dentro devido à ironia contida nas palavras de Lúcia. Zac não era o único que não estava agindo como si!
— Lynda é um belo bebê — Lúcia disse, admirando a Vanessa. — Ela trouxe alegria à vida do Signore Efron.
Vanessa brincava com os dedinhos da sobrinha.
— Você é meu mundo, não é, Lynda?
— Você é uma mãe maravilhosa — Lúcia afirmou. — Ninguém duvidaria disso.
Vanessa ficou surpresa. Lúcia vinha sendo hostil há dias. O que causara aquela súbita mudança?
Lúcia a observava com tanto intento que Vanessa desviou o olhar, incapaz de afastar o pressentimento de que a governanta começava a juntar algumas peças daquele complicado quebra-cabeça.
— Ligaram para você enquanto estava no banho. Não queria que o barulho do celular acordasse Lynda, então atendi. — Lúcia fez uma breve pausa.
Espero que não se importe.
— Não. — Vanessa engoliu em seco. — Não, claro que não me importo. — Tentou manter a voz calma. — Quem... quem era?
— Ela não disse, mas por um momento pensei que fosse você. Na verdade, foi estranho. A voz dela parecia familiar.
— Ela... deixou recado? — Vanessa perguntou, olhando para as mãozinhas de Lynda com renovado propósito.
— Disse que ligaria mais tarde.
— Grazie.
Houve outro momento de silêncio.
— Signore Efron quer que eu a ajude com as malas.
— Não precisa, Lucia. Eu cuido disso. Não tenho muitas coisas para levar mesmo.
Lucia ainda a fitou com ar pensativo antes de ir cuidar de suas tarefas.
— Se precisar de alguma ajuda, Signora Efron, é só pedir. Será um prazer ajudá-la.
— Grazie, Lucia.
Vanessa esperou Lucia sair da cozinha para soltar o fôlego. Suspirou ao fitar a sobrinha, murmurando bem baixinho:
— Estou com água pelo pescoço, Lynda. E estou afundando bem rápido.
Lynda exibiu um de seus sorrisos desdentados e recolocou a mãozinha na boca.
Zac sabia da relutância de Vanessa em estabelecer contato visual. Ela falava educadamente com Lucia e foi abertamente carinhosa com Lynda ao acomodá-la no carro, mas sempre desviava o olhar quando o via, as bochechas ficando levemente rosadas.
Observou-a enquanto dirigia até o aeroporto, franzindo a testa ao ver como ela parecia inquieta.
A lembrança da intimidade partilhada na noite anterior o atormentava constantemente, a sensação do corpo dela, a boca macia, os soluços por ter agido com ímpeto demais.
Tivera tanta certeza de que seria capaz de resistir, mas no fim foi impossível. Mesmo que o irmão a tivesse descartado, Zac sabia que não seria fácil seguir o exemplo. Apesar de tudo o que sabia sobre ela, não conseguia tirar Vanessa de sua mente. Cada pensamento seu era voltado para ela; mesmo dormindo era assombrado por ela.
Não conseguia compreender Vanessa. Se era mesmo o tipo de mulher que o irmão descrevera, por que evitava seu olhar? Estava confuso desde a noite anterior. Nada fazia sentido. Sabia que as pessoas podiam mudar, mas a mudança de Vanessa desafiava todas as possibilidades.
— Pelo seu silêncio, presumo que não está animada com a viagem — ele disse depois de prolongado silêncio.
Vanessa vasculhou a bolsa aos seus pés e entregou a Zac o cheque que ele lhe deixara pela manhã, os olhos comunicando sua raiva. Zac olhou para o cheque por um instante. Seria um truque?
Viu o quanto ela parecia ressentida.
— Lamento pela noite passada. A viagem será ainda mais desagradável se não aceitar meu pedido de desculpas.
— Aceito as desculpas — ela retrucou. — Só não aceito seu dinheiro.
— Não sei por que está zangada. Foi uma aposta honesta. Eu perdi e paguei... Ou talvez você esteja zangada por ter concordado com um valor tão baixo? — Ele sorriu ligeiramente. — Quer que eu triplique o valor para aplacar sua ira?
Vanessa desviou o rosto, os olhos brilhando com lágrimas de raiva.
— Ora, Vanessa! Já foi paga por seus encantos antes. Dylan me disse o quanto você adorava receber jóias por seus favores. Afinal, esta é a moeda universal das amantes. Não há motivo para se fingir afrontada; não estaria sendo você mesma.
Não, Vanessa pensou com pesar. Certamente não estava sendo ela mesma.
Pouco tempo depois, Vanessa estava parada ao lado de Zac, esperando pelo pior. Tinha "esquecido" a certidão de nascimento de Lynda. Caso alguém pedisse outro documento, não saberia o que fazer. Felizmente ninguém pediu nada. Foram liberados como se fossem um casal comum viajando com a filhinha. O jatinho de Zac em nada se parecia com o avião no qual Vanessa viajara anteriormente. Sentou-se num assento luxuoso enquanto Zac acomodava Lynda ao lado dela, a equipe oferecendo assistência e perguntando se tudo estava ao seu gosto.
Enquanto o jatinho taxiava, Vanessa fechou os olhos, o pânico fazendo-a suar.
Sentiu a mão de Zac segurar uma das suas, o toque quente de seus dedos incrivelmente tranquilizador. Abriu os olhos e encontrou o olhar dele. Encabulada, preferiu olhar para as mãos.
— Sei que é tolice, mas não consigo evitar. Zac apertou de leve os dedos dela.
— Feche os olhos e tente dormir. Antes que perceba, já teremos chegado.
Ela fechou os olhos para dormir, mas, embora exausta, era impossível ignorar o fato de Zac estar sentado tão perto dela. Podia sentir a fragrância do pós-barba e, sempre que ele se mexia, sentia o leve toque do braço forte contra o dela.
Notou que Zac lhe deu algumas olhadas, com ar pensativo, o que a deixou incomodada. Será que estava suspeitando dela?
A Villa Efron ficava a pouca distância de Sorrento, no topo de uma colina com vista para a baía de Nápoles, os arredores tomados por oliveiras e videiras que cresciam viçosas entre alamedas de limoeiros e laranjeiras. O palacete não era velho, mas fora construído no estilo clássico e era cercado por pátios pavimentados com pedra e belos jardins.
Vanessa segurava Lynda enquanto Zac a guiava pelo cotovelo em direção à porta de entrada, onde uma empregada conversava animadamente com Lúcia, que seguira na frente.
Lúcia entrou e a pequena italiana com quem ela conversava curvou a cabeça respeitosamente para o patrão.
— Buon giorno, Signore Efron. Seu pai está esperando no salon.
— Grazie, Paloma.
Paloma se voltou para Vanessa, mas em vez da recepção fria que Vanessa esperava, a mulher sorriu calorosamente.
— Seja bem-vinda, Signora Efron. Meu inglês não é muito bom, mas tentarei ajudá-la no que puder.
— Você é muito gentil — Vanessa respondeu. — Grazie.
Zac a conduziu para dentro do palazzo, os passos ecoando no piso de mármore. Outro empregado esperava do lado de fora do salon e abriu a porta quando eles se aproximaram.
Os olhos de Vanessa logo se depararam com o homem sentado numa cadeira de rodas próxima a um grande sofá.
— Papai. — Zac se inclinou para beijar as faces do pai. — É bom vê-lo.
As mãos de David Efron agarraram as laterais da cadeira de rodas quando Zac trouxe Vanessa para perto.
— Papai, esta é Vanessa. E esta é sua neta, Lynda.
Vanessa estendeu a mão para David, mas ele a ignorou. Seu olhar estava concentrado no bebê em seu colo. Havia um brilho de lágrimas nos olhos dele, o queixo tremia ao esticar a mão nodosa para Lynda.
Lynda exibiu um sorriso, as mãozinhas segurando a dele.
Vanessa teve que lutar contra as lágrimas. Colocou a menina no colo do avô e recuou, procurando discretamente por um lenço. Notou o olhar penetrante de Zac, então fingiu-se interessada na vista da janela.
— Ela é tão parecida com Dylan... e com sua mãe. — David falou em italiano, a voz embargada de emoção.
Vanessa viu como Zac parecia querer engolir as emoções que o comentário do pai evocavam.
— Finalmente fez uma coisa certa, Zac — o pai continuou falando na própria língua. — Sei que não queria estar casado com uma mulher dessas, mas isso logo terá fim. Já procurei aconselhamento. Quando for o momento, não será difícil tirar a criança dela
Vanessa se esforçou para não revelar que o compreendia.
— Papai, precisamos discutir certas coisas, mas não agora — Zac comentou baixinho, o olhar fixo em Vanessa junto à janela.
David riu de escárnio.
— Acha que ela entende alguma palavra dessa conversa? Não seja idiota, Zac. Dylan disse que ela não passa de uma mulherzinha frívola e ignorante. Duvida? Não vá me dizer que ela já achou o caminho da sua cama!
Vanessa percebeu que Zac cerrava o queixo, o rubor tomando suas faces, mas ela não teve escolha senão fingir-se alheia ao que era dito quando ele a fitou rapidamente.
— Não se esqueça do que ela fez! — David continuou fervoroso.
— Não esqueci — Zac disse, pegando Lynda no colo. — É hora de Lynda dormir. Melhor você descansar até a hora do jantar. — Olhou novamente para Vanessa, agora falando em inglês. — Vamos, Vanessa. Precisamos colocar Lynda para dormir e nos trocarmos para o jantar.
Vanessa sorriu educadamente para David ao estender a mão.
— Foi um prazer conhecê-lo, Signore Efron. Pela segunda vez naquela noite, David Efron a ignorou.
— Papai? — Zac disse, olhando zangado para o pai.
David resmungou qualquer coisa incompreensível e apertou brevemente a mão de Vanessa.
— Obrigado por trazer minha neta para me ver. Não tenho muito tempo. Ela é tudo que nos restou de Dylan.
Vanessa piscou para conter as lágrimas.
— Sinto muito pelo o que sofreu.
David recuou com a cadeira, dispensando Vanessa de sua presença.
— Não sabe nada sobre meu sofrimento. Nada. Zac segurou Vanessa pelo cotovelo e a levou para fora, fechando a porta do salon ao sair.
— Perdoe a indelicadeza do meu pai — disse enquanto rumavam para a grande escadaria que conduzia ao andar superior. — Ele ainda está sofrendo. — Hesitou um pouco antes de acrescentar: — Nem é preciso dizer que Dylan era o filho favorito.
Vanessa parou e o encarou.
— Está tudo bem, Zac. Eu compreendo. Foi um momento difícil para todos vocês.
Ele sorriu para ela, de modo triste, mas ainda era um sorriso.
— Às vezes me pergunto o que minha mãe pensaria de você.
— Sua mãe?
Ele apontou para uma pintura pendurada na parede lá em cima.
— Minha mãe.
Da escada, Vanessa admirou o retrato da bela mulher de cabelos loiros e pele de porcelana.
— Ela é muito bonita.
— Sim... ela era.
O tom da voz fez com que Vanessa se voltasse para ele.
— Meu pai nunca me perdoou por ter causado a morte dela.
Vanessa ficou atônita. Zac a encarava por cima da cabecinha de Lynda, que se apoiara em seu colo, as mãozinhas segurando sua camisa.
— Íamos nos encontrar, mas eu estava atrasado. Liguei dizendo que fizesse alguma coisa para se distrair enquanto eu não chegava.
Vanessa sentiu o ar preso no peito. Pressentia o que estava por vir, a culpa que pesava em sua consciência...
— Ela estava do outro lado da rua quando me viu. Acenou e chamou por mim... Uma scooter esbarrou nela quando ela foi atravessar a rua. Ela não viu o outro carro. Nem eu. Só a vi sendo lançada no ar e caindo na minha direção feito uma boneca de trapos. — Zac se virou para o retrato e suspirou. — Se eu tivesse chegado uns segundos antes...
— Não! — Vanessa lhe agarrou o braço. — Não, não deve pensar assim!
Zac se desvencilhou dela, segurando a sobrinha com firmeza enquanto terminava de subir a escada.
— Não se pode mudar o passado, Vanessa. Você, mais do que ninguém, sabe disso. Todos fazem coisas das quais se arrependem mais tarde.
Vanessa queria ter uma resposta, mas o que ele dizia era verdadeiro. Suas próprias atitudes impulsivas já tinham lhe causado um arrependimento incalculável. Se tivesse contado naquele primeiro dia o que estava acontecendo, talvez não estivesse naquela situação. Ele era um homem sensato, com princípios morais.
Se tivesse falado sobre seus temores quanto à segurança de Lynda... Será que ele teria tirado Lynda de sua vida sem pensar no impacto que isso causaria à vida da sobrinha?
— Zac?
Ele se virou, a sobrinha adormecida nos braços.
— Vanessa, esta é a última chance de meu pai ter um pouco de paz. Sei que é difícil para você...
— Não é difícil — ela disse, tocando-lhe o braço gentilmente. — Devo isso à memória de Dylan. Numa outra vida, sob outras circunstâncias, talvez ele tivesse aceitado Lynda como filha. Foi o momento errado. Você assumiu o papel de pai de Lynda. Eu sou... a mãe. Cabe a nós fazer o melhor por ela.
— Está satisfeita com isso por enquanto? Vanessa olhou a menina aninhada na força protetora dos braços de Zac.
— Estou satisfeita. — Suspirou ao buscar pelos olhos dele. — Por enquanto.
Um pequeno silêncio os envolveu. Vanessa não conseguia tirar os olhos da dor refletida nos dele. Voltar para casa afetara Zac profundamente, a torrente de lembranças sem dúvida evocava a culpa que ele sentia pela morte da mãe. Não sofrerá a mesma angústia? Embora a mãe fosse responsável pela própria morte, Vanessa sentia que tinha falhado de alguma forma. Se a tivesse internado numa clínica, ou feito visitas mais frequentes, talvez o resultado fosse diferente.
— Vamos. — A voz de Zac quebrou o silêncio. — Lúcia cuidará de Lynda. Meu pai não gosta de ficar esperando.
Oiiii pessoal!!
Aqui está mais um capítulo pra vcs...
Estamos entrando na reta final da nossa fic...
Próximo capítulo abrirei a votação novamente para
que vocês escolham qual será a próxima fic okay!?
Obrigada pelos comentários girls...
Beijoos até qlqr hora!!